Crise de ambição: algumas pessoas da nossa região não querem crescer
A ambição sempre foi sinônimo de algo negativo, de algo ruim. Sempre atrelada ao conceito de levar vantagem em detrimento do outro, esta palavra traz consigo uma carga de preconceito extremamente elevada, e que parece já ter entrado na cultura popular.
Segundo o Dicionário Michaelis, ambição é um substantivo feminino que vem do latim “ambitio”, que significa “desejo intenso de riqueza, poder, glória ou honras; avidez, cobiça”, mas é também “desejo de atingir um objetivo específico; anseio, aspiração, determinação, pretensão”.
O primeiro significado de fato traz consigo esta carga negativa, representada pela palavra “intenso”, demonstrando que a intensidade deste desejo indicaria que se pudesse fazer qualquer coisa para conseguir riqueza, poder e glória. Já a segunda significação da palavra traduz o que de fato é a ambição, em seu sentido mais amplo e positivo: o desejo de alcançar o que se quer, de realizar sonhos, de crescer.
E que mal há em crescer? Qual o problema de a pessoa querer mais e mais? Preparar-se e ser reconhecida pelo seu mérito? Absolutamente nenhum!
O problema é que vivemos em nossa região uma verdadeira crise de ambição. Estamos em uma das regiões mais tranquilas do país, vivemos na chamada “Suíça brasileira”, onde de fato os problemas, por mais que existam, jamais se comparam às mazelas vividas por estados menos abastados. E esta relativa tranquilidade parece ter feito com que algumas pessoas se acomodassem de forma definitiva, perdendo por completo a sua ambição. Morreu a vontade de crescer. Morreu também com ela o desejo de se preparar, se qualificar para receber o mérito dos esforços individuais.
Vivemos uma crise de ambição.
Boa parte de nossa população, com a devida vênia, acomodou-se com seus empregos, seus salários, seu conhecimento, sua capacitação, porque o valor recebido ao final do mês tem sido suficiente para as humildes contas da casa, na maioria das vezes, sobrando algum recurso para o “litrão” do final de semana. E isto parece bastar!
Mas não basta! Este é o maior equívoco de uma sociedade: a extinção da ambição, o fim dos sonhos. Para que possamos crescer enquanto sociedade, para que a economia local melhore, o poder de compra se eleve, os negócios prosperem, outros se interessem em se fixar na nossa região, precisamos cada vez mais de pessoas qualificadas, algumas inclusive altamente qualificadas para dar conta dos desafios da gestão e da tecnologia do século XXI.
Somente assim a vida poderá melhorar. E precisamos, juntos, querer que ela melhore mais e mais, e cada vez mais, unidos todos na ambição de crescermos coletivamente, sem prejuízo individual de quem quer que seja. Temos que desenvolver a vontade de querer mais em nossos cidadãos, para que, por meio de seus esforços, colham os benefícios oriundos do seu mérito.
Enquanto algumas empresas saem da região e outras amargam a dificuldade de contratar profissionais qualificados, na outra esquina as instituições federais de ensino técnico e superior possuem vagas sobrando em cursos de ponta, na área da tecnologia, da gestão, em cursos de mestrado e doutorado. Isto tudo aqui na nossa cidade.
Sociedades ambiciosas prosperam. Sociedades medíocres, com sonhos medíocres, se extinguem. Sempre foi assim, em toda a história da humanidade, e sempre será.
De que lado estaremos? O que faremos para despertar a ambição naqueles que nos cercam? E em nós mesmos?
Post scriptum: esta é apenas a minha opinião! Para concordar, discordar, sugerir ou interagir, envie mensagens para juniorfreitas.phd@gmail.com. E para saber mais a meu respeito, acesse meu currículo lattes pelo endereço: http://lattes.cnpq.br/6725856869061836







