Política Audiência pública para tratar do edital da gestão do HRA não foi conclusiva, mas expôs problemas, representantes do governo ouviram o pedido de cancelamento do edital para escutar os secretários da região

Audiência pública para tratar do edital da gestão do HRA não foi conclusiva, mas expôs problemas, representantes do governo ouviram o pedido de cancelamento do edital para escutar os secretários da região

14/03/2025 - 10h32

Os espaços da Câmara de Vereadores de Araranguá se tornaram pequenos para a assistência durante a audiência pública que discutiu o edital para a gestão do HRA. Galerias e plenário foram tomados por vereadores, secretários municiais de Saúde e alunos da UFSC, SINDISAUDE, além dos representantes do governo do Estado e do deputado estadual Tiago Zilli.

Preocupação

A Diretora geral do campus Araranguá da UFSC, Melissa Negro Delaqua, explanou sobre a parceria que a universidade mantém com o HRA e a preocupação da garantia dos espaços, com a possibilidade de troca na gestão do hospital. Citou os cursos que dependem da parceria e o grande número de alunos que não podem ser prejudicados. Citou que ainda não existe garantia de que os alunos da UFSC poderão continuar a ocupar tais espaços no hospital

Sindicato

O presidente do SINDISAUDE, Cléber Candido, reiterou o que já vem afirmando em relação aos trabalhadores do hospital. Elogiou a postura do IMAS, que segundo ele, vem cumprindo, com louvor, tudo o que é acordado com o sindicato. Também lembrou de outras administrações que foram desastrosas para os trabalhadores, o que não quer que se repita.

Pró-reitora

A pró-reitora de graduação e educação básica da UFSC, Dilciane Carraro, justificou a ausência do reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, que estava programado para vir à audiência, mas devido a algumas questões administrativas, teve que reprogramar a agenda. Falou de dificuldades da universidade, mas também ressaltou a parceria com o HRA para os alunos de fisioterapia e de medicina. Demonstrou preocupação em relação a possível mudança de gestão e o que consta no edital. Pediu garantias de que haverá prioridade para manter o espaço necessário para a formação dos alunos da universidade.

Política

O deputado estadual Tiago Zilli apresentou uma fala política na audiência. Trabalhou na linha de acreditar na boa intenção do governo, mas também entendeu a preocupação manifestada na audiência pública. Se posicionou favorável a rever algumas questões no edital. Lembrou de emendas que destinou ao IMAS para a melhoria das condições do hospital, como no caso da instalação de aparelhos de ar condicionados.

Governo

Também esteve presente na audiência, a diretora de supervisão e controle das organizações sociais, Janine Silveira dos Santos. Ela representou o secretário estadual da Saúde, Diogo de Marchi. Deixou claro não querer falar em troca de gestão, uma vez que “não queremos tirar o IMAS da gestão”. Apresentou um discurso explicativo ponto, por ponto, sobre as questões levantadas por todas as falas anteriores. Disse que o edital foi baseado em conversa com a regulação e ACIR. Garantiu que a presença de alunos da UFSC é um prazer para o governo do Estado.

O edital

O edital em si, foi explicado pela enfermeira Marta Bauer, atualmente como gerente de metas da secretaria de Saúde. Coube a ela explicar com detalhes tudo o que o edital prevê, passando a ideia de que ele está bem elaborado e que a intenção do governo é melhorar o atendimento e aumentar significativamente o número de atendimentos, bem como a qualidade e avanços que pretende para o hospital. Ela também tentou desmistificar alguns posicionamentos contrários ao edital.

Manifestação

A principal manifestação contrária ao edital veio do ex-secretário de Saúde do Balneário Arroio do Silva, Rogério Ferreira da Costa. Ele explicou em detalhes o que vai acontecer, se não houver mudanças no edital. Disse que as cirurgias eletivas serão prioridade para quem vai administrar o hospital, para “ganhar dinheiro”, e quem precisa de cirurgia por fratura, por exemplo, terá que esperar. Disse que ele e a secretária de Saúde de Araranguá, representando os demais secretários municipais de Saúde, receberam do secretário e da coordenadora regional de Saúde, a garantia de que o edital seria discutido conforme as necessidades da região, o que não aconteceu. Disse não entender porque a UNESC foi convidada para a primeira reunião com o governo para tratar do assunto. Também afirmou estranhar que o edital tenha sido feito a toque de caixa, quando existe uma gestão no hospital e que existe tempo para rediscutir. “Esse edital é uma vergonha, precisamos ser ouvidos, é nossa região, é nosso atendimento SUS”, esbravejou.

Posição

Já a secretária de Saúde de Araranguá Daiane Biff, representando a ACIR, reiterou partes do que disse Rogério e pediu que o governo suspendesse o edital, ou abrisse para a discussão com a participação de nossa região. Nó aqui sabemos o que precisamos deste hospital e o edital não contempla a maioria de nossos anseios”, afirmou. Daiane ainda lembrou que não é preciso ter pressa e que o edital, pode sim, ser suspenso, ou revisto, sem qualquer prejuízo ao atendimento no hospital.