CIEE destaca oportunidades para jovens e orienta empresas sobre contratação de aprendizes e estagiários
O ingresso de jovens no mercado de trabalho pode ser uma importante porta de entrada para a construção de uma carreira. Em entrevista ao jornalista Lucas Casagrande, da Rádio Araranguá, a coordenadora do CIEE Araranguá, Tatiane Lourenço Santos, explicou como funcionam os programas de aprendizagem e estágio, quais são as responsabilidades de empresas e estudantes e como o CIEE atua durante o período de contratação.
Segundo Tatiane, a partir dos 14 anos o estudante já pode ingressar no programa de aprendizagem. Já o estágio pode ser realizado a partir dos 16 anos, desde que o estudante esteja cursando o ensino médio, além de também contemplar alunos do ensino superior.
“Hoje o estudante, a partir dos 14 anos de idade, já tem uma lei que protege ele e formaliza ele a trabalhar. Então, a partir dos 14, ele já pode ser jovem aprendiz. E a partir dos 16 anos completos e cursando o ensino médio, do primeiro, segundo e terceiro ano do nível médio, ele já pode ser estagiário”.
A coordenadora explica que a atuação do CIEE não termina no momento em que o jovem é contratado. No caso do programa de aprendizagem, o contrato pode durar até dois anos, período em que a entidade acompanha tanto o estudante quanto a empresa.
“O contrato fica durante dois anos. A gente está falando do programa aprendiz. Então, ele fica dois anos com esse contrato. E ao tempo desse contrato, o CIE vai acompanhar a empresa e o estudante”.
Acompanhamento vai além da contratação
O estudante contratado como aprendiz precisa cumprir também uma atividade teórica prevista no programa. A continuidade dos estudos é outro requisito destacado pela coordenadora.
“Ele precisa fazer uma atividade teórica, que é prevista em lei. Se ele não fizer a atividade teórica, ele perde o seu trabalho. Ou durante esse período, se ele é estudante, ele para de estudar, por exemplo, Lucas, ele também perde o trabalho”.
Para auxiliar nesse processo, o CIEE conta com profissionais de diferentes áreas. “A gente tem uma assistente social, uma psicóloga. A gente tem a educadora, que a gente chama de orientadora de aprendizagem. Toda equipe vai ajudar a empresa a se desenvolver”.
Tatiane explica que, quando o jovem apresenta dificuldades de adaptação ou percebe que aquela atividade não corresponde às suas expectativas, o acompanhamento também busca entender o problema antes de uma eventual saída.
“Se caso esse jovem não se desenvolva, a gente vai fazer um acompanhamento ao tempo que for necessário para que ele entenda que ele não conseguiu cumprir com a sua atividade ou, às vezes, não era aquilo que ele queria”.
Comportamento é um dos principais desafios
Durante a entrevista, a coordenadora também abordou uma questão frequentemente levantada por empresários: a dificuldade de encontrar e manter mão de obra.
Na avaliação de Tatiane, parte do desafio está relacionada ao comportamento e à necessidade de preparar melhor os jovens para compreenderem seu papel dentro de uma empresa.
“Nós precisamos, ao longo dos anos, entendido que nós precisamos, cada vez mais, de dar conhecimento a esse jovem. Apesar que é meio contraditório, a gente tem tanta informação, mas a gente precisa desenvolver esse jovem, fazer com que ele compreenda a importância dele na empresa, onde que ele pode chegar na empresa”.
Ela compara o desenvolvimento profissional a uma escada, ressaltando que o jovem precisa passar por diferentes etapas antes de alcançar posições de maior responsabilidade.
“A gente diz que é como se fosse uma escada, a gente não consegue subir do primeiro degrau lá no último, a gente precisa ir subindo degraus. E esses degraus vão tendo dificuldades, limitações”.
Segundo Tatiane, a preparação oferecida pelo CIEE também pode ajudar a compensar a pouca experiência profissional dos jovens. “São jovens que têm pouca experiência, e aí a gente vai trabalhando com eles lá no CIE, com cursos, com uma preparação, e aí a empresa vai absorver esse jovem e também vai moldar ele dentro da sua empresa, com os padrões da empresa”.
