Política Vereadores cobram respostas da CCR ViaCosteira e do DNIT para problemas que afetam Araranguá

Vereadores cobram respostas da CCR ViaCosteira e do DNIT para problemas que afetam Araranguá

12/06/2026 - 09h46

Falta de diálogo, obras paradas, acessos comprometidos e prejuízos para moradores e agricultores. Esses foram alguns dos principais temas debatidos pelos vereadores Joel Casagrande, Samuel Jesuíno e Donizete Martins, o Dédo, durante entrevista concedida ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá.

Os parlamentares demonstraram preocupação com a ausência de respostas da CCR ViaCosteira e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) diante de demandas consideradas fundamentais para a mobilidade, segurança e desenvolvimento de Araranguá.

Um dos assuntos levantados foi o fechamento de uma passagem sob o viaduto da BR-101, utilizada há anos por agricultores das comunidades de Volta Silveira e Sanga do Marco. Segundo o vereador Samuel Jesuíno, a medida obrigou produtores rurais a realizarem longos desvios com máquinas agrícolas.

“Quando foi feita a BR-101, foi deixado esse tráfego ali. Daí, simplesmente, eles vão lá e fecham. Fechou e deu, tá bom? Quem está do lado de lá que se exploda e quem está do lado de cá que se exploda também”, criticou.

O vereador destacou que a solução exigiria apenas uma pequena ligação viária. “Tem um pedaço ali que liga uns 50, 100 metros que dá a saída para o pessoal. Não tendo essa passagem, o pessoal tem que dar uma volta enorme. Isso é uma falta de respeito com o nosso agricultor”.

Além do transtorno, Samuel alertou para os riscos causados pelo deslocamento de máquinas agrícolas pela rodovia. “Uma máquina na estrada, o perigo que é. Um trajeto que podia ser de dez minutos se torna em duas horas para ir e voltar”.

Falta de acessos preocupa moradores da região sul

O vereador Donizete Martins, o Dédo, também relatou dificuldades enfrentadas pela comunidade da região sul da cidade, especialmente em relação ao acesso à nova Paróquia São José.

Segundo ele, atualmente os motoristas precisam percorrer grandes distâncias para acessar a localidade. “Não temos uma descida. A próxima fica no Mercado Pereira e a outra só na Polícia Rodoviária. Então, para ter acesso à paróquia é muito difícil”.

Dédo lembrou que o problema já foi levado oficialmente à CCR. “Fizemos requerimento, fomos até Tubarão, entregamos tudo o que pediram. Mas é a mesma coisa: nada. Nem uma resposta para a comunidade”.

Projeto de mão única gera preocupação no Parque Industrial

Outro ponto debatido foi a possível implantação de mão única em acessos próximos à BR-101, situação que preocupa empresários e moradores.

Joel Casagrande afirmou que os vereadores tentam há meses obter informações sobre o projeto. “Nós queremos ver o contrato. Queremos saber o que vai acontecer antes de implantarem alguma mudança. O que vai acontecer na frente da minha casa? O que vão fazer no meu pátio?”.

O vereador criticou a falta de transparência da concessionária. “Nós estamos pedindo para eles virem aqui e dizerem o que vão fazer. Nem esse tipo de resposta a gente tem”.

Ciclovia gera dúvidas sobre segurança

Os vereadores também demonstraram preocupação com o traçado da ciclovia em implantação no acesso ao Arroio do Silva.

Para Samuel Jesuíno, o projeto pode acabar criando novos riscos aos ciclistas. “Uma coisa que é para tirar o ciclista do meio do trânsito vai colocar ele no problema. Quando chega ao trevo, ele vai ter que atravessar as duas pistas. No verão, com todo aquele movimento, vai ficar complicado”.

Audiência pública pode ser realizada

Diante da dificuldade de diálogo com a CCR, os vereadores defendem a realização de uma audiência pública.

Joel Casagrande afirmou que a intenção é unir forças para cobrar esclarecimentos. “Nós vamos nos unir e propor uma audiência pública. Eles precisam mandar um representante da CCR para explicar essas situações”.

Os parlamentares também questionaram a falta de acesso às informações do contrato da concessão. “É uma vergonha a gente morar em um município cortado pela BR-101 e não ter direito de saber o que será feito”, afirmou Joel.

DNIT mantém projeto parado há mais de um ano

Além das críticas à CCR, os vereadores também cobraram agilidade do DNIT em relação a uma obra considerada estratégica para Araranguá.

Joel Casagrande explicou que a prefeitura investiu recursos próprios para elaborar o projeto exigido pelo órgão federal. “O prefeito licitou o projeto, pagou cerca de R$ 300 mil, fez a sondagem que eles pediram e levou tudo para o DNIT. Agora o projeto está lá há mais de um ano e meio esperando aprovação”.

Segundo o vereador, o município realizou todas as etapas solicitadas, mas a autorização final continua sem ser emitida. “A gente acha que é má vontade. Tudo pode ter problema, mas isso já passou dos limites”.

Prejuízos para empresas e moradores

A demora na aprovação das obras preocupa empresários instalados na região afetada. “Temos mais de cinquenta empresas naquele trecho. Tem empresa indo embora por causa dessa situação”, alertou Samuel Jesuíno.

Os vereadores também citaram problemas relacionados à drenagem urbana.

Segundo Dédo, existe um projeto pronto para evitar alagamentos em uma rua próxima à Polícia Rodoviária Federal, mas a obra depende apenas de autorização dos órgãos responsáveis.

“Está tudo pronto na prefeitura. É só cortar a BR e conectar a tubulação. Eles não autorizam. Quando vier uma chuva forte, as casas dos moradores vão inundar novamente”.

Vereadores defendem continuidade da mobilização

Ao final da entrevista, os parlamentares reforçaram que continuarão cobrando soluções para os problemas apresentados.

Para Samuel Jesuíno, a atuação dos vereadores tem sido constante, apesar das dificuldades enfrentadas junto aos órgãos responsáveis. “A cada dia a gente acorda pensando na cidade e vai dormir pensando nos problemas que não foram resolvidos”.

Já Joel Casagrande destacou que muitas demandas dependem exclusivamente da autorização de órgãos externos. “A gente está lutando, brigando e trabalhando. Mas, infelizmente, tem situações que escapam da nossa mão. Se dependesse da gente, já estariam resolvidas”.

Donizete Martins também ressaltou a importância do debate público. “Vamos sempre batalhar por um futuro melhor para o nosso município de Araranguá”.

A principal reivindicação dos vereadores é que CCR ViaCosteira, ANTT e DNIT ampliem o diálogo com o município e apresentem respostas concretas às demandas que, segundo eles, impactam diretamente a vida dos moradores, agricultores e empresários da cidade.