Geral Reinaldo Pereira: uma trajetória de superação e paixão no mundo do Rádio

Reinaldo Pereira: uma trajetória de superação e paixão no mundo do Rádio

19/02/2024 - 08h34

Em entrevista à Rádio Araranguá, no programa 95.5 Entrevista, o apresentador e cerimonialista Reinaldo Pereira compartilhou detalhes íntimos de sua jornada no mundo dos negócios e seu início marcante na emissora que o viu crescer.

Nascido em Araranguá, Reinaldo enfrentou um início de vida muito humilde, chegando até mesmo a passar por situações de necessidade extrema, como a falta de alimentos básicos. “Chegamos a passar fome, nos alimentávamos com água e açúcar”, relembra emocionado o apresentador.

Em meio às lembranças, Reinaldo não pôde conter a emoção ao falar sobre sua mãe, figura central em sua vida. “Minha mãe foi tudo para mim”, desabafa. Apesar das dificuldades, a conexão com a Rádio Araranguá era forte em sua família, sendo sua mãe uma ouvinte assídua. Antes de falecer, deixou um bilhete marcante para Reinaldo. “Ela pediu para ligar o despertador para o dia seguinte. Isso me marca, porque tempo depois ela faleceu”.

A trajetória de Reinaldo no rádio começou aos 18 anos, quando seu ex-cunhado, já funcionário da emissora, o incentivou a buscar uma oportunidade de trabalho lá. Inicialmente como operador, Reinaldo mergulhou nas complexidades técnicas da profissão, desde o manuseio de cartuchos até o controle dos comerciais no ar, desempenhando com destreza cada função que lhe foi confiada.

“Na época, estava começando a instalações dos computadores, mas peguei o início com cartuchos. Eram duas cartucheiras, uma para comercial e outra para colocar no ponto. Era uma loucura, a dificuldade era muito maior. Em 15 dias operando, houve um problema e tive que vir para o período da manhã, fazer o Dia a Dia com o Saulo. Uma grande responsabilidade”.

Dando continuidade em sua carreira na Rádio Araranguá, o apresentador passou inúmeras áreas até chegar ao microfone. Uma delas foi a Opec. “Após o período de operador, surgiu uma oportunidade de Opec. Para quem não sabe o que é, trata-se da função que coloca os comerciais no ar. Existe todo um cronograma com horários específicos para rodar. Essa função é o coração da rádio. Tudo que aprendi foi com a emissora. Passei por todas as áreas. Depois de um tempo, fui para o comercial”.

No entanto, foi a famosa personagem “Velha Genoveva” que o impulsionou no mundo radiofônico. Originada de brincadeiras entre amigos, a personagem ganhou vida na voz de Reinaldo e conquistou o coração dos ouvintes da Rádio Araranguá. O sucesso foi tão grande que ele passou a ser reconhecido não apenas pela voz, mas também pela própria personificação da Velha Genoveva.

“Comecei a vir em datas especiais para fazer o personagem. Quando vi, estava vindo todos os dias. O tempo foi passando e o Saulo pediu para eu apresentar um quadro que existia na Rádio, o Fuxico. Foi um verdadeiro divisor de águas na minha vida profissional”.

Contudo, o preço dessa fama teve seu ônus, levando Reinaldo a refletir sobre os limites de sua própria saúde vocal. Em um gesto simbólico, decidiu encerrar o ciclo da Velha Genoveva, deixando para trás não apenas um personagem, mas toda uma era de sua carreira.

“Em um certo dia, veio uma menininha na Rádio e queria conhecer a Genoveva. Com isso, iniciou o programa e eu a chamei para o estúdio. Quando começou o programa e ela me viu, começou a chorar. Ela não esperava ver um homem fazendo uma velha. Esse episódio me marcou muito. Com o passar do tempo, minha voz foi sendo machucada com a imitação da velha, daí decidi parar. No dia primeiro de abril, pedi para o Jairo Silva matar a Genoveva no ar. Ele leu a carta de falecimento dela. Nesse dia ligou várias pessoas perguntando se eu tinha morrido. Os ouvintes queriam me bater, tive que colocar a velha no ar, do além”, acrescentou Reinaldo.

Ao longo de sua jornada na Rádio Araranguá, Reinaldo encontrou em Evaldo Stopassoli não apenas um chefe, mas um mentor e figura paterna. O apoio e as oportunidades proporcionadas por Stopassoli foram fundamentais para o crescimento profissional de Reinaldo, que reconhece nele um dos principais pilares de sua trajetória na rádio.

“Não tive um pai muito presente. Acredito que o seu Evaldo foi esse pai. Senti muito a perda. Ele nunca perguntava como estávamos, mas como nossa família estava. Isso era muito importante para mim”, relatou Reinaldo.

A entrevista de Reinaldo Pereira na Rádio Araranguá não apenas revela os desafios enfrentados por ele ao longo de sua trajetória, mas também ressalta a importância da paixão, da superação e do apoio mútuo no universo do rádio, deixando um legado inspirador para as futuras gerações de comunicadores.