Geral A falta de atendimento psicológico e a violência nas escolas

A falta de atendimento psicológico e a violência nas escolas

07/07/2023 - 13h32

Recentemente tomamos conhecimento pela imprensa de que o município de Criciúma possui mais de cinco mil pessoas na fila para o atendimento por um psicólogo. Esta realidade do município vizinho parece ser bastante semelhante à situação vivida por diversos outros municípios da região e do país.

Mas como isto se relaciona com a violência nas escolas e as ações necessárias para o seu enfrentamento?

O relacionamento é direto! Temos observado com bastante perplexidade os reiterados ataques às instituições de ensino, muito deles motivados por questões relacionadas à saúde mental dos agressores. Estes problemas, que levam a uma ação tão extrema, têm sua origem, muitas vezes, nas próprias relações sociais, nas interações com outros indivíduos e no convívio em sociedade, quer seja dentro ou fora da escola. Abusos de toda ordem são praticados há séculos nestes relacionamentos cotidianos, porém nunca antes eles foram tão citados como os grandes responsáveis por transtornos sérios que levam a atos tão brutais.

Este fenômeno, como se percebe, é extremamente complexo e envolve múltiplas dimensões. Por óbvio que é papel da sociedade – e portanto da escola – procurar contribuir com a sua identificação, inclusive encaminhando as pessoas envolvidas ou afetadas para o atendimento por profissionais especializados, de forma precoce, de modo que uma questão pontual não venha a se tornar algo crônico e grave, a ponto de mudar a vida da pessoa para sempre. Ou o que é pior, vir a ser o estopim a desencadear uma reação tão extremada quanto um ataque a uma instituição de ensino.

Sabe-se, portanto, que o enfrentamento do problema depende da prevenção, que por sua vez é feita mediante a identificação e o tratamento de suas causas. Mas como tratar estas causas precocemente se o atendimento psicológico, uma das ferramentas mais importantes para este enfrentamento, não está disponível em quantidade – e qualidade – adequadas para endereçar este problema?

Some-se a isto ainda o preconceito envolvido neste tipo de atendimento.

Assim, para que possamos tomar providências sérias e definitivas em relação à violência praticada contra escolas, que tem preocupado mais e mais a nossa população, é necessário enfrentar o problema de forma coerente e honesta, reconhecendo que a infraestrutura colocada à disposição da sociedade para esta solução tem sido insuficiente: faltam policiais, falta tecnologia e faltam psicólogos.