Eleições 2026 Candidata Morgana Daniel defende desburocratização do SUS e mudanças na segurança pública durante entrevista na Rádio Araranguá

Candidata Morgana Daniel defende desburocratização do SUS e mudanças na segurança pública durante entrevista na Rádio Araranguá

18/09/2026 - 11h18

Dando sequência à série de entrevistas com candidatos nas Eleições 2026, a Rádio Araranguá recebeu Morgana Daniel, candidata a deputada federal pelo partido Novo. Entrevistada pelo jornalista Lucas Casagrande, Morgana falou sobre sua trajetória, as demandas que tem ouvido durante a campanha e as principais propostas que pretende defender caso conquiste uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Entre os temas abordados estiveram saúde pública, segurança, representatividade regional, infraestrutura e o cenário político nacional.

Candidatura surgiu da atuação no jornalismo

Morgana Daniel destacou que a campanha tem sido marcada pelo contato direto com os eleitores e afirmou que a experiência de percorrer os municípios da região tem reforçado sua decisão de disputar uma vaga no Congresso Nacional.

Segundo ela, a experiência profissional como jornalista também influenciou sua entrada na política. Morgana afirmou que o jornalismo permite identificar e levar ao debate os problemas da sociedade, mas que, em sua avaliação, a solução de muitas dessas questões depende da atuação política.

“Nós sabemos que é muito importante ouvir muito mais do que falar. O jornalismo traz as pautas, debate as situações sociais, e nós temos como instinto profissional e pessoal, já enquanto jornalista, de ajudar as pessoas.”

Na sequência, explicou o que a motivou a entrar na disputa eleitoral: “Mas, infelizmente, o que resolve a vida das pessoas não é o jornalismo. E isso acabou me frustrando um pouco, e fazendo também com que eu decidisse ser candidata. Mas, de fato, é a política que resolve.”

Saúde pública é apontada como uma das prioridades

A saúde foi apresentada por Morgana como uma das principais pautas de sua candidatura. Ela relatou ter ouvido reclamações de moradores da região sobre a demora para consultas, exames e retornos médicos.

A candidata afirmou que considera preocupante que a população ainda enfrente longas esperas pelo atendimento no SUS. “É lamentável que em 2026 nós estejamos discutindo fila do SUS. Isso era um problema que já era para ter resolvido no nosso país há muito tempo.”

Como proposta, Morgana defendeu a chamada desburocratização do Sistema Único de Saúde. Ela criticou o que classificou como um “jogo de empurra” entre municípios, Estados e União quando surgem problemas na prestação dos serviços. “Então nós precisamos desburocratizar o SUS, que é um sistema muito bom, porém é burocrático.”

Sistema digital para acompanhamento de consultas e exames

Questionada pelo jornalista Lucas Casagrande sobre como essa desburocratização poderia ocorrer na prática, Morgana defendeu mudanças na regulação e na legislação do SUS, além de maior transparência.

Uma das propostas apresentadas foi a criação ou aperfeiçoamento de mecanismos digitais que permitam ao cidadão acompanhar o andamento de consultas, exames e tratamentos.

“As pessoas consigam, por esse sistema digital, acompanhar o andamento dos seus processos de consulta, de tratamento, de exames, mas não somente isso, mudar a regulação, mudar a própria legislação que regulamenta o SUS.”

Morgana reconheceu que a definição de mudanças técnicas precisa contar com a participação de especialistas, mas defendeu que a discussão seja conduzida em âmbito federal. “Se a regra nasce lá, é lá que nós temos que mudar.”

A candidata também afirmou que parlamentares deveriam utilizar os serviços públicos para conhecer diretamente as dificuldades enfrentadas pela população. “Se os parlamentares fossem obrigados, ou se os políticos fossem obrigados a usar o Sistema Único de Saúde e também a rede pública de educação, eu duvido que seria do jeito que é.”

Morgana afirmou ainda que estudou na rede pública durante a educação básica e declarou ser usuária do SUS.

Críticas ao STF e posicionamento no cenário nacional

Durante a entrevista, Morgana também foi questionada sobre a influência da polarização nacional na disputa proporcional e sobre os acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal.

A candidata fez críticas à atuação da Corte e afirmou considerar que, em sua avaliação, ministros do STF estariam ultrapassando suas competências. “Eu sou bacharel em Direito, então eu posso dizer que é uma vergonha o que o STF está fazendo com o nosso Brasil.”

Morgana também defendeu que os eleitores pesquisem o histórico dos candidatos antes de votar e afirmou que a escolha não deveria ser determinada apenas pelas pesquisas eleitorais.

“Nós precisamos votar de maneira consciente. Não existe perder voto quando o seu voto, caro ouvinte, é consciente.”

Ao falar sobre a disputa presidencial, Morgana declarou publicamente seu apoio à candidatura de Romeu Zema, do Novo, dizendo: “O meu voto é Zema, o meu voto é 30, eu acho mais preparado, não acho, eu tenho convicção, que o mais preparado para o nosso país é o presidente Zema.”

