Regulação da Saúde em Araranguá: Secretaria explica filas de exames e cirurgias e orienta população a procurar setor responsável
Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, a secretária de Saúde de Araranguá, Daiane Biff, a enfermeira responsável pela regulação municipal, Renata, e os médicos reguladores municipais Henrique Besser e José Luna esclareceram dúvidas sobre filas de exames, consultas e cirurgias pelo SUS, além de explicar como funciona o sistema de regulação municipal, estadual e federal.
Durante a conversa, os profissionais reconheceram dificuldades no sistema, defenderam a importância da atualização das informações dos pacientes e anunciaram uma novidade considerada histórica para a região: o início da regionalização da regulação estadual no Sul catarinense.
Logo no início da entrevista, Saulo Machado questionou a demora enfrentada por pacientes que aguardam exames e cirurgias há anos.
A secretária Daiane Biff explicou que todas as solicitações feitas nas unidades de saúde entram no sistema SISREG, utilizado em todo o país. “Todas as inserções, as solicitações, elas vão ser feitas pelo município, lá na unidade de saúde ou na secretaria de saúde, e todas elas vão para o mesmo sistema”, explicou.
Segundo ela, a diferença está em quem executa o serviço solicitado. “Os serviços que não têm no município e são executados pelo Estado vão para a regulação estadual”, afirmou.
Daiane explicou que exames e atendimentos oferecidos pelo município são regulados localmente, enquanto procedimentos mais complexos, como cirurgias ortopédicas, dependem da regulação estadual.
“Quando a gente fala cirurgia, é regulação estadual, porque a gerência dos hospitais e das salas cirúrgicas está dentro da regulação estadual, como uma fila única dentro do Estado.”
Regulação existe porque não há estrutura para atender todos ao mesmo tempo
O médico regulador Henrique Besser detalhou a função da regulação dentro do SUS e destacou que o sistema existe porque os serviços disponíveis não conseguem atender toda a demanda simultaneamente.
“Você não tem serviços suficientes para atender todo mundo, tudo o que precisa, na mesma hora. Isso não existe, é a realidade do SUS”, afirmou.
Segundo ele, quanto mais estrutura o município possui, maior a autonomia nos atendimentos. “Tudo o que o município tem de serviço próprio é regulado pelo município. Então, quanto mais o município tiver serviços a oferecer, melhor fica.”
Henrique citou como exemplo a instalação do tomógrafo no Hospital Bom Pastor, que permitirá maior capacidade de regulação local.
Secretaria pede que pacientes procurem a regulação
A enfermeira Renata destacou que muitos pacientes reclamam da demora, mas não procuram diretamente o setor de regulação para verificar a situação. “Muitas vezes a gente consegue mandar um e-mail para o Estado, se comunicar com o regulador, ver se aquela situação foi avaliada corretamente”, explicou.
Ela afirmou que em muitos casos é necessário atualizar informações clínicas no sistema para que a prioridade do paciente seja revista. “Conforme a gente acrescenta mais informações, pode ser que aquele quadro tenha piorado e o paciente suba na fila”.
Renata reforçou que a Secretaria está aberta para atendimento. “A gente não se nega, a gente está com a porta aberta para atender a população”.
Mais de 11 mil pacientes faltaram em consultas e exames
Um dos pontos que mais chamou atenção durante a entrevista foi a informação de que mais de 11 mil pacientes deixaram de comparecer a consultas ou exames agendados.
O médico José Luna explicou que existem diferentes motivos para isso. “Às vezes o paciente já pagou o exame particular, mudou de telefone, mudou de município ou não conseguiu ser comunicado”, relatou.
Ele destacou ainda que muitos pacientes acabam não compreendendo completamente as orientações recebidas durante consultas médicas. “A maioria das pessoas não consegue reter mais do que 50% das informações, porque é muita coisa”.
Falta de informações médicas pode atrasar atendimento
Outro problema apontado pelos profissionais é a ausência de informações clínicas completas nos encaminhamentos médicos.
Segundo José Luna, isso interfere diretamente na classificação da prioridade do paciente. “Se eu não tenho a informação adequada, o caso vai ser classificado como de menor prioridade”.
Daiane reconheceu o problema e afirmou que muitas vezes o alto volume de atendimentos acaba comprometendo o preenchimento correto das informações. “Na correria acaba não colocando como deveria”.
Ela explicou que, quando isso é identificado, o caso retorna para reavaliação. “A gente devolve para o hospital ou para a unidade para colocar as informações corretas”.
Pacientes relataram demora de anos
Durante o programa, diversos ouvintes enviaram relatos de longa espera por exames e procedimentos.
Uma moradora afirmou estar aguardando endoscopia há dois anos. Outro ouvinte relatou demora para tratamento de canal. Também houve relato de paciente aguardando neurologista há mais de um ano e meio.
Em vários casos, os entrevistados pediram para que os pacientes procurem diretamente a regulação municipal para análise individual. “Não é normal esperar dois ou três anos. A gente vai avaliar o caso”, afirmou Daiane.
Regulação regional será implantada no Sul de Santa Catarina
A principal novidade anunciada durante a entrevista foi o início do processo de regionalização da regulação estadual na macrorregião Sul.
Daiane Biff informou que participou de reunião com representantes da Secretaria de Estado da Saúde e que a mudança começará pelas agendas cirúrgicas. “São mais de 308 mil solicitações em fila no Estado. É impossível uma regulação única dar conta de tudo”, afirmou.
Segundo ela, a regionalização permitirá avaliações mais rápidas e próximas da realidade local. “A região sabe do que precisa”.
Onde procurar atendimento
A Secretaria de Saúde orienta que pacientes com demora excessiva em exames, consultas ou cirurgias procurem o setor de regulação municipal.
O atendimento funciona junto à Secretaria de Saúde, nos fundos do Hospital Bom Pastor, ao lado do CAPS. Também é possível buscar orientação diretamente nas unidades de saúde dos bairros. “Pode ir no postinho, falar com a responsável pelo SISREG, que ela faz a ponte com a regulação”, explicou Renata.
Ao final da entrevista, Daiane reforçou o pedido para que os pacientes procurem o setor. “O que nós queremos é poder ajudar”.













