Geral Você trabalha em excesso? Não há nada de romântico nisso!

Você trabalha em excesso? Não há nada de romântico nisso!

27/04/2023 - 12h58

Nós, seres humanos, somos uma espécie absolutamente complexa, com questões biológicas, psicológicas e sociológicas que determinam muito da nossa percepção de mundo. E adotamos ao longo da nossa vida, diferentes papéis, cada qual com características e exigências igualmente diferentes. Somos filhos, irmãos, colegas, amigos, pais, mães, funcionários, chefes, alunos, professores, enfim… somos muitos ao longo de nossa vida.

E esta complexidade com a qual nos definimos exige de cada um de nós um equilíbrio, uma perfeita harmonia entre todos estes papéis. Não há como ser um bom profissional sem ser também um bom amigo, um bom filho, um bom pai… Estas diversas dimensões que unem a nossa vida profissional e pessoal são de fato as que determinam quem nós somos, e como lidamos com os desafios que se apresentam.

Porém, ao longo dos anos foi-se romantizando o trabalho, de maneira particular. Uma frase, que se tornou famosa por tentar incentivar os esforços extras daqueles que procuram melhores resultados, diz que:

“Estude, enquanto eles dormem. Trabalhe, enquanto eles se divertem. Lute, enquanto eles descansam. Depois viva o que eles sempre sonharam”.

Esta frase, famosa entre os ambientes de alto desempenho e entre indivíduos de alta performance, acaba por trazer consigo uma elevada carga de cobrança por esforços muitas vezes incompatíveis com o necessário equilíbrio entre as diversas dimensões que nos tornam humanos.

Seria um crime dormir? Seria crime se divertir? Seria crime descansar? Uma pessoa que dorme, se diverte e descansa jamais conseguirá os resultados que sempre sonhou?

É preciso, portanto, desmistificar este romantismo equivocado que ronda o trabalho excessivo.

Um estudo apresentado no 39º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que aconteceu entre os dias 5 e 8 de outubro em Fortaleza, constatou que a incidência de burnout cresceu 18% entre 2015 e 2022. A pesquisa é de autoria da Gattaz Health & Results, empresa brasileira que oferece um programa baseado em ciência e tecnologia para promover a saúde mental no meio corporativo.

O Síndrome de Burnout, de acordo com o Ministério da Saúde, é também chamada de Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho.

Mas especialistas também apontam que apesar de o excesso de trabalho ser um dos principais causadores da síndrome, não é o único. A falta de equilíbrio entre as diversas dimensões humanas pode também ser considerada uma causa a complicar de maneira decisiva a saúde mental do indivíduo, com consequências drásticas para sua vida pessoal e reflexos a sua capacidade laborativa.

Assim, ao querer incansavelmente ser mais e mais produtivo, tornamo-nos incapacitados para o trabalho.

Nesta esteira, a saúde mental dos colaboradores tem sido um ponto de atenção de gestores e executivos de empresas de todos os portes, porque a sociedade já compreendeu que é necessário promover o equilíbrio do ser humano enquanto ator parte de muitos mundos, não apenas o profissional. Somos, portanto, a união daquilo que produzimos, da forma como nos relacionamos, do amigo que nos constituímos, do marido, da esposa, do filho, do aluno que somos.

Somos complexos e altamente dependentes destes muitos “eu” que nos constituem. Assim, para que possamos contribuir com o nosso sucesso, com o sucesso da organização onde nos realizamos enquanto profissionais, precisamos ser melhores filhos, melhores amigos, melhores cônjuges e, sobretudo, melhores companhias para nós mesmos.

Você é uma boa companhia para você mesmo?

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