“Agora é monitorar, participar e cobrar”, diz presidente da Aciva, após reunião com secretário de Estado da Saúde, que discutiu o futuro da gestão do HRA
Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o presidente da Associação Empresarial do Vale do Araranguá (Aciva), Jadiel Boza Della Vechia, e o presidente da Associação Beneficente Hospital Regional de Araranguá, Roberto Rebello, detalharam os principais encaminhamentos da reunião realizada com o secretário de Estado da Saúde, Diogo de Marchi.
O encontro reuniu representantes de um amplo comitê formado por mais de 25 entidades da sociedade civil organizada da região, com o objetivo de discutir o futuro da gestão do hospital diante do processo de licitação em andamento.
Mobilização regional e preocupação com a gestão
Segundo Jadiel, a iniciativa partiu das discussões internas do comitê, que reúne instituições como OAB, sindicatos, forças de segurança, universidades e entidades empresariais. “O grupo tem se reunido mensalmente para debater demandas regionais e, recentemente, concentrou esforços na situação do hospital. A principal preocupação foi o edital em aberto e o histórico da instituição. A gente não queria apenas apontar problemas, mas propor soluções concretas”, destacou.
“A partir disso, foi elaborado um documento entregue diretamente ao secretário, contendo sugestões práticas. Entre elas, a criação de um canal direto com a futura gestão e a participação das entidades no processo de transição administrativa”, acrescentou.
Participação na transição e canal direto com a gestão
Um dos principais resultados da reunião foi o compromisso do secretário em garantir a participação do comitê no processo de transição, independentemente da empresa vencedora da licitação. “Ele nos assegurou que, assim que definida a empresa, o comitê será chamado para uma reunião de alinhamento. Isso já é uma conquista importante”, afirmou Jadiel.
A estratégia adotada pelas entidades foi evitar discussões sobre o passado ou sobre o edital em si, focando em garantir qualidade e transparência na gestão futura. “A ideia não é defender A ou B, mas garantir que o hospital continue evoluindo e não retroceda”, completou.
Fiscalização e acompanhamento contínuo
Roberto Rebello reforçou que o papel das entidades será de acompanhamento e fiscalização permanente, especialmente diante das mudanças previstas no novo modelo de gestão. “O novo edital traz alterações importantes, como investimentos, mudanças no pronto-socorro e novos processos. Precisamos entender e acompanhar tudo isso na prática”, explicou.
Ele destacou ainda que a associação hospitalar continuará atuando como elo entre a comunidade e o Estado, mesmo sem poder deliberativo. “Teremos um canal direto para apontar problemas e cobrar soluções. Isso fortalece a transparência”, afirmou.
Histórico preocupa e motiva atuação
A mobilização das entidades também é motivada por experiências anteriores consideradas negativas na gestão do hospital. Problemas como atrasos salariais, falhas administrativas e denúncias marcaram períodos passados. “A região já sofreu muito com gestões problemáticas. Não queremos reviver isso. A evolução recente é visível e precisa ser preservada”, ressaltou Rebello.
Atualmente, o hospital conta com cerca de 850 colaboradores, muitos dos quais demonstram apreensão em relação ao futuro da gestão.
Expectativa por investimentos e melhorias
Durante a reunião, também foi mencionada a previsão de investimentos de aproximadamente R$ 15 milhões na estrutura física do hospital, incluindo ampliação de leitos e serviços.
Para as entidades, o foco agora será garantir que essas promessas se concretizem. “No papel é bonito, mas precisamos ver isso acontecer na prática. E vamos cobrar”, enfatizou Rebello.
Próximos passos
O processo licitatório deve avançar nos próximos dias, com a divulgação da empresa vencedora e possíveis etapas jurídicas e burocráticas. Enquanto isso, o comitê seguirá acompanhando de perto cada etapa. “Agora é monitorar, participar e cobrar. Nosso objetivo é que o hospital só avance, nunca retroceda”, concluiu Jadiel.