Comunicação entre empresa e jovem é fundamental
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a necessidade de melhorar a comunicação entre os jovens e os responsáveis pelas empresas.
Tatiane afirma que a nova geração possui características diferentes e que as empresas também precisam adaptar a forma de orientar e cobrar os trabalhadores que estão ingressando no mercado.
“A forma com que a gente reage com essa nova geração é que precisa a gente mudar. A gente não pode mais achar que o óbvio, que ele sabe que ele tem que estar fazendo tal atividade, a gente tem que falar de forma mais física possível”.
Para ela, é necessário explicar claramente ao jovem qual será sua função, quais são suas responsabilidades e quais consequências podem surgir quando uma tarefa não é realizada corretamente.
“A gente tem que dar as orientações mais possíveis, para que o jovem entenda que ele faz parte da empresa, da equipe, ele precisa cumprir com a sua atividade, e também, se ele não estiver bem ou não estiver gostando, que ele abra o jogo”.
A comunicação, segundo Tatiane, pode inclusive evitar o desligamento de um jovem que está enfrentando dificuldades de adaptação. “Às vezes, a empresa pode até colocar ele num outro setor, e ele vai super se desenvolver”.
CIEE busca identificar habilidades de cada jovem
Em vez de olhar apenas para aquilo que o jovem ainda não sabe fazer, a coordenadora defende que empresas e instituições de apoio também identifiquem suas habilidades e interesses.
“Quando eles fazem aquilo que eles realmente gostam, eles vão fazer bem feito. E, às vezes, faz mais bem feito do que a gente, que, às vezes, não tem a tecnologia. Então, a gente tem que olhar para o que é positivo desse jovem e tentar descobrir onde ele vai ser o potencial dele para aquela atividade”.
A partir dessa avaliação, o CIEE procura direcionar os candidatos para oportunidades que tenham relação com suas características. “Quando a gente tem as nossas vagas, a gente tenta entender o que ele gosta de fazer, porque, se ele tiver uma atividade que ele não goste, ele não vai fazer”.
Tatiane também reforçou a importância do feedback e de uma comunicação clara entre as partes. “Por isso a importância da comunicação, do feedback. Do ser o mais claro possível nessa comunicação”.
Empresas ainda buscam o “perfil ideal”
De acordo com a coordenadora, um dos desafios encontrados pelo CIEE está na expectativa de algumas empresas em relação ao profissional que pretendem contratar. “A gente percebe que a empresa ainda espera aquele perfil ideal. Ainda espera o profissional de 20 anos atrás”.
Ela ressalta, porém, que o jovem também está em processo de formação e que parte da qualificação deve acontecer dentro da própria empresa. “O jovem está se qualificando. Então, a empresa vai dar essa qualificação para ele do padrão da empresa. Ele tem ali o conteúdo teórico”.
A coordenadora cita como exemplo estudantes que já estão cursando uma graduação, mas ainda precisam desenvolver habilidades comportamentais e aprender as características específicas do ambiente profissional.
Comportamento pesa na permanência no emprego
Tatiane afirma que as dificuldades relacionadas ao comportamento não estão restritas aos jovens. Segundo ela, o desafio também aparece entre trabalhadores de diferentes idades.
“Muita empresa contrata pela parte técnica, porque precisava daquele profissional, mas demite pelo comportamento. Então, a gente vê que o problema é o comportamento, não o técnico”.
Entre os aspectos importantes estão assiduidade, pontualidade, cumprimento das tarefas e relacionamento com a equipe. “Se eu não tiver um bom comportamento, eu ser assíduo ali na empresa, chegar no horário, cumprir minhas rotinas, ser bom ali com a equipe, eu acabo saindo pela questão comportamental”.
RH estruturado pode ajudar na retenção
A atuação dos departamentos de Recursos Humanos também foi destacada como um fator importante para a permanência dos trabalhadores.
Tatiane explica que ouvir o colaborador e compreender suas dificuldades pode permitir ajustes antes que a pessoa decida deixar a empresa. “Quanto mais faz um feedback com o colaborador, com o estagiário, com o aprendiz, conversa, tenta identificar o que está fazendo ele ter dificuldade ou interromper uma produtividade, a empresa retém mais seu colaborador”.
