“Estou me sentindo um otário”, diz deputado federal Vampiro, sobre falta de solução para o Morro dos Cavalos
Ano novo, velhos problemas. A frase é clichê, mas descreve fielmente a situação do Morro dos Cavalos. Nesta segunda-feira, 05, no km 235, da BR-101 em Palhoça, um caminhão pegou fogo e interditou a rodovia nos dois sentidos durante várias horas, causando filas de mais de 20 quilômetros, principalmente no sentido norte.

A história que se repete
No dia 06 de abril do ano passado, um acidente envolvendo uma carreta carregada com etanol, no km 233, fechou a rodovia totalmente, por mais de 15 horas. 21 carros e três carretas queimaram e cinco pessoas ficaram feridas.

O Fórum Parlamentar Catarinense, que é uma instância de articulação política que reúne os parlamentares federais e senadores que representam Santa Catarina no Congresso Nacional, está constantemente cobrando uma solução para o trecho. A mais viável e a construção de dois túneis, obra que teria um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão.
Nesta terça-feira, 06, um dia após o novo acidente, o deputado federal Luiz Fernando Vampiro, concedeu entrevista à Rádio Araranguá e falou sobre a situação.
“Qualquer tipo de problema no Morro dos Cavalos a gente sabe que colapsa; não tem alternativa. O que a gente sente é uma insatisfação com o governo federal. Não digo apenas com este governo, mas digo o governo federal como um todo. Esse é um assunto super importante e vem sendo tratado de forma tão relapsa. Isso realmente causa uma grande preocupação, por isso que o ano de 2025, foi intenso e de muita cobrança por parte do Fórum Parlamentar Catarinense. Estamos mantendo reuniões semanais. A próxima reunião acontece agora no dia 15 de janeiro. Mesmo sendo um período de recesso, a gente não parou de tratar deste assunto. Estamos, na verdade trabalhando neste sentido de tentar, efetivamente, clarear mais até dia 7 de março, que é o prazo final de renovação da concessão da Arteris, relativo ao trecho norte”.
Segundo Vampiro, a ideia segue sendo ceder o trecho do Morro dos Cavalos, a CCR ViaCosteira, para que esta faça a obra.
“O objetivo é conseguir extrair a definição da ANTT e do Tribunal de Contas da União, para que a gente possa dar uma resposta plausível. Eu tenho certeza que cada acidente deste e que cada mobilização que a gente faça é importante em busca de uma solução. A gente tem que acelerar bem. Por que eu falo até 7 de março, pois é o prazo que o TCU tem para dizer se a Arteris vai continuar com o trecho norte da BR-101 ou não. Então até lá temos que conseguir extrair o Morro dos Cavalos e colocar para a CCR ViaCosteira (Motiva), para que faça essa obra”.
O deputado ainda comentou sobre a demora que o Fórum Parlamentar Catarinense está tendo para obter respostas.
“Existe uma série de situação na verdade. Tipo: se é só o Morro dos Cavalos, se entra o trecho até Biguaçu. Também tem que mensurar o impacto que vai dar nisso, a multa rescisória desse trecho… Então foi isso efetivamente que a CCR ficou de nos apresentar, mas achamos que ela está sendo muito devagar neste processo. Ao que se sabe é que tem uma falta de efetivo. Sentimos nas últimas reuniões que há um acúmulo de serviço e pouca gente para fazer. Para obtermos uma resposta, por exemplo, demora um período considerável, então essa é a insatisfação que temos. Eu me expressei na reunião passada que eu estou me sentindo um otário. Eu acho que é isso que está acontecendo conosco em Santa Catarina”, desabafa Vampiro.
Mesmo assim, o parlamentar reforça que o trabalho vem sendo feito diuturnamente.
“Não tem ninguém dormindo no ponto, não tem ninguém de férias, todos nós estamos trabalhando para resolver. Esse é um assunto que está na nossa pauta. Tivemos ações em Brasília, audiências públicas, notificação, reunião, estamos batendo na porta de quem for preciso e continuaremos fazendo isso pelo nosso Sul e, principalmente, pelo respeito que Santa Catarina merece. Estamos sendo desrespeitados há muito tempo. Resumindo, o TCU tem que autorizar até o dia 7 de março a supressão desse trecho (Morro dos Cavalos), e autorizar a cessão à CCR. Só para termos uma noção da complexidade, a multa pedida pela Arteris, para entregar esse trecho é de R$ 500 milhões. Então tem muita coisa envolvida e relacionadas à questão contratuais”, conclui Vampiro.
Entrevista completa:









