Educação Projeto do IFSC Araranguá conquista reconhecimento nacional na Olimpíada Brasileira de Sociologia

Projeto do IFSC Araranguá conquista reconhecimento nacional na Olimpíada Brasileira de Sociologia

09/07/2026 - 09h19

Um projeto desenvolvido por estudantes e professores do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Câmpus Araranguá colocou o município em destaque nacional. A iniciativa “Integra Meninas” conquistou menção honrosa na primeira Olimpíada Brasileira de Sociologia (OBS) e garantiu aos integrantes bolsas de Iniciação Científica Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em entrevista à Rádio Araranguá, o professor de Sociologia Rodrigo Lima e os estudantes Amábily Sofia Pereira, João Pedro Burin Pinto e Penélope Schlickmann Borges compartilharam detalhes da trajetória que levou a equipe ao reconhecimento nacional.

Segundo Rodrigo Lima, a conquista ganha ainda mais relevância por ter ocorrido na primeira edição da competição, promovida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Inicialmente eram 4.437 equipes, mais de 13.300 estudantes de todo o Brasil e mais de 900 escolas participando. Conseguimos ficar entre as 20 primeiras equipes do país, o que nos garantiu a participação na etapa presencial no Rio de Janeiro. É um resultado espetacular”, destacou.

A fase final foi realizada no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, reunindo equipes de diversas regiões do país.

Educação pública em evidência

Para o professor, o resultado demonstra a qualidade do ensino desenvolvido no IFSC e o comprometimento dos estudantes. “É um resultado excepcional para a gente. Mostra que estamos no caminho certo. A educação pública oferta uma formação realmente de muita qualidade. Eu, como orientador, dou o caminho, mas os grandes protagonistas são os estudantes”, afirmou.

Rodrigo ressaltou que chegar à final exigiu superar etapas altamente competitivas. Entre as 40 equipes classificadas por região, apenas quatro de cada região do Brasil avançaram para a fase decisiva.

“É um nível de exigência muito alto. Conseguimos chegar entre os melhores do país e isso mostra o potencial dos nossos alunos e do trabalho desenvolvido aqui no campus.”

Integra Meninas: proposta para transformar realidades

O projeto premiado nasceu da observação de uma realidade próxima ao IFSC Araranguá: a comunidade da UCCA, localizada ao lado da instituição.

A estudante Amábily Sofia Pereira explicou que a proposta buscou aproximar adolescentes da comunidade da estrutura educacional oferecida pelo instituto.

“A gente viu que a comunidade ficava muito perto da nossa escola e tivemos a ideia de relacionar essa comunidade com o IFSC para que as meninas consigam ter acesso à educação que podemos disponibilizar”, relatou.

O trabalho foi construído de forma coletiva pelos estudantes, com orientação do professor Rodrigo Lima. “Foi um trabalho em equipe. A gente foi pensando junto, trazendo ideias e construindo tudo coletivamente”, acrescentou.

Combate à violência de gênero

A proposta apresentada na Olimpíada consistiu na elaboração de uma carta-petição e de um projeto de lei voltado para adolescentes entre 12 e 18 anos, com foco no combate à violência de gênero e na inclusão social.

Rodrigo Lima explicou que a escolha do tema partiu da necessidade de enfrentar um problema presente em todo o país. “A gente entende que a violência de gênero é um problema nacional e muito grave. Santa Catarina, infelizmente, está entre os estados com indicadores preocupantes. Precisávamos dar uma resposta educacional para essa realidade.”

A estudante Penélope Schlickmann Borges destacou que a proposta não chegou a ser implementada na prática porque o regulamento da Olimpíada previa a elaboração de um projeto hipotético, voltado à realidade local de cada equipe.

“A proposta era criar uma carta-petição que pudesse dar origem a um projeto de lei. A gente pensou em possibilidades para melhorar a nossa comunidade e mostrar as necessidades da nossa cidade, mas também sua capacidade de enfrentar esses desafios”.

O projeto chegou a ser apresentado na Câmara de Vereadores de Araranguá, ampliando sua repercussão para além do ambiente escolar.

Aprendizado além da sala de aula

Durante a competição, os estudantes enfrentaram desafios que foram muito além das tradicionais avaliações escolares. Entre as tarefas estavam questionários, produção de vídeos, desenvolvimento de um jogo educativo e a elaboração da proposta legislativa.

Para João Pedro Burin Pinto, a experiência exigiu criatividade e superação. “Todo mundo teve que sair bastante da zona de conforto. Quando a gente pensa em uma competição nacional, fica assustado. Mas fomos confiando e dando o nosso melhor. Conhecer pessoas de diferentes lugares do país foi uma das experiências mais enriquecedoras”.

Penélope destacou a importância do trabalho em equipe. “A gente teve pouco tempo para desenvolver muitas coisas. Produzimos materiais, criamos um jogo de tabuleiro e utilizamos conhecimentos de várias áreas. Tudo isso só foi possível pela sincronia que tínhamos como grupo”.

Já Amábily ressaltou que cada etapa representou uma oportunidade de aprendizado. “Eu aprendi uma coisa nova em cada fase. Nunca tinha criado um jogo, por exemplo. Tivemos que pensar em toda a mecânica, testar, corrigir e aprender fazendo. Foi uma experiência incrível”.

Reconhecimento e novos desafios

Além da menção honrosa, os estudantes foram contemplados com bolsas de Iniciação Científica Júnior do CNPq, que serão utilizadas para ações ligadas à própria Olimpíada Brasileira de Sociologia.

Segundo Rodrigo Lima, os bolsistas atuarão na divulgação da competição e no incentivo à participação de novos estudantes. “Provavelmente vamos circular por outras escolas, compartilhar a nossa experiência e estimular mais jovens a participarem. Esse processo não termina aqui”.

O professor destacou ainda que o IFSC já acumula resultados expressivos em outras competições acadêmicas, reforçando uma cultura de participação em olimpíadas do conhecimento.

Orgulho para Araranguá

Ao final da entrevista, Rodrigo Lima classificou a conquista como um dos momentos mais marcantes de sua trajetória profissional. “Estar entre as 20 melhores equipes do país realmente dá aquele impacto. Mostra que estamos no caminho certo. Mesmo estando no interior, conseguimos competir de igual para igual com equipes de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro”, concluiu.