Política Jorginho evita confronto e reforça aliança com Novo em meio à crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Jorginho evita confronto e reforça aliança com Novo em meio à crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro

15/05/2026 - 12h47

O vazamento do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, segue provocando fortes repercussões políticas e ampliando tensões dentro do campo da direita brasileira. O conteúdo da conversa, que ganhou ampla divulgação nos últimos dias, trata do suposto financiamento do filme “Black Horse”, produção ligada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as informações reveladas, os valores envolvidos chegariam a R$ 124 milhões, divididos em parcelas que ainda não teriam sido integralmente quitadas.

Na conversa vazada, Flávio Bolsonaro aparece cobrando pagamentos relacionados ao projeto. Em sua defesa pública, o senador argumenta que não há qualquer irregularidade em sua atuação e mantém a cobrança pela instalação de uma CPI do Banco Master, incluindo críticas ao PT e pedidos para que integrantes do partido assinem o requerimento da comissão.

Para o comentarista político Upiara Boschi, a estratégia de defesa adotada por Flávio tem conseguido respaldo entre os setores mais bolsonaristas das redes sociais. Porém, segundo Upiara, um dos pontos mais delicados da crise está na relação entre o PL e o partido Novo em nível nacional.

A tensão aumentou após a manifestação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, considerado presidenciável pelo Novo. Menos de uma hora após o vazamento do áudio, antes mesmo do posicionamento oficial de Flávio Bolsonaro, Zema classificou a conversa como “imperdoável” e adotou um discurso duro contra Bolsonaro e também contra o presidente Lula, buscando se apresentar como alternativa política fora da polarização.

Segundo a análise de Upiara Boschi, a fala de Zema repercutiu fortemente dentro do PL, gerando desconforto desde as bases partidárias até lideranças nacionais. Nas redes sociais, aliados dos Bolsonaro passaram a pressionar por um rompimento político com o Novo.

Em Santa Catarina, a situação ganhou contornos ainda mais delicados. O Novo integra o projeto político do governador Jorginho Mello, já que o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, é apontado como possível vice na pré-candidatura de reeleição do governador. Diante da crise, o Novo catarinense divulgou rapidamente uma nota oficial afirmando que não havia sido informado previamente sobre a fala de Romeu Zema e classificando a manifestação como precipitada e inadequada.

Enquanto isso, a deputada federal Júlia Zanatta, que é muito próxima dos filhos de Jair Bolsonaro, fez transmissões ao vivo defendendo que o PL suspenda acordos políticos com o Novo em todos os Estados. Segundo ela, o partido dependeria do apoio do PL para manter cláusulas de barreira e ampliar suas composições eleitorais.

Já Jorginho Mello evitou ampliar o conflito. Durante evento em Blumenau, o governador afirmou concordar com a defesa apresentada por Flávio Bolsonaro, apoiando tanto o financiamento do filme quanto a proposta de CPI do Banco Master. Horas depois, esteve em Joinville para um almoço com Adriano Silva. Embora o conteúdo da conversa não tenha sido divulgado, a reunião teve forte simbolismo político ao reforçar a manutenção da aliança entre PL e Novo em Santa Catarina.

Na reta final da análise, Upiara Boschi ainda destacou um movimento curioso no cenário político catarinense. Enquanto Júlia Zanatta criticava publicamente o Novo e defendia o rompimento das alianças, quem reagia com aplausos nas redes sociais era o deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB. Cotado anteriormente para compor como vice de Jorginho Mello, Chiodini hoje aparece mais próximo do projeto político de João Rodrigues para 2026.

“É o mundo dando suas voltas”, resumiu Upiara Boschi ao encerrar sua análise sobre os impactos políticos do caso.

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