Política Com Jorginho ou com João? Continua a saga dos membros do MDB de olho nas eleições 2026

Com Jorginho ou com João? Continua a saga dos membros do MDB de olho nas eleições 2026

29/04/2026 - 09h32

A divisão interna do MDB segue cada vez mais evidente em Santa Catarina. Na noite de segunda-feira (27), o governador Jorginho Mello se reuniu com 55 dos 70 prefeitos eleitos pelo partido em outubro de 2024. O encontro contou ainda com a presença de nomes de peso, como os deputados Valdir Cobalchini, Antídio Lunelli, Jerry Comper e Fernando Krelling, ou seja, metade da bancada estadual, além de um representante da bancada federal.

Mas a resposta veio rápida. Já na terça-feira (28), o grupo que defende alinhamento com João Rodrigues se manifestou publicamente. Primeiro, por meio de uma carta contundente assinada pelo presidente estadual do MDB, deputado federal Carlos Chiodini. No documento, ele afirma que permanecer ao lado de Jorginho, mesmo após ser “esnobado”, seria um apequenamento do partido. Chiodini também sustenta que a maioria dos diretórios municipais prefere caminhar com João Rodrigues.

O presidente relembrou ainda os últimos resultados eleitorais da sigla: o MDB não chegou ao segundo turno nas eleições de 2018, com candidatura própria de Mauro Mariani, nem em 2022, quando indicou o vice na chapa de Carlos Moisés. Para ele, aceitar agora apenas uma suplência ao Senado significaria reduzir ainda mais o protagonismo da legenda, a ponto de, no futuro, não haver mais partido para defender.

A tensão não ficou apenas no discurso. Segundo o comentarista político Upiara Boschi, o tradicional almoço de terça-feira da bancada do MDB evidenciou o racha. Enquanto os deputados que participaram do encontro com o governador permaneceram na Assembleia Legislativa, Tiago Zilli, Volnei Weber e Mauro de Nadal optaram por almoçar fora, em um gesto claro de descontentamento com o movimento considerado à revelia da condução partidária.

Upiara destaca que o MDB catarinense possui uma dinâmica distinta de outros partidos, como o PL. “No MDB, há forte influência dos diretórios municipais, que têm voz ativa em convenções. Hoje, vemos uma divisão clara: as bancadas estadual e federal divididas e uma maioria expressiva de prefeitos inclinada a Jorginho Mello, mesmo fora da chapa”, analisa.

Ainda assim, ele pondera que o cenário segue aberto. “Não há jogo jogado no MDB. Se a decisão for para voto em convenção, a tendência hoje é de alinhamento com João Rodrigues. Mas o partido não irá unido, e isso está cada vez mais claro. Até agosto, quando ocorrem as convenções, ainda há muita lenha para queimar.”

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