Ozair da Silva, o Banha, critica listas de eleitores e condena ameaças de demissão por posicionamento político
O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Araranguá, Ozair da Silva, conhecido como Banha, manifestou preocupação com a circulação de listas que identificam pessoas que votaram no PT e com publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir trabalhadores por causa de seu posicionamento político.
Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, Banha afirmou que situações semelhantes já haviam ocorrido em eleições anteriores e defendeu que as pessoas que se sentirem prejudicadas procurem orientação jurídica e denunciem eventuais ameaças.
“Na verdade, estamos vendo isso com muita preocupação, porque é uma coisa recorrente, né, não é a primeira vez que esse tipo de manifestação aparece nas eleições de 2022, isso já apareceu e volta a circular novamente.”
Presidente do PT alerta para publicações nas redes sociais
Banha argumentou que as redes sociais não devem ser tratadas como espaços sem limites e afirmou que tanto quem cria quanto quem compartilha determinado conteúdo pode ser responsabilizado, conforme as circunstâncias.
“As pessoas, na verdade, imaginam, que as redes sociais é um mundo sem nenhum tipo de critério, sem nenhum tipo de limite, né, e extrapolam, na verdade, os limites do bom senso, inclusive da questão daquilo que é crime e aquilo que não é crime.”
O dirigente afirmou que o partido tem orientado pessoas que procuram ajuda e que o PT divulgou uma nota pública sobre o assunto. Também relatou ter procurado entidades empresariais e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para tratar das listas.
Na avaliação de Banha, entidades representativas da região deveriam se posicionar diante das publicações. Ele citou a CDL, a Aciva, o Sindicont e o Sindilojas, além de outras organizações que participam de discussões sobre o desenvolvimento de Araranguá. “Na minha avaliação, precisavam estar se pronunciando em relação a isso.”
Banha compara perseguições a episódios históricos
Durante a entrevista, o presidente do PT afirmou que a exposição de pessoas por suas escolhas políticas pode trazer consequências graves. Para sustentar seu argumento, fez referências religiosas e históricas, mencionando a perseguição aos judeus na Alemanha nazista.
O dirigente defendeu que manifestações que incentivem a exclusão econômica e social não sejam banalizadas e afirmou que a sociedade precisa combater qualquer forma de perseguição política.
Ao ser questionado sobre atitudes de pessoas de esquerda contra empresários que apoiam a direita, Banha reconheceu que existem comportamentos inadequados nos dois campos políticos.
“Não dá para abonar isso. Nem de um lado, nem do outro. Acho isso uma atitude horrível e acho que, independentemente de quem está se sentindo lesado, tem que procurar uma assistência jurídica, tem que ir atrás e tem que denunciar tudo isso.”
Ele também afirmou que não concorda com ataques pessoais nem com iniciativas que busquem prejudicar alguém por causa de suas opiniões políticas.
Listas incluem pessoas que votaram em Lula, afirma dirigente
Banha disse que as listas divulgadas nas redes sociais não se limitam a filiados ou militantes do PT. Segundo ele, também incluem pessoas que simplesmente votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou comemoraram o resultado da eleição.
“Por esse simples fato, as pessoas estão sendo incluídas de maneira, na minha avaliação, ilegal e irresponsável. Essa lista é uma coisa ridícula.”
O presidente do partido afirmou que seu próprio nome aparece em uma das listas e destacou que trabalha como advogado, em um escritório que atende diferentes pessoas.
“Eu tenho um escritório de advocacia que não só sou eu que trabalho naquele escritório de advocacia. Tem outros advogados que trabalham lá e que nunca deixamos de atender ninguém.”
Ele também criticou publicações que incentivam patrões a demitir trabalhadores por terem votado na esquerda e questionou se pessoas que defendem a solidariedade deixariam de ajudar quem pensa de maneira diferente.
Para Banha, a democracia pressupõe a convivência entre diferentes posições políticas, sem ameaças ou retaliações.
Orientação é procurar assistência jurídica e denunciar
O dirigente afirmou que o PT está conversando com representantes estaduais e nacionais para orientar pessoas que se sintam intimidadas ou prejudicadas pelas publicações.
“Estamos orientando que todos aqueles e aquelas que se sentirem prejudicados ou que se sentirem intimidados, ou que tenham prejuízo nos seus comércios, independentemente de qualquer coisa, possam estar procurando essa orientação jurídica.”
Ao final desse trecho da entrevista, Banha reforçou a importância de guardar registros das publicações e procurar os órgãos competentes. “Se está se sentindo prejudicado, independentemente de qual lado, procure os seus direitos, procure uma orientação jurídica, faça um boletim de ocorrência. Não permita isso.”
Ele também mencionou situações envolvendo ameaças a trabalhadores e defendeu que possíveis casos de assédio moral sejam encaminhados aos órgãos responsáveis, como o Ministério Público do Trabalho.
Debate sobre benefícios sociais e população em situação de rua
Na segunda parte da entrevista, Saulo Machado e Banha discutiram os critérios para a concessão de benefícios sociais, com foco no Bolsa Família e no atendimento à população em situação de rua.
O apresentador questionou como os recursos públicos são utilizados e defendeu que haja fiscalização para evitar que benefícios destinados à alimentação e à subsistência sejam utilizados para a compra de drogas.
Banha, por sua vez, destacou que existem diferentes programas sociais, com objetivos e regras específicas, e argumentou que a situação de cada beneficiário precisa ser analisada conforme os critérios aplicáveis.
Durante a discussão, o presidente do PT afirmou que os municípios participam do cadastramento e do acompanhamento dos beneficiários, respeitando as regras dos programas federais. Saulo questionou os limites dessa atuação e a possibilidade de suspensão dos benefícios em situações de uso inadequado dos recursos.
O diálogo foi marcado por divergências sobre a responsabilidade do governo federal e das administrações municipais, além da necessidade de fiscalização.
Banha defendeu o fortalecimento das ações de acompanhamento da população em situação de rua e afirmou que os benefícios devem contribuir para melhorar as condições de vida das pessoas. “Porque todo sentido de qualquer benefício não é que a pessoa permaneça sempre naquele estado, mas que ele melhore.”
O dirigente também argumentou que há trabalhadores informais que recebem o Bolsa Família e utilizam o benefício como complemento de renda. “Agora, tem vários tipos de benefícios sociais. O BPC é um, o Bolsa Família é outro e o benefício pra população de rua é outro. Assim como o Pé-de-Meia é outro.”
PT pretende ampliar organização na região
Banha também falou sobre a organização partidária e os próximos passos do PT na região. Segundo ele, o partido pretende ampliar sua presença nos municípios do Vale do Araranguá e dar continuidade às articulações políticas mesmo após o período eleitoral. “O PT não é um partido que aparece apenas em época de eleição, ele se organiza durante todo o período.”
O dirigente informou que participaria de uma reunião virtual para discutir os próximos passos da organização partidária e a estruturação do partido nos municípios onde ainda não está formalmente constituído.
Ele também mencionou a possibilidade de organizar uma comitiva para acompanhar a posse presidencial em Brasília, destacando o caráter simbólico do evento para os apoiadores de Lula.
Entrevista termina com defesa do diálogo
Ao encerrar a conversa, Banha voltou a defender que as diferenças políticas sejam tratadas sem agressões pessoais. Para ele, é possível discordar de alguém e manter relações de convivência. “Esse tipo de esclarecimento. Mas sem agressão, sem chamar de imbecil, de idiota, porque o cara pensa diferente.”
O presidente do PT agradeceu à Rádio Araranguá pela oportunidade e reiterou a orientação para que pessoas que se sintam prejudicadas procurem seus direitos.







