Vereadores de Balneário Arroio do Silva articulam acordo para presidência da Câmara em 2027 e 2028
Composição prevê Maykon Oliveira na presidência em 2027 e Maykon Vianna no último ano do biênio; vereadores defendem autonomia do Legislativo e falam sobre os reflexos políticos do acordo para 2028
Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, os vereadores de Balneário Arroio do Silva Élvio Zocche, Maykon Oliveira, Maykon Vianna, Clailton Oliveira e Greyce Copetti falaram sobre a articulação para a eleição da presidência da Câmara de Vereadores, os entendimentos entre os parlamentares e as perspectivas políticas para os próximos anos.
O acordo apresentado pelos vereadores prevê que Maykon Oliveira assuma a presidência em 2027, enquanto Maykon Vianna fique à frente do Legislativo no último ano do biênio. A composição também envolve Élvio Zocche e Greyce Copetti na mesa diretora.
Acordo prevê alternância na presidência
Ao explicar como foi definida a composição, Maykon Oliveira confirmou o entendimento entre os parlamentares. “A gente fez um acordo, né? Sentamos, montamos uma mesa, eu primeiro presidente em 2027, com o Elvio de primeiro secretário e a Grace de segundo secretário.”
Na sequência, explicou como deve ocorrer a alternância no comando da Câmara: “E o Maycon Vianna vai ser meu vice-presidente, onde no final de 2027 a gente renuncia para o Maycon assumir como presidente.”
A articulação, segundo os vereadores, foi construída a partir de conversas entre os integrantes do grupo e da avaliação sobre a necessidade de fortalecer a independência do Legislativo em relação ao Executivo municipal.
Autonomia do Legislativo é apontada como prioridade
Durante a entrevista, Clailton Oliveira afirmou que a construção política também levou em consideração a autonomia da Câmara e a relação entre os poderes. “Isso aí foi uma construção pensando também no crescimento do Balneário Arroio do Silva, na autonomia também do Legislativo, porque eu acho que são poderes diferentes, Legislativo, Executivo e Judiciário.”
O vereador destacou que a relação entre Prefeitura e Câmara deve ser pautada pelo respeito institucional. “Embora os poderes precisem trabalhar em conjunto, o Legislativo deve manter sua independência para analisar projetos e representar os interesses da população”, ressaltou.
Ao comentar a necessidade de independência entre os poderes, Greyce Copetti também fez críticas ao que considera uma relação excessivamente próxima entre a Câmara e a Prefeitura. “São poderes independentes. Então a Câmara jamais pode ser um puxadinho da Prefeitura.”
A vereadora mencionou ainda a tramitação de um projeto de criação de cargos que, segundo ela, chegou aos vereadores pouco antes do encerramento do prazo para análise. “Defendo o direito de os parlamentares participarem das discussões e exercerem suas funções de fiscalização”, disse.
Vereadores relatam divergências sobre acordo anterior
Outro assunto abordado foi o entendimento político firmado anteriormente para a escolha dos presidentes da Câmara. Conforme relatado durante a entrevista, o acordo previa que Pedro Eugênio Coelho, do PSD, assumisse a presidência no primeiro período, seguido pela vereadora Maria Alice, do PP.
Élvio Zocche afirmou que havia um compromisso formalizado no final do mandato anterior e no início da gestão de Evandro Scaini. Segundo ele, nas semanas que antecederam a nova articulação, os vereadores não teriam sido chamados para participar das conversas sobre a mudança nos planos.
“Mas a gente tinha também um acordo firmado no papel no fim do último mandato, início do mandato do Evandro, que no primeiro mandato seria alguém do PSD, o Pedro Eugênio Coelho, e no segundo mandato seria a vereadora Maria Alice do PP.”
O vereador relatou que soube pela imprensa de mudanças na composição e disse que não houve uma conversa direta para tratar da possibilidade de assumir a presidência.
A entrevista também trouxe divergências sobre a participação do prefeito Jorge Freitas nas articulações. Os parlamentares relataram versões diferentes sobre as conversas e sobre a indicação de nomes para a presidência.
Élvio Zocche abre mão da candidatura
Élvio Zocche afirmou que tinha interesse em assumir a presidência e que havia conversado anteriormente com outros vereadores. No entanto, diante do novo cenário, decidiu abrir mão da candidatura para apoiar a composição formada por Maykon Oliveira e Maykon Vianna.
Durante a entrevista, foi ressaltado que a decisão não significaria uma intenção de prejudicar a administração municipal. “A proposta é manter o diálogo com o Executivo, mas sem abrir mão da fiscalização e da independência da Câmara”, explicaram os vereadores.
Maykon Vianna também agradeceu aos colegas pela composição e afirmou que pretende contribuir para o funcionamento do Legislativo. “Então eu agradeço os colegas vereadores pela conversa, pela composição, a grandeza do vereador Elvio de dar essa oportunidade pra nós.”
Ele acrescentou que a intenção é trabalhar para fortalecer a união entre os parlamentares e apresentar projetos voltados à população.
Temas como regularização fundiária e infraestrutura
Entre as pautas que os vereadores pretendem priorizar, foram citadas a regularização fundiária, a ligação de água e energia elétrica, a geração de empregos no comércio e a segurança pública.
Clailton Oliveira afirmou que o objetivo é avançar em demandas que, na avaliação do grupo, já são cobradas pela população há algum tempo. “Pretendemos apoiar iniciativas importantes para o município, mas defenderemos que a Câmara mantenha a liberdade de avaliar e votar os projetos conforme o interesse público”.
Grupo também fala sobre as eleições de 2028
A articulação para a presidência da Câmara levantou questionamentos sobre a possibilidade de o grupo permanecer unido e construir um projeto político para as eleições municipais de 2028.
Os vereadores reconheceram que a composição pode fortalecer o diálogo entre eles, mas afirmaram que ainda não existe uma definição sobre candidaturas ou sobre quem poderá disputar a Prefeitura.
Posicionamento político e relação com os partidos
A entrevista também abordou a relação dos vereadores com seus partidos e com a atual administração municipal. Um dos parlamentares afirmou que suas decisões na Câmara são orientadas pela avaliação dos projetos e pelas necessidades da comunidade.
“Eu vou votar de acordo com o que a nossa comunidade e o município precisam. Não vou votar projeto que não seja viável nem para o município ou votar para agradar o prefeito ou a prefeitura. Isso eu não vou fazer jamais.”
O grupo também comentou a participação de lideranças partidárias nas conversas que resultaram no acordo. Segundo os relatos, o deputado estadual Julio Garcia foi informado sobre a composição e manifestou apoio ao grupo.
Regimento interno também entra em debate
No final da conversa, Saulo Machado levantou a possibilidade de os futuros presidentes revisarem pontos do funcionamento da Câmara, especialmente em relação à duração das sessões e à organização das votações.
O apresentador questionou a prática de encerrar ou limitar os trabalhos em sessões com homenagens, moções, votações de orçamento ou análise de contas, defendendo uma avaliação do regimento interno.
Em resposta, foi explicado que, no caso das moções, a organização da sessão estaria relacionada a um acordo entre as bancadas, e não necessariamente a uma exigência do regimento.
O tema foi colocado como uma possibilidade de discussão para a próxima mesa diretora.

