Política Desentendimento com filhos de Bolsonaro faz Michelle desistir de concorrer ao Senado e deixar comando do PL Mulher

Desentendimento com filhos de Bolsonaro faz Michelle desistir de concorrer ao Senado e deixar comando do PL Mulher

01/07/2026 - 09h20

Uma crise interna no Partido Liberal (PL) ganhou força nos últimos dias e escancarou divergências entre integrantes da família Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O episódio ocorre em um momento de articulação para as eleições de 2026 e levanta dúvidas sobre os reflexos na estratégia da legenda.

Para o analista político Upiara Boschi, “o momento é nacional” e o partido vive um racha envolvendo, de um lado, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e, de outro, Michelle Bolsonaro.

Segundo Boschi, o grupo liderado pelos filhos reúne o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, além do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, e do vereador Carlos Bolsonaro, lançado como pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.

Do outro lado está Michelle Bolsonaro, que deixou a presidência do PL Mulher após uma conversa com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Conforme o analista, Valdemar “antecipou a volta de uma viagem aos Estados Unidos para tentar resolver essa crise e acertar os ponteiros dentro do partido”.

Apesar da tentativa de pacificação, Boschi afirma que Michelle “está irredutível”. Ele destaca que ela chegou a cogitar deixar o partido, mas decidiu apenas renunciar ao comando do PL Mulher, estrutura que ajudou a organizar em todo o país.

O analista também observa que a ex-primeira-dama deixou claro que não pretende disputar o Senado pelo Distrito Federal e que “não quer tirar a pré-candidatura presidencial de Flávio”.

Na avaliação de Boschi, a crise apenas tornou pública uma disputa que já vinha acontecendo nas redes sociais. “Está surgindo para os olhos de todos o que já se via nas redes sociais, especialmente na plataforma X”, comenta.

Segundo ele, apoiadores ligados aos filhos de Bolsonaro e o grupo próximo de Michelle Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira trocam críticas há meses. O estopim teria sido um episódio no Ceará, quando Michelle criticou um acordo político envolvendo Flávio Bolsonaro para apoiar uma candidatura ao governo estadual.

Desde então, de acordo com Boschi, passaram a circular acusações de que Michelle não estaria engajada na campanha de Flávio e que teria interesse em ocupar seu espaço político. “É esse o debate que tem e que muitas vezes descamba para agressões”, observa o analista.

Para Boschi, a principal dúvida agora é sobre os efeitos da disputa interna no desempenho eleitoral do partido. “Agora tem que ver qual o efeito disso na pré-campanha de Flávio Bolsonaro”, conclui.