Agronegócio Preço do arroz deve subir e saca pode chegar a R$ 75 até o segundo semestre, projeta presidente do Sindarroz

Preço do arroz deve subir e saca pode chegar a R$ 75 até o segundo semestre, projeta presidente do Sindarroz

17/03/2026 - 13h00

“A projeção é de que a saca, atualmente na faixa de R$ 55, possa chegar entre R$ 70 e R$ 75 até setembro ou outubro”, destacou Walmir Rampinelli

O setor orizícola de Santa Catarina vive um momento de transição entre desafios recentes e expectativas mais positivas para os próximos meses. Em entrevista à Rádio Araranguá, o presidente do Sindarroz, Walmir Rampinelli, avaliou o cenário atual da produção, destacou iniciativas voltadas à sustentabilidade e projetou uma possível recuperação nos preços do arroz ao longo de 2026.

Walmir Rampinelli assume Sindarroz-SC - Planeta Arroz

Um dos principais pontos abordados foi o encontro realizado na última semana para discutir o arroz sustentável. A iniciativa integra um projeto internacional que busca mensurar a emissão de metano nas lavouras, com o objetivo de inserir os produtores no mercado de crédito de carbono.

Segundo Rampinelli, o projeto ainda está em fase inicial e envolve parcerias com instituições como a Epagri e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com ações também em países como Brasil, México e Argentina.

“O que está sendo feito é a quantificação da emissão de metano nas lavouras de arroz. Isso visa habilitar os produtores a buscar crédito de carbono. Ainda são projetos piloto, mas que podem trazer benefícios importantes para o setor no futuro”, explicou.

Ele destacou que entidades como a Câmara Setorial e o próprio Sindarroz estão acompanhando de perto a iniciativa e devem apoiar sua expansão em Santa Catarina.

Produção estável, mas cenário ainda é de incerteza

Apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos, a safra atual apresenta números positivos. De acordo com o presidente, entre 70% e 80% da colheita já foi concluída no estado, com boa produtividade e qualidade dos grãos.

A produção deve se manter próxima à do ano passado, com uma leve queda estimada entre 3% e 5%. No entanto, o cenário econômico ainda gera insegurança para os produtores.

Entre os fatores de preocupação estão o aumento dos custos, especialmente do óleo diesel, e os reflexos de conflitos internacionais, que impactam diretamente a logística e o preço dos insumos.

“Estamos vivendo um jogo de incertezas. O arroz teve uma leve valorização, mas os custos também subiram. O agricultor está segurando o produto, aguardando melhores preços”, afirmou.

Saco de arroz - Embalagem Ideal

Expectativa de alta no preço no segundo semestre

A principal aposta do setor está na valorização do arroz ao longo do segundo semestre de 2026. Segundo Rampinelli, fatores como a possível redução da área plantada e dificuldades no financiamento agrícola podem impactar diretamente a oferta futura.

“A projeção é de que a saca, atualmente na faixa de R$ 55, possa chegar entre R$ 70 e R$ 75 até setembro ou outubro. Quando ficar evidente a redução da área plantada, o mercado vai reagir. A expectativa é de que o preço alcance um patamar que pelo menos cubra os custos do produtor”, pontuou.

Ele também alertou que a escassez de crédito e o aumento da inadimplência podem reduzir o ritmo de plantio para a próxima safra, o que deve influenciar diretamente o mercado em 2027.

Estoques ainda pressionam o mercado

Outro fator que ainda impacta o setor é o alto volume de estoques acumulados. “Atualmente, o Brasil possui cerca de 1,8 milhão de toneladas como estoque de passagem, o que continua pressionando os preços”.

Apesar disso, Rampinelli acredita que esse cenário tende a mudar com a possível redução na produção futura. “Não vai faltar arroz neste momento, mas pode haver uma redução significativa em 2027, dependendo da área que deixar de ser plantada. Isso pode provocar uma valorização do produto”, explicou.

Medidas do governo e apoio ao setor

Durante a entrevista, o presidente também comentou sobre ações já implementadas para amenizar a crise no setor. Entre elas, está o financiamento de sementes por parte do Governo do Estado, além da ampliação do uso do arroz na merenda escolar e no sistema prisional.

Outras medidas ainda estão em discussão, como incentivos fiscais para a indústria, com o objetivo de garantir melhores preços ao produtor. “O financiamento das sementes já é uma realidade, e isso ajuda bastante. Agora buscamos avançar em benefícios para a indústria, com o compromisso de repassar esse ganho ao agricultor”, destacou.

Sustentabilidade e futuro do setor

Por fim, Rampinelli reforçou que iniciativas como o projeto do arroz sustentável podem representar um novo caminho para o setor, aliando produção e responsabilidade ambiental.

Embora ainda em fase inicial, a possibilidade de acesso ao crédito de carbono surge como uma alternativa para aumentar a rentabilidade dos produtores e fortalecer a cadeia produtiva. “O importante é que estamos olhando para o futuro. Se esses projetos avançarem, podem trazer uma nova realidade para o arroz em Santa Catarina”, concluiu.