PROJETO CALADO: Documentário produzido em Passo de Torres expõe realidade de pescadores nos molhes da Barra do Rio Mampituba
O documentário “Projeto Calado”, produzido pela agência Athos Comunicação, apresenta em quase 18 minutos um verdadeiro dossiê sobre a construção dos molhes de Passo de Torres. A produção reúne relatos de pescadores, historiadores e representantes da administração pública, que abordam os desafios da implementação da obra e os impactos que ela provoca até os dias atuais.
Construídos na década de 1970, os molhes foram determinantes para a organização da navegação na barra do Rio Mampituba, ampliando a segurança das embarcações e influenciando diretamente a atividade pesqueira – base econômica do município. No entanto, desde sua construção, o projeto é alvo de questionamentos, já que a estrutura do lado de Passo de Torres é mais curta do que a do lado de Torres (RS).
De acordo com Douglas Benker, diretor do documentário, o nome do documentário faz referência a dois aspectos. O primeiro está relacionado à função dos molhes: estruturas projetadas para aumentar a profundidade do rio no ponto de encontro com o mar, permitindo que o calado – parte do casco da embarcação que permanece submersa – navegue sem tocar o fundo.
O título também sugere outra reflexão: a dificuldade histórica de discutir a retomada e a conclusão do projeto, que permanece inacabado. Quase 40 anos após a construção, o tema ainda é cercado de silêncio, mesmo com registros de mortes e naufrágios na região.
“É uma obra inacabada. Na tradição oral da comunidade, conta-se que parte dos recursos teria sido redirecionada para a reforma da BR-101, no trecho entre Torres e Osório, após pressão de veranistas da Grande Porto Alegre”, afirma o historiador Jaime Luis da Silva Batista. Segundo ele, o lado de Passo de Torres teria ficado com cerca de 200 metros a menos do que o previsto no projeto original.
O documentário também resgata relatos históricos de mobilização da comunidade. Cartas de pescadores e até de esposas de trabalhadores teriam sido enviadas ao Governo Federal solicitando a extensão da obra – reivindicação que, segundo o historiador, permanece sem resposta até hoje.
Durante as gravações, a equipe registrou imagens de um naufrágio ocorrido na barra, reforçando a sensação de insegurança vivida por quem depende da pesca para sobreviver. A tensão constante é relatada por Adriano Delfino Joaquim, presidente da Colônia de Pescadores Z-18.
“Sentimos na pele essas dificuldades de entrar e sair da barra. É um estresse constante. Além de enfrentar o tempo em alto-mar, você ainda fica pensando se vai conseguir retornar com segurança”, afirma.
O documentário completo está disponível no link abaixo:





