MDB de Araranguá avalia eleições de 2026 e projeta articulações para a disputa municipal de 2028
O presidente do MDB de Araranguá, Alcindo Crepaldi, e o vice-presidente da sigla, Emerson Almeida, participaram de uma entrevista com o apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, para avaliar o desempenho do partido nas eleições de 2026 e discutir as perspectivas para o pleito municipal de 2028.
Durante a conversa, os dirigentes analisaram a redução das bancadas do MDB no Legislativo estadual e federal, destacaram a reeleição do deputado estadual Thiago Zilli e comentaram a influência da polarização entre direita e esquerda no resultado eleitoral. Também abordaram a relação com o governador Jorginho Mello, a sucessão municipal e a possibilidade de o partido apresentar um nome para disputar a prefeitura.
MDB destaca reeleição de Thiago Zilli
Ao avaliar o resultado das eleições, Alcindo Crepaldi reconheceu que o cenário foi diferente de disputas anteriores, com maior influência dos extremos políticos. Apesar da redução no número de parlamentares, ele afirmou que o partido continua tendo força política e precisará avaliar os próximos passos.
“Então, Saulo, é, foi uma política bem diferente das outras, né, anteriores, foi uma política onde o extremo valeu mais, né, mas ainda, em vista de tudo isso que aconteceu, eu ainda vejo que ainda não saímos muito mal”, declarou.
O presidente do MDB também destacou que a sigla conseguiu manter quatro deputados estaduais, embora tenha reduzido sua representação federal.
Uma das principais preocupações, segundo Crepaldi, era a possibilidade de o Sul de Santa Catarina perder a representação de Thiago Zilli na Assembleia Legislativa. A disputa pela última vaga foi apertada e exigiu acompanhamento até a apuração final.
“Então, a gente estava consciente, assim, trabalhando, porque sabia dos três primeiros eram muito fortes, né, a gente estava em busca da quarta cadeira, a outra vez foi em quinto, né, a gente trabalhou para isso, para quatro cadeiras, mas acontece que as quatro cadeiras quase se transformou em três, então foi aí por 800 votos que nós conseguimos a vaga, a quarta vaga onde entrou o Thiago Zilli”, relatou.
Para os dirigentes, a reeleição do deputado representa a manutenção de uma representação política importante para a região, especialmente pela destinação de recursos e pela atuação em demandas locais.
Emerson Almeida também ressaltou a importância de manter representantes regionais, independentemente de partido, citando a presença de deputados federais ligados à região como um fator relevante para a defesa de pautas do Sul catarinense.
Polarização influenciou o resultado eleitoral
Os dirigentes avaliaram que a polarização política nacional teve impacto direto no desempenho de diferentes partidos e candidatos. Crepaldi classificou o cenário como um “tsunami”, em referência à força das votações associadas aos campos políticos de direita e esquerda.
“E muito assim, né, estava muito, por isso que eu falei desde o início que foi muito no extremo, né? Tanto direita quanto esquerda. Isso tirou muita gente da jogada”, afirmou.
Na avaliação do presidente do MDB, a redução da bancada estadual e federal demonstra que o partido terá de rever estratégias para as próximas disputas.
Os dois também comentaram o posicionamento de setores do MDB durante a eleição presidencial. Segundo Crepaldi, houve divisão entre diretórios de diferentes regiões do país, enquanto em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Paraná, o partido se posicionou majoritariamente em apoio a Jair Bolsonaro.
Sobre a relação com o governo estadual, o dirigente afirmou acreditar na continuidade de um bom diálogo com Jorginho Mello. Ele citou deputados emedebistas que trabalharam pela candidatura do governador e destacou a destinação de recursos para os municípios.
“E até porque o Jorginho, com todo respeito, vem fazendo um excelente trabalho, principalmente na região, trazendo muito recurso e eu acho que tem que manter esse apoio”, declarou.
