Política Blindagem da aliança entre Novo e PL em SC tenta fugir do desentendimento nacional entre bolsonaristas e zemistas

Blindagem da aliança entre Novo e PL em SC tenta fugir do desentendimento nacional entre bolsonaristas e zemistas

20/05/2026 - 09h41

A passagem dos presidenciáveis Ronaldo Caiado e Romeu Zema por Santa Catarina nesta semana movimentou os bastidores da pré-campanha de 2026 e expôs tanto movimentos de união quanto sinais de tensão entre aliados da direita catarinense. Em comentário político, Upiara Boschi destacou que o evento realizado em Florianópolis serviu para mostrar força política, reorganizar alianças internas e também evidenciar fissuras nacionais que começam a respingar em Santa Catarina.

Segundo Upiara, Ronaldo Caiado desembarcou no Estado acompanhado de um “time forte” do PSD, demonstrando respaldo partidário consistente à sua pré-candidatura presidencial. Entre os nomes presentes estavam o pré-candidato ao governo de Santa Catarina João Rodrigues, o presidente da Assembleia Legislativa Julio Garcia, o presidente estadual do PSD Eron Giordani e o ex-governador e ex-senador Jorge Bornhausen.

A presença de Bornhausen ao lado de João Rodrigues foi interpretada como um gesto político relevante. Nos meses de março e abril, ambos foram o centro de forte desgaste interno no PSD, situação que quase inviabilizou a pré-candidatura de João ao governo catarinense. O comentarista observou que o reencontro público demonstra uma reaproximação e sinaliza que a crise interna foi, ao menos momentaneamente, superada.

Já no entorno de Romeu Zema, a leitura foi diferente. O pré-candidato voltou a fazer críticas ao senador Flávio Bolsonaro em razão da polêmica envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o suposto financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. A fala reforçou um atrito nacional que já vinha crescendo entre lideranças do Novo e integrantes da família Bolsonaro.

Em Santa Catarina, no entanto, essa divergência vinha sendo mantida sob controle por conta da aproximação entre o governador Jorginho Mello e o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva, apontado como possível vice em uma futura chapa de reeleição do PL. A ausência de Adriano ao lado de Zema durante o evento foi vista como simbólica.

Quem apareceu próximo ao governador mineiro foi o deputado federal Gilson Marques. Durante o encontro, Gilson também ampliou o desconforto ao afirmar que, na disputa pelo Senado, aposta em Carol De Toni, mas não apoiaria uma eventual candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. Segundo Upiara, o parlamentar chegou a afirmar que considera Carlos um “candidato do Rio de Janeiro” e declarou preferência por Esperidião Amin, que integra outro bloco político em 2026.

Para o comentarista, as declarações representam mais um foco de desgaste dentro da tentativa de manter alinhadas as forças de PL e Novo em Santa Catarina. “Vem aí mais um incêndio para Adriano Silva apagar nessa aliança entre PL e Novo”, observou Upiara, lembrando, de forma descontraída, que o ex-prefeito de Joinville também atua como bombeiro voluntário.

Confira comentário completo: