Defesas Civis da AMESC reforçam preparação para enfrentar eventos climáticos e ampliar segurança da população
Municípios investem em prevenção, capacitação, tecnologia e cooperação regional para reduzir impactos de enchentes, enxurradas e outros desastres naturais
Com a previsão de influência do fenômeno El Niño nos próximos meses, os municípios da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC) intensificam as ações preventivas para minimizar os impactos de eventos climáticos extremos.
Em entrevista à Rádio Araranguá, o coordenador do Colegiado Regional de Proteção e Defesa Civil da AMESC e coordenador da Defesa Civil de Santa Rosa do Sul, Higor Pereira, destacou os avanços conquistados pela região, os investimentos em tecnologia e a importância do planejamento permanente para proteger a população.
Segundo ele, o trabalho das Defesas Civis vai muito além da atuação durante as emergências e começa muito antes da ocorrência dos eventos climáticos.
“Os municípios estão trabalhando em limpeza de valos, limpeza de bocas de lobo, limpeza de grandes rios e na preparação das equipes, passando por treinamentos. Em março deste ano tivemos o maior simulado do estado e o maior do país, onde os municípios puderam treinar e se capacitar para melhorar o atendimento à população”.
Prevenção é a principal ferramenta
Higor ressaltou que muitas vezes o trabalho da Defesa Civil passa despercebido pela população justamente porque grande parte das ações acontece de forma preventiva.
“A gente muitas vezes não é visto trabalhando, mas vem efetuando junto com as secretarias de Obras e Agricultura a limpeza de canais e valos. Isso, lá no dia da chuva, faz uma grande diferença na cidade”.
Ele explicou que os municípios mantêm atualizados os chamados Planos de Contingência, documentos que orientam a atuação dos órgãos públicos antes, durante e após situações de emergência.
“O plano de contingência é o manual que o município tem para atuar antes do evento, durante e depois. Ele define o papel de cada secretaria e de cada órgão público em uma situação climática”.
Cooperação entre municípios fortalece resposta a desastres
Uma das iniciativas destacadas pelo coordenador é a implantação da chamada Lei de Cooperação Mútua, proposta pelo colegiado regional aos municípios da AMESC.
A legislação permite que cidades compartilhem equipamentos, equipes técnicas e mão de obra em situações de emergência.
“Praia Grande pode ser fortemente afetada e Santa Rosa do Sul ou Sombrio podem enviar equipamentos e equipes para ajudar. Isso reduz o tempo de resposta para a população”.
Segundo Higor, a diversidade geográfica da região faz com que cada município acumule experiências diferentes no enfrentamento de desastres naturais.
“Temos Serra Geral, litoral, cidades com muitos rios e cidades sem rios. Essa troca de conhecimento é muito importante porque uma cidade pode ajudar a outra quando necessário”.
Tecnologia amplia capacidade de monitoramento
Nos últimos anos, a Defesa Civil estadual ampliou significativamente os investimentos em estrutura e tecnologia para os municípios catarinenses.
De acordo com Higor, todos os municípios da AMESC receberam veículos 4×4 e drones de alta tecnologia para auxiliar no monitoramento e avaliação de áreas de risco.
“Cada município recebeu uma viatura 4×4 e um drone de alta tecnologia. Esses equipamentos são utilizados para mapeamento, estudos e análises de ocorrências”.
O coordenador destacou que os drones permitem acessar locais de difícil alcance e fornecer imagens importantes para a tomada de decisões. “Uma área de risco que a equipe não consegue acessar, o drone consegue ir lá, fazer as imagens e trazer para análise”.
Para ele, nunca houve um volume tão grande de investimentos na área. “Nunca vimos tanto investimento em Defesa Civil como estamos vendo neste último ano”.
Simulado estadual testou capacidade dos municípios
Outro ponto enfatizado foi a participação dos municípios no grande simulado estadual realizado em março.
A ação ocorreu simultaneamente em todo o estado e mobilizou equipes das Defesas Civis, secretarias municipais e órgãos de segurança.
“Foi acionado um alerta geral e todos os municípios tomaram suas ações. Foram simuladas aberturas de abrigos, transporte de pessoas e atendimento a um evento de grande porte”.
Segundo Higor, a iniciativa permitiu identificar pontos que precisam ser aprimorados. “O simulado mostrou onde os municípios estavam errando e onde precisavam melhorar. Isso vai gerar resultados muito importantes para futuros eventos”.
Trabalho integrado garante atendimento à população
O coordenador destacou que a atuação em situações de desastre envolve diversos setores da administração pública.
Os chamados Grupos de Ações Coordenadas (GRACs) definem previamente as responsabilidades de cada órgão. “Se acontece uma enchente e 60 casas são afetadas, a assistência social atende as famílias, a saúde presta atendimento médico, a educação ajuda na organização dos abrigos e os bombeiros fazem o resgate”.
Ele reforçou que a Defesa Civil atua principalmente na coordenação das ações. “Quem faz o atendimento direto em ocorrências como deslizamentos ou resgates ainda é o Corpo de Bombeiros. A Defesa Civil trabalha na coordenação de toda a resposta”.
Assoreamento dos rios segue como grande desafio regional
Apesar dos avanços, Higor apontou que a região ainda enfrenta problemas estruturais importantes relacionados ao assoreamento dos rios.
Entre as principais preocupações estão a Barra do Rio Araranguá, o Rio Mampituba e os rios que cortam municípios da região serrana. “A limpeza da Barra de Araranguá é uma luta constante para conseguirmos as autorizações ambientais. Isso reduziria muito o risco de enchentes na região da Barranca”.
Segundo ele, rios de municípios como Jacinto Machado, Timbé do Sul, Morro Grande e Praia Grande também sofrem com o acúmulo de sedimentos. “Essas são algumas das grandes dificuldades que ainda enfrentamos na Defesa Civil”.
Educação e conscientização começam nas escolas
Uma das apostas para reduzir riscos no futuro está na formação das novas gerações.
Atualmente, a maioria das escolas estaduais e boa parte das redes municipais da região já participam do programa Defesa Civil na Escola. “Hoje acredito que entre 70% e 80% das escolas municipais e todas as estaduais estejam participando”.
O objetivo é conscientizar crianças e adolescentes sobre prevenção de riscos ambientais e cidadania. “Estamos trabalhando com alunos do quarto e quinto ano para que, no futuro, tenhamos uma população ainda mais consciente”.
População também tem papel fundamental
Higor reforçou que a prevenção não depende apenas dos órgãos públicos. Segundo ele, atitudes simples da população podem evitar diversos transtornos durante períodos de chuva intensa.
“O alagamento começa na boca de lobo em frente à sua casa. Se ela estiver limpa e sem lixo, muitos problemas podem ser evitados”.
Durante as ações de limpeza realizadas nos rios da região, são encontrados frequentemente pneus, móveis, madeira e outros resíduos descartados irregularmente.
“A gente vê sofá, pneu e muita sujeira. Não dá para acreditar que ainda existam pessoas jogando esse tipo de material em rios e encostas”.
O coordenador também orientou os moradores a manterem atualizado o cadastro para recebimento dos alertas da Defesa Civil e a acionarem os órgãos competentes sempre que identificarem situações de risco.
Região segue em alerta e preparada
Ao encerrar a entrevista, Higor destacou que os municípios da AMESC permanecem alinhados em uma estratégia permanente de prevenção, mitigação e conscientização.
“Estamos trabalhando sempre na mesma linha de prevenção, mitigação dos riscos e conscientização da população. Esse é o caminho para reduzirmos os impactos dos eventos climáticos e garantirmos mais segurança para todos”, concluiu.









