Locomotiva histórica chega ao bairro Barranca e entra na reta final para se tornar novo cartão-postal de Araranguá (VÍDEO)
Após meses de trabalho de restauração e preparação da estrutura que irá abrigá-la, a histórica locomotiva a vapor alemã Henschel já está no bairro Barranca, em Araranguá. O maquinário foi transportado até o local nesta madrugada de sexta-feira (10) e permanecerá sobre o caminhão durante o fim de semana para a realização dos últimos ajustes técnicos antes da etapa mais delicada de toda a operação: o posicionamento definitivo sobre os trilhos.
A instalação está prevista para ocorrer nos próximos dias e exigirá uma operação de alta precisão, envolvendo equipamentos especializados e uma equipe técnica preparada para acomodar, com segurança, as dezenas de toneladas da locomotiva sobre a base construída especialmente para recebê-la.
O chefe de gabinete da Prefeitura de Araranguá, Sandro Ramos, explica que, após o assentamento da máquina, o projeto entrará na fase de acabamento.
“Agora a gente vai para a parte da cobertura. Depois que ela tiver totalmente assentada ali sobre os trilhos, vêm os detalhes da finalização, como a colocação de materiais como britas, para trazer aquele aspecto de ambiente real. Após isso, a praça será revitalizada e, aí sim, a inauguração marcada.”
Além da estrutura que protegerá a locomotiva, o espaço receberá paisagismo, revitalização completa da praça e elementos que irão reproduzir o ambiente ferroviário da época, transformando o local em uma unidade temática do Museu Histórico Cônego Paulo Hobold.
Segurança reforçada
O novo espaço também contará com monitoramento permanente para garantir a preservação do patrimônio histórico.
“No local, já estamos com câmeras de vigilância 24 horas e com reconhecimento facial. Enfim, são equipamentos que vão ajudar não só na segurança do próprio patrimônio, mas reforçar a vigilância do local”, destacou Sandro Ramos.
Investimento preserva a memória ferroviária
O projeto representa um investimento de R$ 387.414 na construção da base estrutural, que possui 142,80 metros quadrados e guarda-corpo para garantir a segurança dos visitantes.
Mais do que uma obra de infraestrutura, a iniciativa busca resgatar um dos períodos mais importantes da história econômica de Araranguá.
Entre o final da década de 1920 e meados dos anos 1960, o bairro Barranca foi um dos principais polos de desenvolvimento do município, impulsionado pela ferrovia. Era dali que partiam e chegavam mercadorias, produtos agrícolas e passageiros, fazendo do trem um elemento essencial para o crescimento da cidade e de toda a região sul catarinense.
Embora a locomotiva instalada não tenha circulado originalmente na antiga linha entre Araranguá e Imbituba, ela representa o período em que as máquinas a vapor foram protagonistas do desenvolvimento regional.
Uma locomotiva com quase 90 anos de história
A locomotiva a vapor modelo Santa Fé E 209-0M foi fabricada em 1937 pela tradicional empresa alemã Henschel & Sohn, na cidade de Kassel.
Inicialmente, operou na Argentina pela estatal Ferrocarriles General Belgrano, realizando o transporte de cargas e passageiros. No fim da década de 1970, foi adquirida pelo governo brasileiro juntamente com outras dez locomotivas do mesmo modelo para atuar no transporte de carvão destinado ao Lavador de Capivari e à Termelétrica Jorge Lacerda, então administrada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
As máquinas permaneceram em operação até o início da década de 1990, quando foram aposentadas e destinadas ao Museu Ferroviário de Tubarão. Em 2024, a locomotiva foi oficialmente doada ao município de Araranguá, passando por um processo completo de revitalização para voltar a ser admirada pelo público.
Com máquina de força e tender, compartimento para carvão e água, a locomotiva possui capacidade para transportar 12 toneladas de carvão, 25 mil litros de água, desenvolver velocidade de até 45 km/h e tracionar cargas superiores a 20 toneladas.
Agora, quase nove décadas depois de sair da fábrica alemã, a imponente Henschel inicia um novo capítulo de sua história. Em vez de puxar vagões, ela passa a preservar a memória da ferrovia que ajudou a construir o desenvolvimento de Araranguá, tornando-se um dos mais importantes monumentos históricos e turísticos do município.