A declaração representa o posicionamento político da candidata dentro da disputa presidencial.

Defesa de maior representação do Extremo Sul em Brasília

Outro ponto central da entrevista foi a representatividade política do Extremo Sul catarinense. Morgana afirmou que a região é sub-representada politicamente e defendeu a eleição de parlamentares que tenham proximidade com os problemas locais.

Ela citou demandas relacionadas à infraestrutura, à UFSC em Araranguá, à Serra da Rocinha, à BR-285 e à abertura da barra como exemplos de pautas que, segundo ela, ainda necessitam de maior atenção federal.

“Nós somos uma região sub-representada. Nós precisamos entender que a nossa região precisa de uma representatividade em Brasília para lutar pelas nossas pautas, para bater nas portas certas e defender aquilo que de fato nós precisamos.”

Morgana também relacionou a falta de investimentos à dificuldade histórica de desenvolvimento econômico do Extremo Sul. “Nós não podemos continuar sendo essa região subdesenvolvida que não acompanha o restante do Estado.”

Ela defendeu que um parlamentar da região tenha presença constante junto à população para identificar as demandas e levá-las ao Congresso Nacional. “Muito mais do que lutar, precisa ouvir as pessoas, estar próximo às pessoas, viver o problema junto das pessoas, para que lá em Brasília defenda aquilo que é importante para a nossa região.”

Segurança pública e defesa da permanência de reincidentes na prisão

A segurança pública também foi apontada como uma das principais bandeiras da candidatura. Ao responder sobre furtos recorrentes, especialmente de fios, botijões de gás e estabelecimentos comerciais, Morgana defendeu alterações na legislação penal e processual penal.

A candidata utilizou a expressão “bandido bom é bandido preso” para resumir sua posição e defendeu que pessoas reincidentes permaneçam presas quando houver comprovação de sua participação no crime. “Bandido bom é bandido preso. Que cumpra com a pena para o crime ou a infração que cometeu.”

Segundo Morgana, uma das medidas que pretende discutir em Brasília é a revisão do Código de Processo Penal para aumentar as possibilidades de manutenção da prisão de reincidentes.

“A nossa legislação, o Código de Processo Penal, ele precisa ser revisto com uma força política forte e que de fato proponha que, com essa reforma do Código de Processo Penal, o bandido que já é reincidente, ele permaneça preso.”

Ela também relacionou o debate sobre segurança aos casos de violência contra a mulher e feminicídio. “Segurança é uma das minhas principais pautas, saúde e segurança são as duas principais.”

“Nova voz do Sul”

Ao encerrar a entrevista, Morgana Daniel reforçou a proposta de renovação política e vinculou sua candidatura à ideia de ampliar a representação do Extremo Sul catarinense.

Ela também destacou sua relação anterior com a Rádio Araranguá e atribuiu à comunicação um papel importante na sociedade. “Eu tenho um imenso carinho pela Rádio Araranguá, pois já trabalhei aqui. Acho que a comunicação é o meio mais importante e nós podemos, através da comunicação, salvar vidas e salvar o mundo.”

Na reta final da entrevista, a candidata resumiu a motivação para disputar a eleição: “Eu decidi sair da indignação para a ação.”

Como funcionam as entrevistas da Rádio Araranguá

A entrevista com Morgana Daniel integra a série de entrevistas da Rádio Araranguá com candidatos nas Eleições 2026. A emissora estabeleceu critérios objetivos, previamente definidos e aplicados de maneira uniforme aos candidatos que disputam o mesmo cargo.

As entrevistas são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 8h e 12h, com 20 minutos de duração, no estúdio da Rádio Araranguá. A participação é previamente agendada e está condicionada à disponibilidade da agenda da emissora.

Os candidatos ao mesmo cargo têm a mesma oportunidade de participação, respeitando o limite de dois candidatos por partido ou federação.

O formato é padronizado, com o mesmo tempo de duração e critérios de condução. As entrevistas são realizadas por dois comunicadores da emissora e transmitidas ao vivo, sem edição.

Eventuais manifestações de ouvintes durante as transmissões ao vivo não são utilizadas como critério para favorecer ou prejudicar candidatos, e a emissora não toma essas manifestações como parte da condução das entrevistas, em observância às regras estabelecidas para a cobertura eleitoral.

O candidato que confirmar e não participar no dia e horário agendados perderá aquela oportunidade, sem garantia de remarcação. Eventuais ausências comunicadas previamente serão avaliadas conforme a disponibilidade da agenda e a necessidade de preservar a igualdade de condições.

Os critérios foram estabelecidos com base na legislação eleitoral e na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), observando os princípios da isonomia, imparcialidade, impessoalidade e igualdade de oportunidades.

A Rádio Araranguá dará continuidade à série de entrevistas com os demais candidatos, mantendo os mesmos critérios para os concorrentes ao mesmo cargo.