Audiência pública para tratar do edital da gestão do HRA não foi conclusiva, mas expôs problemas, representantes do governo ouviram o pedido de cancelamento do edital para escutar os secretários da região
Os espaços da Câmara de Vereadores de Araranguá se tornaram pequenos para a assistência durante a audiência pública que discutiu o edital para a gestão do HRA. Galerias e plenário foram tomados por vereadores, secretários municiais de Saúde e alunos da UFSC, SINDISAUDE, além dos representantes do governo do Estado e do deputado estadual Tiago Zilli.
Preocupação
A Diretora geral do campus Araranguá da UFSC, Melissa Negro Delaqua, explanou sobre a parceria que a universidade mantém com o HRA e a preocupação da garantia dos espaços, com a possibilidade de troca na gestão do hospital. Citou os cursos que dependem da parceria e o grande número de alunos que não podem ser prejudicados. Citou que ainda não existe garantia de que os alunos da UFSC poderão continuar a ocupar tais espaços no hospital
Sindicato
O presidente do SINDISAUDE, Cléber Candido, reiterou o que já vem afirmando em relação aos trabalhadores do hospital. Elogiou a postura do IMAS, que segundo ele, vem cumprindo, com louvor, tudo o que é acordado com o sindicato. Também lembrou de outras administrações que foram desastrosas para os trabalhadores, o que não quer que se repita.
Pró-reitora
A pró-reitora de graduação e educação básica da UFSC, Dilciane Carraro, justificou a ausência do reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, que estava programado para vir à audiência, mas devido a algumas questões administrativas, teve que reprogramar a agenda. Falou de dificuldades da universidade, mas também ressaltou a parceria com o HRA para os alunos de fisioterapia e de medicina. Demonstrou preocupação em relação a possível mudança de gestão e o que consta no edital. Pediu garantias de que haverá prioridade para manter o espaço necessário para a formação dos alunos da universidade.
Política
O deputado estadual Tiago Zilli apresentou uma fala política na audiência. Trabalhou na linha de acreditar na boa intenção do governo, mas também entendeu a preocupação manifestada na audiência pública. Se posicionou favorável a rever algumas questões no edital. Lembrou de emendas que destinou ao IMAS para a melhoria das condições do hospital, como no caso da instalação de aparelhos de ar condicionados.
Governo
Também esteve presente na audiência, a diretora de supervisão e controle das organizações sociais, Janine Silveira dos Santos. Ela representou o secretário estadual da Saúde, Diogo de Marchi. Deixou claro não querer falar em troca de gestão, uma vez que “não queremos tirar o IMAS da gestão”. Apresentou um discurso explicativo ponto, por ponto, sobre as questões levantadas por todas as falas anteriores. Disse que o edital foi baseado em conversa com a regulação e ACIR. Garantiu que a presença de alunos da UFSC é um prazer para o governo do Estado.
O edital
O edital em si, foi explicado pela enfermeira Marta Bauer, atualmente como gerente de metas da secretaria de Saúde. Coube a ela explicar com detalhes tudo o que o edital prevê, passando a ideia de que ele está bem elaborado e que a intenção do governo é melhorar o atendimento e aumentar significativamente o número de atendimentos, bem como a qualidade e avanços que pretende para o hospital. Ela também tentou desmistificar alguns posicionamentos contrários ao edital.
Manifestação
A principal manifestação contrária ao edital veio do ex-secretário de Saúde do Balneário Arroio do Silva, Rogério Ferreira da Costa. Ele explicou em detalhes o que vai acontecer, se não houver mudanças no edital. Disse que as cirurgias eletivas serão prioridade para quem vai administrar o hospital, para “ganhar dinheiro”, e quem precisa de cirurgia por fratura, por exemplo, terá que esperar. Disse que ele e a secretária de Saúde de Araranguá, representando os demais secretários municipais de Saúde, receberam do secretário e da coordenadora regional de Saúde, a garantia de que o edital seria discutido conforme as necessidades da região, o que não aconteceu. Disse não entender porque a UNESC foi convidada para a primeira reunião com o governo para tratar do assunto. Também afirmou estranhar que o edital tenha sido feito a toque de caixa, quando existe uma gestão no hospital e que existe tempo para rediscutir. “Esse edital é uma vergonha, precisamos ser ouvidos, é nossa região, é nosso atendimento SUS”, esbravejou.
Posição
Já a secretária de Saúde de Araranguá Daiane Biff, representando a ACIR, reiterou partes do que disse Rogério e pediu que o governo suspendesse o edital, ou abrisse para a discussão com a participação de nossa região. Nó aqui sabemos o que precisamos deste hospital e o edital não contempla a maioria de nossos anseios”, afirmou. Daiane ainda lembrou que não é preciso ter pressa e que o edital, pode sim, ser suspenso, ou revisto, sem qualquer prejuízo ao atendimento no hospital.









