Política Com apoio de Jorginho Mello, Camilo Martins será presidente da Alesc e Ana Campagnolo assumirá o cargo posteriormente

Com apoio de Jorginho Mello, Camilo Martins será presidente da Alesc e Ana Campagnolo assumirá o cargo posteriormente

30/10/2026 - 12h49

A articulação política liderada pelo governador Jorginho Mello (PL) encaminhou a eleição do deputado estadual Camilo Martins (PL) para a presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O acordo também prevê que a deputada estadual Ana Campagnolo (PL), recordista de votos na última eleição, assuma o comando da Casa posteriormente, tornando-se a primeira mulher a ocupar a presidência do Parlamento catarinense.

A movimentação foi detalhada pelo analista político da Rádio Araranguá, Upiara Boschi. Segundo ele, Camilo Martins já reúne pelo menos 27 apoios entre os 40 deputados estaduais, número que consolida sua posição na disputa e amplia a possibilidade de composição de uma maioria para a Mesa Diretora.

“Está fechada a conta na Assembleia Legislativa e Camilo Martins, deputado estadual reeleito, ex-prefeito de Palhoça, vai ser o próximo presidente da Alesc. O primeiro candidato que junta 21 apoios declarados fecha a conta, porque os outros acabam tendo que apoiar para não ficarem excluídos das posições da Mesa Diretora”, explicou Upiara.

O analista destacou que a disputa pela presidência também envolve a distribuição de outros espaços importantes dentro do Legislativo, como as duas vice-presidências, as três secretarias e o comando das comissões permanentes.

Pelo entendimento construído entre Camilo Martins e Ana Campagnolo, ela ocupará inicialmente a primeira vice-presidência. O compromisso prevê que Camilo renuncie ao cargo faltando seis meses para o encerramento do segundo ano de mandato, permitindo que a deputada assuma a presidência.

Jorginho Mello teve papel decisivo na articulação

Na avaliação de Upiara Boschi, o governador Jorginho Mello teve participação fundamental na construção da maioria em torno de Camilo Martins. O analista relatou que conversou com o deputado, que atribuiu ao governador a principal responsabilidade pela consolidação dos apoios.

“Conversei com o Camilo Martins e ele fez questão de dizer mais de uma vez que o grande apoiador, o grande responsável por ele ter conseguido conquistar essa ampla maioria é o governador Jorginho Mello. O governador fez duas reuniões com os deputados estaduais do PL e garantiu que essa vaga seria do partido se viesse um projeto bastante consistente”, afirmou.

De acordo com Upiara, depois da articulação interna no PL, Camilo Martins e Ana Campagnolo buscaram diretamente os votos dos demais parlamentares e chegaram a um entendimento sobre a futura divisão do comando da Assembleia.

PL deve ampliar espaço nas comissões

A composição também deve refletir a força política do PL dentro da Assembleia Legislativa, partido que possui 16 dos 40 deputados estaduais.

Segundo a análise de Upiara, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deverá ficar sob o comando do deputado Pepê Colaço (Progressistas), que permaneceu aliado ao governador, apesar de o partido apoiar oficialmente a candidatura de João Rodrigues (PSD) ao Governo do Estado.

Já a Comissão de Finanças deverá ficar com o PL, tendo o deputado Maurício Peixer como possível presidente.

Outro aspecto destacado pelo analista é que a composição representará uma situação que não ocorre desde 2015: governador e presidente da Assembleia Legislativa pertencendo ao mesmo partido. Naquele ano, Gelson Merísio, do PSD, presidia o Parlamento durante o governo de Raimundo Colombo, também do PSD.

Apesar da proximidade política, Camilo Martins sinaliza que pretende preservar a autonomia institucional do Legislativo. Conforme relatou Upiara, o deputado afirma que manterá a independência e a harmonia entre os poderes, mas que os projetos apresentados pelo governador Jorginho Mello que forem considerados meritórios e positivos para Santa Catarina receberão atenção especial.

A definição dos demais espaços da Mesa Diretora e das comissões ainda integra as negociações políticas que envolvem a nova configuração de forças dentro da Assembleia Legislativa.