Política Alesc autoriza afastamento de Jorginho Mello para campanha eleitoral

Alesc autoriza afastamento de Jorginho Mello para campanha eleitoral

27/08/2026 - 10h46

Os deputados da Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovaram, em sessão extraordinária realizada nesta quarta-feira (26), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 2/2026, que autoriza o governador Jorginho Mello a se licenciar do cargo entre 29 de agosto e 5 de outubro. O afastamento será em caráter particular e sem ônus para o Estado.

Durante o período, a vice-governadora Marilisa Boehm ficará à frente do Governo de Santa Catarina. Para o analista político da Rádio Araranguá, Upiara Boschi, a licença permitirá que Jorginho Mello concentre esforços na campanha pela reeleição.

“A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o Projeto de Decreto Legislativo, que autoriza o governador Jorginho Mello a se licenciar entre os dias 29 de agosto e dia 5 de outubro, que é o seguinte ao primeiro turno das eleições em todo o país. O governador já tinha antecipado, há alguns dias, que faria esse gesto de se licenciar para focar na campanha eleitoral e deixar a cargo de Marilisa Boehm as funções do governo do estado.”

Upiara também destaca que a licença representa uma forma de prestigiar Marilisa, que foi vice-governadora durante o mandato, mas não integra a chapa que disputará a reeleição. O atual companheiro de chapa de Jorginho é Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville, do Partido Novo.

“Marilisa vai ter esse período de pouco mais de um mês para exercer o mandato. Está combinado também que, se houver alguma questão de maior gravidade, o governador interrompe essa licença. Uma das situações que mais está sob observação é com relação ao El Niño.”

O analista ressalta que, em uma eventual situação de calamidade, Jorginho poderá deixar as atividades de campanha para reassumir o comando do Estado.

“Então, se houver um momento de muita calamidade, uma coisa que a gente torce para que não aconteça, o governador deixa a campanha de lado e reassume o governo. Mas, nesse momento, a questão é priorizar a campanha, fazer os eventos de rua, as sabatinas, os comícios, tudo que tem que ser feito.”

Segundo Upiara Boschi, o afastamento durante o período eleitoral não é uma novidade na política catarinense. Ele lembra que Raimundo Colombo adotou estratégia semelhante em 2014, durante a campanha pela reeleição.

“Isso não é novidade. A gente já teve isso em outros mandatos, outros governadores praticaram o mesmo gesto. Posso relembrar aqui Raimundo Colombo, em 2014, na sua reeleição também. Na época, Eduardo Pinho Moreira foi mantido de candidato a vice e não podia assumir o governo. Portanto, os dois se licenciaram e entregaram o comando do Estado, por 30 dias, para Nelson Schaefer Martins, que na época era o presidente do Tribunal de Justiça, o terceiro nome na linha sucessória.”

O analista também recorda o episódio envolvendo Luiz Henrique da Silveira, em 2006, quando o então governador renunciou ao cargo meses antes da eleição para disputar a reeleição.

“O exemplo mais emblemático, que dificilmente vai se repetir algum dia, é o de Luiz Henrique da Silveira, na reeleição também. Em 2006, ele renunciou oito meses antes da eleição, abrindo espaço para que Eduardo Pinho Moreira assumisse o governo.”

Na avaliação de Upiara, aquele movimento envolveu uma combinação de convicção política, estratégia eleitoral e articulação para a composição da chapa.

“Tinha um pouco de marketing, tinha um pouco de tese, tinha um pouco de convicção, mas também tinha muita articulação política envolvida.”

O comentarista lembra ainda que, naquela época, havia previsão de aposentadoria para ex-governadores, benefício que atualmente não existe mais em Santa Catarina.

“Hoje essa possibilidade não existe mais legalmente. A aposentadoria de ex-governador está extinta em Santa Catarina.”

Por fim, Upiara chama atenção para o período em que Marilisa Boehm estará à frente do Executivo estadual e para a necessidade de conciliar as demandas do governo com a disputa eleitoral.

“O Estado tem várias questões que necessitam da atenção total do governante e a candidatura também tem todos os seus atributos. Carlos Moisés, quatro anos atrás, não se licenciou, mas ele e a então vice-governadora Daniela Reinehr não se davam nada bem. Agora vamos acompanhar como vai ser essa interinidade da Marilisa Boehm.”