Primeiro debate ao governo de SC tem estratégias dos candidatos e ausência de Jorginho Mello
O primeiro debate entre candidatos ao Governo de Santa Catarina marcou o fim de semana político no estado. Realizado no sábado pela NDTV, o encontro contou com João Rodrigues (PSD), Gelson Merisio (PSB) e Ralf Zimmer (PRD), enquanto o governador Jorginho Mello (PL) optou por não participar. A avaliação é do analista político da Rádio Araranguá, Upiara Boschi.
“Nós tivemos o primeiro debate com os candidatos ao governador do estado e ocorreu neste sábado, na NDTV. O encontro foi sem a presença do governador Jorginho Mello, que disse que só vai a quatro debates e quando começar o período eleitoral de fato”, explicou Upiara.
Segundo o analista, Jorginho Mello definiu que participará de quatro debates, sendo três promovidos por emissoras de televisão e um pelas rádios, por meio da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert).
Sem o governador, participaram do debate João Rodrigues, pelo PSD e sua aliança; Gelson Merisio, pelo PSB e partidos que apoiam o presidente Lula em Santa Catarina; e Ralf Zimmer, do PRD, federado com o Solidariedade.
“Então, sem Jorginho Mello, o que a gente viu? A gente viu os três outros nomes que podem participar dos debates, que são o João Rodrigues, pelo PSD com sua aliança, o Gelson Merisio, pelo PSB, com os partidos que apoiam Lula em Santa Catarina e o Ralf Zimmer, do PRD, federado com Solidariedade, que também tem o número mínimo de deputados federais, o que torna obrigatória sua presença em debates”, afirmou.
Ausência de Jorginho foi alvo de críticas
A ausência do governador esteve entre os principais assuntos do primeiro debate. Para Upiara, a reação dos adversários era previsível, especialmente porque candidatos que lideram pesquisas costumam evitar situações em que podem ser confrontados simultaneamente pelos demais concorrentes.
“E o que a gente viu nesse primeiro debate? Primeiro, as críticas pela ausência de Jorginho Mello, que são naturais. É do jogo político”, avaliou.
O analista citou ainda situações semelhantes ocorridas recentemente em outras disputas estaduais. “Geralmente quem está na frente, quem está melhor nas pesquisas, acaba evitando o desgaste, porque acaba sendo o alvo de todos os outros”, disse.
Apesar do tom ainda considerado moderado, Upiara avalia que o encontro serviu para apresentar as primeiras propostas e, principalmente, testar posicionamentos que podem ganhar espaço ao longo da campanha.
“O primeiro debate é sempre meio morno, todo mundo se estudando. O que me chamou a atenção nele? Primeiro, o ensaio das primeiras promessas, mas ainda muito estudado, ninguém se comprometendo muito.”
Merisio tenta associar candidatura a Lula
Na avaliação do analista, Gelson Merisio utilizou o debate para reforçar sua identificação com o campo político ligado ao presidente Lula e tentar alcançar o eleitorado de esquerda em Santa Catarina.
“O Gelson Merisio, por exemplo, que precisa ser percebido pelo eleitor como o candidato oficial da esquerda, o candidato que Lula apoia em Santa Catarina. Ele colou no paletó dele a palavra Lula. Não colocou PSB, não botou número e sim, Lula”, afirmou.
Para Upiara, a estratégia está relacionada à tentativa de reproduzir, em Santa Catarina, um desempenho semelhante ao obtido por Décio Lima na eleição anterior.
“Afinal, se ele fizer a votação de Lula em Santa Catarina tem chance de ir para o segundo turno, como o Décio Lima foi na eleição passada”, analisou.
Entre as propostas apresentadas por Merisio, uma das mais claras foi a criação de uma Secretaria de Estado da Cultura, acompanhada de uma redução no número total de secretarias.
“A primeira promessa mais clara que a gente viu do Gelson Merisio e que também é uma crítica ao governo de Jorginho Mello foi relacionado a cultura”, destacou Upiara.
Segundo ele, Merisio afirmou que pretende reduzir o número de secretarias estaduais de 25 para dez, incluindo uma estrutura específica para a Cultura. “Então, para todas as 25 que o governador Jorginho Mello tem, se Merisio for eleito, vai reduzir para 9, porque Secretaria de Cultura o governador Jorginho Mello não tem”, explicou.
João Rodrigues sinaliza mudanças na Casan
Outro tema que chamou atenção foi a posição de João Rodrigues sobre o saneamento básico e a Casan, durante confronto com Ralf Zimmer.
“E o João Rodrigues, numa pergunta sobre saneamento, duelando ali com o Ralf Zimmer, falou que vai mexer na Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento)”, relatou Upiara.
O analista observou, porém, que a proposta ainda não foi apresentada de maneira definitiva. João Rodrigues afirmou que pretende contratar uma empresa por meio de licitação para atuar no saneamento básico, mas não utilizou o termo privatização.
“Como que é isso? É uma privatização? Ele não usou essa palavra. O Ralf Zimmer, no confronto, disse que isso parece uma privatização”, explicou.
Para Upiara, o episódio pode indicar que a Casan será um dos temas explorados por João Rodrigues durante a campanha, especialmente em razão do histórico de enfrentamento do prefeito de Chapecó com a companhia.
“A palavra privatização não foi usada, mas a ideia de algum controle privado da Casan foi insinuada por João Rodrigues na campanha eleitoral”, afirmou.
Disputa interna do bolsonarismo ganha novo capítulo
Fora do debate, outro episódio político de destaque no fim de semana envolveu integrantes do bolsonarismo em Santa Catarina.
“O Flávio Bolsonaro cobrando Ana Campagnolo, a deputada estadual e recordista de votos da história de Santa Catarina, um dos principais nomes da direita aqui no estado”, destacou Upiara.
O episódio ocorreu após a deputada ter demonstrado resistência em participar de uma gravação pedindo votos para Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado federal por Santa Catarina.
Segundo o analista, Ana Campagnolo publicou um vídeo com Flávio Bolsonaro no domingo, Dia dos Pais, e recebeu uma resposta pública do mesmo.
“E o Flávio respondeu que se ela não fizer um vídeo para Carlos Bolsonaro é para ela não usar vídeos dele (Flávio), nem do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nessa campanha”, relatou.
Ainda de acordo com Upiara, Ana Campagnolo respondeu afirmando que Carlos Bolsonaro não havia procurado a deputada até aquele momento.
“Então, tipo, essa disputa interna do bolsonarismo, que não está cicatrizada e a gente percebe que cada vez mais tem essa disputa interna, e ela não parece que vai deixar de acontecer”, avaliou.
Esperidião Amin define segunda suplência
Outro movimento político confirmado no fim de semana foi a definição da segunda suplência da candidatura de Esperidião Amin ao Senado.
“A última suplência que faltava era a dele. O primeiro suplente, Volnei Weber, deputado do Sul do Estado, do MDB, já havia sido escolhido”, explicou Upiara.
A segunda vaga chegou a ser discutida entre diferentes possibilidades, incluindo o ex-prefeito de Nova Veneza, Ginásio Spilere. Também se buscava uma mulher, mas a definição, entretanto, ficou com Joinville.
“Porém, ficou para Joinville: Eni Voltolini, ex-deputado estadual, que foi secretário de Saúde do segundo governo Amin, no final dos anos 90 e início dos anos 2000”, afirmou.
Upiara lembrou ainda que Voltolini já havia integrado uma chapa com Amin no passado.
“Ele, inclusive, foi o nome escolhido em 2002 para ser o vice de Amin na reeleição e acabaram derrotados por Luiz Henrique naquela composição”, concluiu.
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