Política Vereadores reprovam e viagem prometida no projeto Câmara Jovem, pode ser bancada pelos pais

Vereadores reprovam e viagem prometida no projeto Câmara Jovem, pode ser bancada pelos pais

24/11/2022 - 14h24

Continua gerando muita insatisfação e polêmica a reprovação de dois projetos de resolução na Câmara de Vereadores de Araranguá, na sessão da última segunda-feira, ambos envolvendo adolescentes. Um autorizava a despesa para os integrantes do projeto Câmara Jovem conhecerem a Assembleia Legislativa de Santa Catarina e, no mesmo dia, uma possível visita ao governador, Carlos Moisés, na Casa da Agronômica, em Florianópolis. Já o outros não autorizou o reconhecimento dos alunos destaques em Araranguá.

Nessa quinta-feira, 24, em entrevista ao jornalista Saulo Machado, na Rádio Araranguá, vereadores mirins e professores falaram sobre o assunto.

“Nós fomos convocados para estarmos presentes na terça-feira na Câmara dos Vereadores, juntamente com os nossos pais. Lá recebemos a notícia que a viagem não estaria acontecendo porque o orçamento não havia sido aprovado para isso. Na hora que recebemos a notícia foi um choque. Nós trabalhamos durante seis meses em todas as sessões e já tinha sido prometido para nós desde o começo. Inclusive na divulgação (do projeto) nas escolas, tinham dito que teria essa viagem, que seria um aprendizado para nós”, explica Marina Fernandez Moraes, presidente da Câmara Jovem.

Nas escolas a insatisfação também foi geral. “Foi bem decepcionante. Tivemos uma reunião e fomos comunicados que não haveria essa viagem. Nós diretores ficamos bem chocados na verdade. Uma coisa que foi planejada no início do ano, foi nos apresentado como parte do projeto, para que fosse feita a eleição na escola e fizemos isso da forma correta. Veio como um projeto realmente. Tudo organizado. Eles levaram urnas, cédulas, enfim, tudo muito bem organizado. Os próprios alunos fizeram tudo certo conforme as orientações. E no final para contemplar, haveria a viagem. Isso realmente nos pegou de surpresa, essa negativa dos vereadores”, afirma Márcia Martins, diretora do Colégio Castro Alves, uma das escolas participantes do projeto.

Pedro Henrique, que faz parte da mesa diretora do Câmara Jovem, lamentou o ocorrido. “A vontade que eles (vereadores) tiveram foi mínima. Dinheiro eles têm de sobra. Seria um momento de bastante aprendizado. Poderíamos conhecer melhor o trabalho dos deputados. Se quiséssemos seguir a carreira de político poderíamos ter mais esse aprendizado para a futuro escolha”.

Com a negativa do Poder Legislativo, não está descartado os próprios pais, para evitarem o desapontamento dos adolescentes, bancarem a viagem. “Quando recebemos a notícia, os próprios pais se prontificaram em conseguir um transporte mais viável. Se for o caso, nós mesmo iremos pagar por essa viagem. Claro que esperamos que os vereadores, mesmo que tenham negado, percebam o que fizeram, o que tiraram da gente e como trataram a gente”, desabafou Marina Fernandez Moraes, presidente da Câmara Jovem.

Motivação

“Qual será a motivação no ano que vem para a continuidade do projeto, se os próprios vereadores mirins estão sentindo que não valeu a pena todo esse tempo que eles estiveram ali trabalhando de forma espontânea”, coloca a diretora do Colégio Castro Alves.   

Aluno destaque

O projeto Aluno destaque também foi rejeitado pelos vereadores de Araranguá. Roselane Rocha Nazário, diretora da escola do Jardim das Avenida, conta que o desânimo foi grande no meio acadêmico. “Recebi com tristeza. Esse trabalho serve para destacar os alunos que têm um bom desempenho durante todo o ano. Aquele aluno que é avaliado como um todo, tanto na aprendizagem como na questão da participação. É uma lei que existe desde 2019, infelizmente em 2020 não conseguimos devido a pandemia. Esse ano trabalhamos isso na escola, para o aluno se empenhar, fazer as atividades e estudar bastante e isso infelizmente foi recebido com um certo desprezo (pelo legislativo). Essa era uma forma de estar reconhecendo a criança, a família, a escola, valorização do estudo. Temos que valorizar o estudo para as crianças quererem estudar. Os políticos têm que fomentar mais isso nas suas decisões”.