Geral À espera da Justiça: mãe de Jeff Machado acompanha julgamento de primeiro acusado pela morte do filho

À espera da Justiça: mãe de Jeff Machado acompanha julgamento de primeiro acusado pela morte do filho

08/07/2026 - 10h32

Mais de três anos após o assassinato do ator araranguaense Jeff Machado, a família volta a viver dias de forte emoção com o início do julgamento de um dos acusados pelo crime que chocou o Brasil. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, Maria das Dores Machado, conhecida como Tia Dores, falou sobre a expectativa para o julgamento de Jeander Vinicius da Silva Braga, apontado pelo Ministério Público como um dos envolvidos na morte do ator.

Acompanhada pela solidariedade de familiares, amigos e da comunidade araranguaense, Tia Dores afirmou que o momento representa mais um capítulo de uma luta marcada pela dor, pela busca por respostas e pela esperança de que a Justiça seja feita.

“Agora chegou o momento esperado, que é o julgamento desses… a palavra é difícil, forte, mas são assassinos. Assassinos do meu filho”, declarou.

Jeff Machado desapareceu em janeiro de 2023. Após meses de buscas, seu corpo foi encontrado enterrado e concretado dentro de um baú, em uma casa na zona oeste do Rio de Janeiro. O caso ganhou repercussão nacional pela crueldade do crime e pelas circunstâncias que envolveram o desaparecimento do ator.

Crime planejado

Durante a entrevista, Tia Dores relembrou detalhes da investigação e afirmou acreditar que o assassinato foi cuidadosamente planejado pelos acusados.

Segundo ela, Jeander teria participado diretamente da preparação do local onde o corpo seria ocultado. “Esse Jeander apareceu no momento exato de tudo acontecer. Ele fez o buraco, ajudou a enterrar, concretou, porque ele é pedreiro. Tudo foi muito premeditado”, afirmou.

Ela relatou que os investigados teriam alugado uma casa em Campo Grande, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, onde prepararam uma cova meses antes da execução do crime.

“Antes do Natal já tinham feito um buraco de dois metros e deixaram tudo pronto. Já tinham planejado o que iam fazer. Isso é o que mais dói”, disse.

A mãe do ator também voltou a citar o nome de Bruno de Souza Rodrigues, outro réu no processo, apontado pela investigação como mentor do crime.

Segundo ela, Jeff acreditava nas promessas feitas por Bruno, que dizia ter influência para ajudá-lo a conquistar espaço em produções da televisão. “Tudo mentira. O Jefferson acreditava que estava investindo na carreira. Eles enganaram meu filho durante anos”, lamentou.

A dor da espera

Tia Dores relembrou os quatro meses em que a família procurou por Jeff sem saber o que havia acontecido.

Ela contou que, mesmo diante das dificuldades, nunca perdeu a esperança de encontrá-lo com vida. “Quando não tem o corpo e quando não há o sepultamento, a história não termina. Eu procurava em hospitais, clínicas, até na Cracolândia. Tudo era possível para uma mãe que queria encontrar o filho”, relatou.

Apesar da tragédia, ela diz encontrar algum conforto por ter conseguido dar ao filho uma despedida digna. “Eu sou grata porque encontrei meu filho. Claro que morto, mas encontrei. Eu pude sepultar meu filho, fazer uma missa, prestar a última homenagem”, afirmou emocionada.

Expectativa para o julgamento

Acompanhada do filho Diego Machado e do advogado da família, Tia Dores viajará para acompanhar o julgamento e prestar depoimento.

Ela admite que os últimos dias têm sido marcados por ansiedade e noites mal dormidas. “Eu faço as coisas tremendo. Eu acordo à noite pensando no que vou falar. Quero que Deus me dê as palavras certas para que esse julgamento seja perfeito”, disse.

Questionada sobre o que espera da decisão dos jurados, a resposta foi direta: “O que eu quero é a pena máxima. Não é questão de ódio nem de vingança. É uma questão de justiça”.

Segundo ela, as provas reunidas ao longo da investigação são contundentes. “As provas são robustas. Está tudo fotografado, filmado, documentado. Eu confio na Justiça”, afirmou.

Uma dor que nunca passa

Ao longo da entrevista, Tia Dores também recordou outras perdas enfrentadas ao longo da vida, incluindo a morte de um filho em um acidente de trânsito anos atrás.

Mesmo acostumada a enfrentar adversidades, ela reconhece que a morte de Jeff deixou marcas profundas. “Depois do Jefferson foi para demolir mesmo. Foram quatro meses de espera, de oração, de sofrimento e de choro. Eu vivia rezando, acendendo velas e pedindo notícias dele”.

A mãe do ator fez questão de agradecer o apoio recebido da população de Araranguá durante todo o processo. “Eu precisava dividir esse momento com vocês. Agradeço pelo carinho da Rádio Araranguá e de toda a comunidade que sempre esteve ao meu lado”.

Busca por justiça

Embora reconheça que nenhuma sentença será capaz de reparar a perda do filho, Tia Dores acredita que a responsabilização dos acusados pode trazer algum conforto à família. “Não vai trazer o Jefferson de volta, mas pode trazer um alento. Que as pessoas que cometeram esse crime brutal sejam punidas”.

Enquanto aguarda o desfecho de mais uma etapa do processo, ela mantém a fé que a acompanhou desde os primeiros dias do desaparecimento do ator. “Eu confio na força da oração e na Justiça. O que eu espero é que a verdade prevaleça e que meu filho tenha a justiça que merece”.