Para a coordenadora, muitas vezes uma conversa simples ou um reconhecimento pelo trabalho realizado pode fazer diferença. “Às vezes, ali tem alguma situação que está incomodando e resolve. Tu estás fazendo um bom trabalho, tu estás indo bem, mas vamos lá, o melhor é aqui. É aquilo que faltava para a fagulha dar uma incentivada”.
Ela também chama atenção para o fato de que jovens que estão iniciando a carreira podem apresentar mais insegurança e incertezas. “É de uma geração que é um pouco mais sensível nesse sentido, porque está começando carreira, tem um pouco mais de insegurança, tem um pouco mais de incerteza”.
CIEE possui vagas em diferentes áreas
Durante a entrevista, Tatiane informou que o CIEE possui oportunidades disponíveis para estudantes de diferentes níveis de ensino e áreas de formação.
Entre as vagas citadas estão oportunidades administrativas, enfermagem, farmácia, ensino médio, aprendizagem e Educação Física, além de vagas nos municípios de Maracajá e Sombrio.
Segundo ela, havia 18 vagas relacionadas à Educação Física, incluindo oportunidades em academias.
Como os jovens podem se candidatar
Para ter acesso às oportunidades, o estudante precisa realizar o cadastro no CIEE e indicar se busca uma vaga de aprendizagem ou estágio. “Ele precisa se cadastrar no CIEE, o site é ciesc.org.br. Faz o cadastro, ali tanto caso ele tenha idade para aprendiz, ele coloca que é aprendiz ou estagiário e concorre às vagas”.
O candidato também pode acompanhar as oportunidades disponíveis e demonstrar interesse diretamente nas vagas. “Ele pode acompanhar essas vagas pelo nosso site também e se auto encaminhar. A gente recebe lá que ele está interessado para fazer a entrevista”.
Depois disso, o CIEE realiza a intermediação entre o estudante e a empresa. “A gente faz esse contato com a empresa, agenda entrevista, e os dois aí fazem o match. Aí eles vão conversar e vão realmente ver se aquilo que eles precisam”.
Diferenças entre aprendizagem e estágio
Tatiane também explicou que existem diferenças entre as duas modalidades. No programa de aprendizagem, o jovem possui carteira assinada e direitos trabalhistas. Já o estágio não gera vínculo empregatício. “O jovem aprendiz, ele tem carteira assinada, ele tem o recolhimento de FGTS. Então, a empresa vai recolher só que 2% de FGTS”.
Sobre o estágio, a coordenadora explicou: “O estágio, ele não gera vínculo de trabalho. Então, ele tem também dois anos de estágio. Ele pode ficar dois anos, só que não tem esse vínculo. Então, não tem carteira assinada”.
Ela destaca ainda que a bolsa-auxílio do estágio é definida pela empresa, enquanto o aprendiz possui remuneração proporcional à carga horária. “O aprendiz, ele tem já um piso salarial ali, do próprio piso da categoria, proporcional à carga horária, que é 20 horas semanais. Mas o estágio vai depender da empresa”.
Empresas também podem procurar o CIEE
As empresas interessadas em contratar aprendizes ou estagiários também podem realizar cadastro e solicitar apoio do CIEE. “Ele vai ali se cadastrar. Todos os dias a gente recebe cadastros das empresas”.
A entidade atende empresas de diferentes municípios da região e também oferece a possibilidade de realizar visitas para compreender as necessidades de cada estabelecimento.
“A gente também visita a empresa. Então, se a empresa quiser que a gente vá até a sua empresa, não importa dos municípios aqui, a gente vai até vocês. E a gente conversa, vê qual é o melhor dentro da necessidade, realidade da empresa”.
Para Tatiane, o objetivo é aproximar as expectativas das empresas e dos estudantes, criando uma relação que seja positiva para os dois lados. “A gente vai assessorar a empresa. E aí vamos ver qual é a necessidade, onde a gente pode auxiliar ela para contratar”.















