Política Lena Périco defende política de bem-estar animal em Araranguá e critica radicalização do debate sobre cães comunitários

Lena Périco defende política de bem-estar animal em Araranguá e critica radicalização do debate sobre cães comunitários

14/07/2026 - 09h58

A ex-vereadora de Araranguá Lena Périco voltou a se manifestar publicamente sobre a causa animal e saiu em defesa da política de bem-estar animal implantada no município. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, Lena comentou a polêmica envolvendo a retirada das casinhas dos cães comunitários da praça central e criticou o que considera uma exploração política do tema.

Com mais de duas décadas de atuação na proteção animal, Lena afirmou que seu trabalho sempre foi pautado por ações práticas e não pela exposição nas redes sociais. “Eu trabalho na causa animal há mais de 20 anos, não preciso segurar um bicho para ter o meu trabalho. Eu saí da minha casa com um objetivo: me eleger vereadora porque eu queria fazer alguma coisa por eles. E isso eu fiz”, declarou.

Política pública consolidada

Durante a entrevista, a ex-vereadora destacou que Araranguá se tornou referência estadual na área de proteção animal graças à construção de uma política pública permanente iniciada ainda no primeiro mandato do prefeito Cesar Cesa.

Segundo ela, atualmente o município realiza cerca de 200 castrações por mês, conta com uma clínica veterinária credenciada 24 horas e possui estrutura para recolhimento e atendimento de animais feridos.

“Nossa cidade hoje é referência no Estado. Nós temos uma política, nós temos leis próprias. Hoje não vemos mais animal agonizando na rua, atropelado. Tem um automóvel que vai lá e recolhe. Isso tudo foram emendas que eu trouxe junto ao prefeito”, afirmou.

Lena também ressaltou o aumento dos investimentos na área. “O prefeito começou o mandato dele com um orçamento de R$ 50 mil. Hoje é quase R$ 1 milhão por ano”.

Casinhas dos cães geram debate

Sobre a polêmica envolvendo a transferência das casinhas dos cães comunitários da praça central, Lena disse que a situação foi conduzida de forma equivocada por parte de ativistas e políticos que criticaram a medida.

Ela argumenta que os animais possuem comportamento territorial e que a mudança para um local próximo seria suficiente para manter os cães protegidos, desde que os voluntários colaborassem com a adaptação.

“Quem é protetora sabe muito bem que o animal marca seu território. Ali era o território deles. Onde o prefeito colocou as casinhas é pertíssimo. O que a pessoa que vai lá dar comida à noite tem que fazer? Levá-los até onde estão as casinhas e colocar a comida lá”.

A ex-vereadora também contestou a narrativa de que existiria muitos cães vivendo já há anos na praça. “Há oito anos existiam apenas três cachorros na praça. Depois foram chegando outros. A maioria deles durante o dia nem está ali. Você vai vê-los mais à noite”.

Críticas a ativistas e políticos

Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a crítica feita por Lena à atuação de parlamentares e ativistas que, segundo ela, utilizam a causa animal para promoção pessoal e eleitoral.

Ela citou nominalmente o deputado estadual Marcius Machado e uma vereadora de Florianópolis que estiveram envolvidos nas discussões recentes sobre o caso.

“Que absurdo deputado, dizer que vai processar o prefeito Cesar por improbidade administrativa. Depois que conversei com ele (Marcius), você ouviu ele falando mais alguma coisa? Não, porque eu mostrei para ele o que realmente acontece”.

Lena também afirmou que discorda de ações consideradas radicais. “Eu sou uma protetora, mas o radicalismo não existe na minha vida. Nós não ficamos buscando culpados. A gente faz a nossa parte”.

Castração é apontada como principal solução

Ao longo da conversa, Lena reforçou que o combate ao abandono passa principalmente pela conscientização da população e pela ampliação das castrações.

Segundo ela, a administração municipal não pode ser responsabilizada sozinha pelo problema. “O prefeito não tem culpa se as pessoas não castram seus bichos, deixam procriar e depois jogam na rua. O trabalho maior que tem que ser feito é esse: a castração”.

Ela também alertou para situações envolvendo animais agressivos em bairros da cidade, defendendo a atuação do setor de bem-estar animal quando houver risco para a população.

Trabalho voluntário continua

Mesmo fora da Câmara de Vereadores, Lena afirmou que continua atuando como voluntária na Associação Amigos do Chico, entidade que ajudou a fundar. O grupo realiza mutirões de castração, feiras de adoção e ações de conscientização.

“Nós somos em dez voluntários. Nunca discutimos. Trabalhamos juntos, ajudamos no pós-operatório, fazemos feiras de adoção e continuamos fazendo a nossa parte”.

Ela destacou ainda a importância de ações educativas para mudar a relação das futuras gerações com os animais. “Temos que ensinar as crianças o respeito aos animais. Nada pode ser radical”.

Defesa da racionalidade no debate

Ao encerrar a entrevista, Lena afirmou que continuará defendendo a causa animal, mas sem renunciar ao diálogo e ao equilíbrio. “Eu continuo fazendo o meu trabalho, continuo ajudando as pessoas e os animais. Só que a gente tem que ser racional. As coisas não podem sair de um foco racional”.

A ex-vereadora também reforçou seu apoio à atual política municipal de proteção animal e defendeu que o debate seja conduzido com responsabilidade, sem transformar a causa em instrumento de disputa política.