Brambila comenta investigação sobre nepotismo em Maracajá, fala do concurso público e defende financiamento para nova creche
A proposta que prevê a concessão de auxílio-alimentação e auxílio-saúde para agentes políticos de Maracajá foi abordada no início da entrevista concedida pelo prefeito Aníbal Brambila à Rádio Araranguá. O projeto, que tramita na Câmara de Vereadores, também reacendeu discussões sobre o pagamento de décimo terceiro salário para ocupantes de cargos políticos.
Questionado sobre o assunto, Brambila afirmou que a iniciativa não partiu do Poder Executivo. “Eu soube que eles estão ali fazendo na Câmara, mas não é coisa do Executivo, é da Câmara. Eu tenho muitos problemas para resolver na prefeitura, isso é um problema lá da Câmara de Vereadores”, declarou.
O prefeito também esclareceu que o décimo terceiro salário já é um benefício garantido aos chefes do Executivo. “Andaram falando também sobre décimo terceiro, só que prefeito já tem o décimo terceiro. Prefeito e vice já ganham décimo terceiro. Os vereadores é um pedido deles, aí eles que se acertam entre eles”, afirmou.
Brambila ressaltou que respeita a autonomia do Legislativo e que não pretende interferir na decisão dos parlamentares. “Não cabe a mim interferir. Eu também não quero que se metam no Executivo e respeito a independência deles”.
Segundo o prefeito, caberá aos vereadores decidir se aprovam ou não a proposta. “Vai depender deles. Se estão de acordo, que se acertem entre eles. Não cabe a mim interferir”.
Financiamento busca ampliar estrutura da educação
Na oportunidade, o prefeito também falou sobre o pedido de autorização aprovado pela Câmara de Vereadores que tem como principal objetivo viabilizar a construção de uma nova creche no bairro São Cristóvão, região que, segundo ele, enfrenta uma demanda crescente por vagas.
De acordo com o prefeito, a atual creche do município está superlotada e a comunidade do bairro reivindica melhorias há cerca de duas décadas. “A nossa creche está superlotada, e faz 20 anos que o pessoal do bairro São Cristóvão está pedindo melhorias. Ali nós já temos um colégio que vai ficar pronto no fim do ano e vamos fazer também uma creche”, afirmou.
O chefe do Executivo explicou que o recurso está vinculado a uma linha de financiamento federal voltada exclusivamente para investimentos em educação, com juros reduzidos e período de carência.
Segundo ele, embora a autorização seja de R$ 15 milhões, o município somente receberá os valores necessários para a execução da obra, conforme o andamento dos trabalhos e os resultados da licitação. “Não quer dizer que eu vou gastar R$ 15 milhões. Pode gastar R$ 10 milhões, pode gastar R$ 12 milhões. O governo vai liberar conforme o valor exato da obra”.
Brambila também rebateu críticas sobre o endividamento do município e destacou que financiamentos são ferramentas comuns na administração pública. “Se o município for esperar ter todo esse dinheiro guardado para construir, vai demorar muito. Todos os municípios têm esses financiamentos. Quando é bom para o povo, é bom para o município.”
Antiga prefeitura deve se transformar em unidade de saúde
Outro tema abordado foi o projeto de reforma do antigo prédio da prefeitura municipal, que deverá abrigar uma nova unidade de saúde.
Segundo o prefeito, a fachada histórica será preservada e o imóvel passará por adequações para atender às exigências da área da saúde. “A fachada vai ser mantida, vai ser reformada e pintada. A sala do prefeito também não vai ser mexida. Vamos deixar tudo arrumadinho”.
Brambila acredita que a instalação da unidade no centro da cidade também contribuirá para movimentar o comércio local. “Um departamento de saúde movimenta pessoas. Para o comércio do centro é muito melhor porque as pessoas vêm para consulta e acabam consumindo no comércio local”.
A expectativa do governo municipal é concluir o projeto arquitetônico nos próximos meses e iniciar o processo licitatório ainda antes do período eleitoral. “O investimento estimado para a adaptação do prédio varia entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões”, disse.
Prefeitura cumprirá recomendações do Ministério Público
Questionado sobre a recomendação do Ministério Público referente a possíveis situações de nepotismo na administração municipal, Brambila afirmou que o município seguirá integralmente as orientações recebidas.
O prefeito explicou que um dos casos envolve um secretário municipal concursado e familiares ligados a ele. “Primeiro, nós vamos atender o que o Ministério Público pediu, sem dúvida. Se tiver que tirar, se tira”.
Segundo o gestor, uma servidora efetiva retornará às suas funções de origem e outros dois casos apontados pelo Ministério Público serão revistos. “O jurídico segue o que o Ministério Público está pedindo. Não tem problema nenhum”.
Brambila também defendeu que não houve prejuízo aos cofres públicos. “Eu quero dizer que do cofre público não saiu nem um centavo a mais. Ao contrário, saiu a menos”.
Concurso público segue sob investigação
Outro assunto tratado foi a investigação conduzida pelo Ministério Público e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) envolvendo a empresa responsável pela realização de concurso público no município.
O prefeito afirmou que o caso está sendo acompanhado pelos advogados da prefeitura e ressaltou que não participou do processo licitatório. “Eu não conheço a pessoa que ganhou isso aí. A empresa foi contratada por licitação e eu não entro quase na sala da licitação”.
Brambila destacou ainda que a investigação teve origem em problemas registrados pela empresa em outros estados e que os órgãos competentes estão verificando todos os contratos firmados pela organizadora. “Estamos esperando o que a Justiça vai decidir. O que eles mandarem, nós vamos fazer”.
Até o momento, segundo o prefeito, não houve qualquer determinação que altere a situação dos servidores aprovados pelo concurso.
Falta de mão de obra preocupa administração
Ao final da entrevista, o prefeito chamou atenção para a dificuldade enfrentada pelos municípios na contratação de profissionais, especialmente nas áreas da educação e da saúde.
“Muitos candidatos aprovados em concursos acabam deixando seus cargos quando surgem oportunidades mais próximas de suas cidades de origem. Hoje nós temos um problema muito sério de funcionário. Você chama e não tem”.
Ele também criticou o atual sistema de substituição de professores afastados por licença médica, apontando prejuízos para a continuidade do trabalho nas escolas. “Às vezes você contrata um professor por 60 dias. Quando ele está adaptado, o titular volta e ele sai. Depois surge outro afastamento e o processo recomeça”.
Obras e novos investimentos seguem no planejamento
Encerrando a entrevista, Brambila afirmou que a administração municipal mantém um cronograma de obras em diversas regiões da cidade.
Entre os projetos anunciados estão melhorias viárias no bairro Sangão Madalena e a continuidade do programa Estrada Boa Rural. “Temos bastante obra. O nosso trabalho continua e vamos seguir buscando melhorias para o povo de Maracajá”, concluiu o prefeito.