Crepaldi também mencionou a relação entre o governador e o prefeito de Araranguá, César Cesa, como um canal importante para encaminhar projetos e buscar recursos para o município.
Sucessão municipal de 2028 ainda está em aberto
A definição do candidato a prefeito de Araranguá em 2028 foi um dos principais assuntos da entrevista. Questionado sobre a possibilidade de Thiago Zilli disputar o Executivo municipal, Crepaldi afirmou que o nome pode ser considerado, mas ressaltou que ainda é cedo para uma decisão.
“Tudo pode acontecer, tudo que a gente vai falar aqui hoje pode mudar amanhã. Então, por que não? Pode ser, pode não ser. É cedo pra falar”, afirmou.
O presidente do MDB lembrou que a atual administração reúne diferentes partidos e defendeu que a escolha seja feita por meio de diálogo entre as lideranças da base.
“Então, na hora que for o momento certo, sentar todos juntos aí e ver qual é o melhor nome, qual é a opção e resolver lá na frente”, disse.
Crepaldi também negou a existência de um acordo formal entre MDB e PSD que determine que o próximo candidato a prefeito seja o Tano. Ao mesmo tempo, reconheceu a importância da parceria entre as siglas nas eleições anteriores.
“Dentro do MDB, eu presidi o MDB nas duas campanhas do César, né? Ajudei a coordenar a campanha. E nunca teve esse acordo. Mas é lógico que tem essa parceria. E vai se discutir isso. Tem que ter gratidão. Acho que o PSD foi importantíssimo, principalmente na primeira eleição”, declarou.
O dirigente afirmou que mantém conversas com diferentes lideranças, incluindo o prefeito César Cesa e Tano, e que o objetivo será encontrar uma solução para a continuidade do projeto político no município.
MDB considera disputar a cabeça de chapa
Ao ser questionado se o MDB pretende abrir mão de indicar o candidato a prefeito, Crepaldi avaliou que o partido tem motivos para reivindicar espaço na cabeça de chapa, mas evitou antecipar uma definição.
“Eu acho que é automático pelo trabalho que vem se fazendo, teria que ser cabeça de chapa, mas agora tudo vai acontecer lá na frente”, afirmou.
O presidente ressaltou que a escolha precisará levar em conta a responsabilidade de administrar Araranguá e a capacidade de dar continuidade às ações em andamento. “E o que a gente quer é achar a melhor solução para Araranguá, porque é um cargo de muita responsabilidade”, declarou.
Crepaldi também destacou que a definição não deve ficar restrita às lideranças partidárias, defendendo a participação de pessoas interessadas em contribuir com o município.
Dirigentes defendem continuidade da atual administração
Durante a entrevista, Emerson Almeida destacou que a administração municipal tem uma série de obras e projetos em andamento e defendeu a continuidade do trabalho nos próximos anos.
“Como o Negão falou, retroceder não podemos, a régua está alta, temos que manter”, afirmou, ao comentar a expectativa para o período restante do atual governo.
Almeida, que já atuou como secretário municipal por cinco anos, mencionou obras e intervenções em andamento, incluindo o início dos trabalhos relacionados ao tratamento de esgoto e outras melhorias urbanas.
Para ele, a próxima gestão terá o desafio de manter o ritmo da administração e dar sequência aos projetos em execução.
MDB convida comunidade e empresários a participar
Ao final da entrevista, os dirigentes reforçaram o convite para que moradores, empresários e novas lideranças se aproximem do partido e participem das discussões sobre o futuro de Araranguá.
Emerson Almeida afirmou que o MDB está aberto a novas filiações e a pessoas que tenham interesse em contribuir com a política municipal, inclusive com possíveis candidaturas.
“Tem que se envolver, tem que vim, as portas do MDB estão abertas para filiação, para conversar. Se tem uma projeção futura de ser até candidato, a gente está sempre de portas abertas”, declarou.
Crepaldi também pediu a colaboração da comunidade na apresentação de nomes e propostas que possam contribuir para a escolha do próximo projeto político do município.

