Cães soltos preocupam moradores de Araranguá; prefeito anuncia R$ 1 milhão para castrações e cobra solução para o problema
César Cesa relatou episódios de ataques no Centro e em bairros, citou a dificuldade de criar um espaço municipal para acolhimento dos animais e defendeu mudanças na legislação
A presença de cães soltos nas ruas de Araranguá e os relatos de ataques a pedestres e motociclistas foram tema de preocupação durante entrevista do prefeito César Cesa ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá.
Ao responder às manifestações dos ouvintes, o prefeito reconheceu a gravidade da situação, especialmente em áreas de grande circulação de pessoas, como o Calçadão.
Segundo os relatos apresentados durante o programa, cães que permanecem no local já teriam avançado contra pessoas, provocado quedas de motociclistas e entrado em estabelecimentos comerciais. “É uma situação miserável porque as pessoas continuam abandonando os animais. Isso é uma coisa que está difícil de conter”, afirmou Cesa.
O prefeito também mencionou um episódio em que uma senhora teria sido mordida e relatou que os animais avançam contra veículos e pessoas que passam pela região.
“Está ficando uma situação complicada, perigosa até. A preocupação aumenta com a aproximação do período de maior movimento no Centro, especialmente durante a programação do Natal das Avenidas, quando a circulação de moradores e visitantes tende a crescer”, disse.
Prefeitura anuncia R$ 1 milhão para castrações
Durante a entrevista, César Cesa informou que o município conseguiu recursos do Governo do Estado para ampliar as ações de castração de cães. “Nós conseguimos agora com o governo do Estado. Nós vamos fazer um R$ 1 milhão de castração”, anunciou.
Segundo o prefeito, a iniciativa deverá contar com um ônibus destinado à realização dos procedimentos. “A Prefeitura já contratou um médico-veterinário e adquiriu medicamentos para reforçar o atendimento relacionado à causa animal”.
Apesar das medidas, Cesa reconheceu que as ações realizadas até agora não foram suficientes para resolver o problema dos animais soltos nas ruas. “Mas isso não tem sido o suficiente. Nós temos feito muito isso”, afirmou.
A castração é uma das estratégias para o controle populacional dos animais, mas o próprio debate levantado durante a entrevista envolve outros fatores, como o abandono, a necessidade de acolhimento e a responsabilização dos tutores.
Prefeito aponta dificuldades para criar canil municipal
Outro ponto discutido foi a possibilidade de implantação de um espaço municipal para acolher os cães. “Chegamos a conversar sobre a ideia de criar uma estrutura na região próxima ao presídio, mas tivemos dificuldades relacionadas às restrições legais”, relatou o prefeito, ao recordar a proposta discutida.
Segundo Cesa, o município enfrenta limitações para manter um grande número de animais em um único local. “Conforme o entendimento, haveria restrições para estruturas que abrigassem mais de dez cães”, menciou.
Diante desse cenário, o prefeito defendeu uma discussão sobre as regras que disciplinam o acolhimento de animais e afirmou que o tema precisa ser debatido pelas autoridades competentes. “Quem tem que mudar não é o Ministério Público. Quem tem que mudar é o Congresso Nacional”, declarou.
Cesa argumentou que o Ministério Público atua com base na legislação vigente e que eventuais mudanças nas regras precisam ocorrer pelos canais legais. Ao mesmo tempo, demonstrou preocupação com a continuidade dos relatos de ataques nas ruas. “Mas enquanto isso as pessoas vão continuar sendo mordidas na rua? E esse é o grande problema”, afirmou.
As declarações refletem a avaliação do prefeito sobre as dificuldades enfrentadas pelo município. “A aplicação das normas e a viabilidade de eventuais estruturas de acolhimento dependem da legislação pertinente e da análise dos órgãos responsáveis”, disse.
Abandono de animais agrava o cenário
Durante a entrevista, o prefeito também chamou atenção para o abandono de cães, especialmente em períodos de maior movimento nas praias da região. Segundo ele, há situações em que pessoas levam animais para áreas litorâneas e depois os deixam no local, contribuindo para o aumento de cães sem tutores.
“Me preocupa muito que agora quando chegar o verão. Tem muita gente que vem de fora para as praias nossas aqui. Principalmente para o Arroio. Depois solta os cachorros. Não querem mais levar embora. E esses cachorros acabam vindo para cá”, afirmou.
Cesa relatou que vem conversando com parlamentares sobre a necessidade de discutir mudanças na legislação federal. Ele também mencionou o trabalho de protetoras independentes, que acolhem animais e ajudam a reduzir os impactos do abandono.
O prefeito reconheceu a contribuição dessas pessoas, mas ressaltou que o problema exige uma atuação mais ampla. “Tem algumas protetoras que têm muitos cachorros desses guardados. E fazem um grande trabalho”, disse.
Ao mesmo tempo, a entrevista destacou a dificuldade de conciliar a permanência de animais em determinados pontos com a segurança de quem circula pelas ruas. O prefeito mencionou cães que demonstram comportamento territorial e casos em que animais maiores teriam atacado cães menores.
Microchipagem e responsabilização dos tutores
Entre as medidas citadas por Cesa está a identificação dos animais por microchip, com o objetivo de possibilitar a responsabilização dos tutores quando houver identificação e comprovação de abandono ou outras condutas irregulares.
“Porque nós estamos chipando um monte de cachorro para poder responsabilizar a pessoa”, explicou.
O prefeito afirmou que a administração pretende continuar buscando alternativas para enfrentar o problema, mas reconheceu que a situação exige uma solução que respeite a legislação e contemple tanto a proteção animal quanto a segurança da população.





