Beto Martins ganha força na chapa de Caroline De Toni, enquanto Flávio Bolsonaro define os últimos detalhes para anunciar o vice
O prazo para a realização das convenções partidárias chega ao fim nesta quarta-feira (5), consolidando praticamente todas as chapas que disputarão as eleições de outubro. Apesar disso, ainda há espaço para ajustes de última hora, principalmente na composição das suplências ao Senado e nas articulações nacionais para a definição da candidatura à vice-presidência da República.
A análise é do comentarista político da Rádio Araranguá, Upiara Boschi, que destaca que, embora as convenções tenham sido concluídas, o processo eleitoral ainda reserva algumas definições antes do registro oficial das candidaturas.
“Hoje é o último dia da possibilidade de convenções. Todas foram realizadas, mas algumas deixaram possibilidade de ajustes de última hora. O registro ainda tem mais dez dias para ser feito.”
Beto Martins ganha força para integrar chapa de Caroline De Toni
O principal movimento dos bastidores em Santa Catarina envolve a candidatura da deputada federal Caroline De Toni (PL) ao Senado. Conforme explicou Upiara Boschi, o empresário Juliano Custódio havia sido anunciado como primeiro suplente durante a convenção da coligação do governador Jorginho Mello, realizada no último sábado. Entretanto, ele precisou deixar a composição por questões relacionadas à sua atividade profissional.
“Os suplentes da coligação do governador Jorginho Mello, para a reeleição, foram anunciados na convenção, no sábado, depois de bastante suspense. O primeiro suplente de Caroline De Toni era Juliano Custódio, um empresário do mercado financeiro. Ele foi anunciado, mas veio a informação de que não poderia assumir por questões ligadas à atuação profissional dele. Teve que abrir mão para não colocar a chapa em risco.”
A segunda alternativa foi Marcelo Aguiar, filho do ex-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Mário Aguiar. No entanto, uma nova dificuldade surgiu porque Marcelo ocupa uma diretoria na entidade, situação que exigiria desincompatibilização até o dia 4 de junho.
Diante dos dois impedimentos, a solução encontrada foi recorrer a um aliado histórico do governador.
“Foi buscar a solução caseira, que era a solução mais óbvia: Beto Martins.”
Segundo Boschi, Beto Martins reúne experiência política e uma longa relação de confiança com Jorginho Mello.
“Ele tem uma trajetória ligada ao governador Jorginho Mello há mais de 20 anos, desde a época do PSDB. Já foi prefeito de Imbituba e é empresário do setor portuário.”
O analista lembrou ainda que Beto Martins integrou a chapa de Jorginho Mello ao Senado em 2018 como segundo suplente. Com a eleição de Jorginho ao Governo de Santa Catarina em 2022, a primeira suplente, Ivete da Silveira, assumiu a vaga no Senado e, posteriormente, Beto exerceu o mandato por cerca de quatro meses durante licença da senadora.
“Beto mostrou bastante desenvoltura, inclusive acabou atendendo as demandas do setor logístico, não só de Santa Catarina, mas nacional, virando uma voz do setor em pouco tempo.”
Para Boschi, a escolha também representa uma estratégia pensando no futuro político da chapa.
“Esse era um nome que poderia ter sido óbvio, até porque Caroline De Toni, lá na frente, em 2030, talvez seja chamada para concorrer ao governo. Aí é preciso de um suplente que tenha traquejo político, uma luz própria.”
Até a terça-feira, o convite havia sido feito, mas o aceite oficial de Beto Martins ainda não havia sido confirmado.
Outras suplências seguem em aberto
Mesmo com as convenções encerradas, algumas definições ainda dependem de confirmação.
Na chapa do senador Esperidião Amin (PP), permanece a dúvida sobre quem ocupará a segunda suplência.
“Ainda falta definir também se o segundo suplente do Esperidião Amin vai ser o Genésio Spillere, ex-prefeito de Nova Veneza, ou se vão achar uma outra solução, talvez uma mulher para essa chapa.”
Já na candidatura do deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), a expectativa é pela confirmação da vereadora Jade Martins, de Balneário Camboriú, como segunda suplente.
Cenário nacional concentra atenções no anúncio do vice de Flávio Bolsonaro
No plano nacional, a expectativa está voltada para a definição do candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro.
Segundo Upiara Boschi, diversas negociações foram realizadas nos últimos dias. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a aceitar o convite, mas a composição foi barrada dentro do próprio Progressistas, evidenciando dificuldades na relação entre Flávio Bolsonaro e o presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira.
O Republicanos também foi procurado e chegou a ser cogitado o nome da senadora Damares Alves, ex-ministra do governo Bolsonaro. Entretanto, o partido optou por priorizar alianças estaduais. Outra possibilidade envolveu o deputado federal Renata Abreu, presidente nacional do Podemos, mas a legenda também não sinalizou positivamente para integrar a chapa presidencial.
Diante desse cenário, Boschi acredita que a definição poderá sair de dentro do próprio grupo político do candidato.
“Vamos ver o que vai ser esta manhã de hoje, se vai ser uma solução caseira. A Julia Zanatta sempre é cotada, mas o favorito é Rogério Marinho, que é o grande articulador político da campanha do Flávio Bolsonaro e poderia aparecer como um nome, abrindo mão daquela ideia de ter uma mulher de vice para tentar melhorar a posição junto ao eleitorado feminino, já que as pesquisas indicam que Flávio Bolsonaro tem mais dificuldade nesse segmento.”
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