Política Vereadores defendem debate sobre trânsito e cobram regulamentação para motos e patinetes elétricos em Araranguá

Vereadores defendem debate sobre trânsito e cobram regulamentação para motos e patinetes elétricos em Araranguá

15/06/2026 - 09h53

O aumento do número de motos elétricas, patinetes e outros veículos autopropelidos circulando pelas ruas de Araranguá tem gerado preocupação entre autoridades e moradores. O tema foi debatido pelos vereadores Nelson Soares, Márcio Mano e Evandro Conceição durante entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, quando foram discutidos os desafios da mobilidade urbana, a necessidade de regulamentação e a conscientização dos usuários.

A discussão ganhou força após um acidente envolvendo uma usuária de veículo elétrico registrado recentemente no município.

O vereador Evandro Conceição relatou ter presenciado um acidente que o impressionou pela gravidade da situação. “Um acidente que, de certa forma, nos chocou. Era uma senhora trabalhadora que estava indo para sua residência e eu mesmo me choquei com a cena, porque ela estava praticamente debaixo da roda do caminhão. Graças a Deus o caminhão parou a tempo”.

Segundo ele, o caso evidenciou um problema que vai além da simples circulação dos equipamentos. “A gente vê que o problema não vem somente da questão do veículo. Isso já se tornou um problema social. Muitas pessoas querem resolver a questão da mobilidade, ser mais rápido e mais barato, mas a gente não está preparado para isso”.

Evandro também destacou situações de risco observadas diariamente no centro da cidade. “Eu estava saindo de uma loja quando uma senhora passou muito perto de mim. Ela não tinha muito equilíbrio e quase bateu em mim. Precisamos discutir isso antes que aconteça algo pior”.

Legislação gera dúvidas entre usuários

Durante a entrevista, o vereador Nelson Soares explicou que a legislação federal enquadra os autopropelidos em uma categoria intermediária entre bicicletas e ciclomotores.

“Até 32 quilômetros por hora é considerado autopropelido. Acima disso, até 50 quilômetros por hora, já é ciclomotor. A partir de 50 quilômetros por hora passa a ser motocicleta”.

Segundo ele, os autopropelidos não exigem habilitação, emplacamento ou equipamentos obrigatórios de proteção. “Apesar de não ser obrigatório o uso do capacete, ele é extremamente necessário. A pessoa tem que se proteger”.

Nelson ressaltou que muitos usuários desconhecem as regras básicas de circulação. “O mínimo de conhecimento das regras de trânsito é necessário. O que a gente vê são adolescentes, jovens e até pessoas mais idosas utilizando esses veículos sem preparo adequado”.

Município pode criar regras próprias

Os vereadores defenderam que Araranguá realize estudos para regulamentar a circulação dos veículos elétricos nas vias urbanas.

Nelson explicou que o município possui autonomia para estabelecer restrições em ruas e espaços públicos. “O município pode legislar sobre as suas ruas e calçadas. Pode definir onde esses veículos poderão andar e onde não poderão”.

Ele lembrou que, pela legislação atual, os autopropelidos não podem circular em determinadas vias. “Eles só podem andar em ruas com velocidade máxima de até 40 quilômetros por hora. Muitos estão transitando em locais onde não poderiam estar”.

Para o parlamentar, a regulamentação precisa ser acompanhada de sinalização e fiscalização. “É preciso regulamentar, colocar placas e informar claramente onde é permitido e onde é proibido passar”.

Educação é apontada como principal solução

Embora defendam a criação de regras, os vereadores acreditam que a conscientização ainda é a principal ferramenta para evitar acidentes. “O que vai resolver sempre vai ser a educação”, afirmou Márcio Mano.

Ele defendeu a realização de campanhas educativas em parceria com escolas, comerciantes e órgãos de trânsito. “As próprias lojas que vendem esses equipamentos poderiam ajudar em campanhas educativas. É importante orientar quem compra sobre os riscos e a forma correta de utilização”.

Evandro também reforçou a importância do envolvimento das famílias. “Principalmente essa gurizada nova precisa da orientação dos pais. Muitas vezes eles não têm noção das consequências dos atos que praticam no trânsito”.

Mobilidade urbana preocupa vereadores

A discussão sobre os autopropelidos acabou ampliando o debate sobre o futuro da mobilidade urbana em Araranguá. Os parlamentares defenderam estudos para implantação de ciclovias, ciclofaixas e novas alternativas de deslocamento.

Evandro revelou que já apresentou indicação para a criação de ciclovias na área central da cidade. “Precisamos começar a discutir a mobilidade urbana em todo o perímetro da cidade. Araranguá está crescendo e teremos que pensar em soluções para o futuro”.

Apesar disso, os vereadores reconhecem que o espaço urbano limitado representa um desafio. “É um desafio. Em muitas avenidas não existe espaço suficiente e qualquer mudança exige planejamento”, observou Nelson.

Lombadas dividem opiniões

Outro tema abordado foi a grande quantidade de pedidos de instalação de lombadas recebidos pelos vereadores.

Márcio Mano afirmou ser favorável à utilização de equipamentos eletrônicos para controle de velocidade. “Eu sou favorável à lombada eletrônica. Ela está ali, visível para todo mundo, e quem respeita as regras não paga multa.”

Já Nelson destacou que cada situação precisa ser analisada tecnicamente. “Toda lombada precisa de estudo. Não dá para simplesmente sair colocando lombadas em todos os lugares”.

Por outro lado, Márcio defendeu intervenções rápidas em locais considerados perigosos. “Entre ser legal e salvar uma vida, eu vou salvar uma vida”.

Vereadores cobram mais agilidade do trânsito municipal

Durante a entrevista, Márcio Mano também fez críticas à demora na adoção de algumas medidas solicitadas pela comunidade.

Segundo ele, muitos pedidos chegam aos vereadores por meio dos moradores dos bairros. “Nós somos o para-choque do município. Tudo chega até o vereador. A população nos procura porque quer soluções”.

O parlamentar afirmou que continuará cobrando ações preventivas em pontos considerados críticos. “Aquelas avenidas ali, uma hora alguém vai morrer. Depois vão lá e fazem a obra. A pergunta é: precisa acontecer uma tragédia para agir?”

Debate deve continuar

Ao final da entrevista, os vereadores reforçaram que o objetivo não é proibir a utilização dos veículos elétricos, mas garantir mais segurança para motoristas, pedestres e usuários.

“É o futuro, não tem como voltar atrás. Não dá para proibir. Mas precisamos estabelecer regras, orientar as pessoas e organizar a cidade para essa nova realidade”, concluiu Nelson Soares.

A expectativa dos parlamentares é que o debate avance junto ao Departamento Municipal de Trânsito, permitindo a construção de uma regulamentação específica para Araranguá e reduzindo os riscos provocados pelo crescimento acelerado do uso de motos e patinetes elétricos no município.