Unesc entrega Plano de Desenvolvimento Socioeconômico que servirá de guia para o futuro sustentável dos municípios da Amesc
Uma iniciativa pioneira desenvolvida pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) promete se transformar em uma das principais ferramentas de planejamento para o futuro dos municípios do Vale do Araranguá. O Plano de Desenvolvimento Socioeconômico da Amesc (Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense), construído a partir da escuta da população, agentes públicos e entidades de classe e de análises técnicas aprofundadas, reúne diagnósticos, prioridades e propostas que poderão orientar investimentos, políticas públicas e ações estratégicas nos próximos anos.
O trabalho, inédito na região da Amesc, foi elaborado pela própria universidade por meio de uma metodologia desenvolvida por professores, cientistas de dados e pesquisadores da instituição. O resultado é um conjunto de documentos que apontam oportunidades e desafios para os 15 municípios da Amesc, oferecendo um verdadeiro roteiro para o desenvolvimento sustentável.
Durante entrevista ao programa Dia a Dia, da Rádio Araranguá, a gerente de Inovação e Empreendedorismo da Unesc, Elenice Angel, destacou que o plano nasceu a partir da necessidade de ouvir a população e compreender as demandas de cada cidade.
“No ano de 2022, 2023, a Unesc começou em parceria com a Amesc esse plano de desenvolvimento socioeconômico. Qual é a ideia central do processo. Foi ouvir os diferentes segmentos de cada município abrangendo toda a Amesc. Esse plano teve a metodologia desenvolvida, através da nossa equipe de professores e cientistas de dados. Fomos a campo, embora ainda fosse época de pandemia, e escutamos em cada município os munícipes, o poder público, as organizações de categoria, enfim, os representantes da comunidade sobre os principais desafios locais”, afirmou.
Segundo ela, as contribuições abrangeram áreas como educação, saúde, infraestrutura, turismo e desenvolvimento econômico, permitindo a construção de um diagnóstico detalhado da realidade regional.
“A partir dos dados foram desenvolvidos os planos regionais. Este é um documento maior e cada município recebe o seu”, explicou.
Elenice ressalta que o material vai muito além de um levantamento estatístico. “São 280 páginas em que primeiro trazemos os dados dos municípios. São dados econômicos, sociais e ambientais. Os dados quantitativos compilados estão neste material. E dentro deste trabalho também foram desenvolvidos projetos e planos para cada um dos setores envolvidos.”
A entrega do plano estava prevista para 2024, mas acabou sendo adiada em razão de fatores externos que impactaram diretamente a região.
“Em 2024 seria o momento da entrega e de pôr em prática o plano de governança, mas tivemos as enchentes do Rio Grande do Sul. Precisamos, naquele momento, mudar um pouco o olhar, pois toda a região da Amesc, de alguma forma, foi afetada. Por esse motivo seguramos a entrega do plano. Depois tivemos eleições e a lei eleitoral veda alguns tipos de interação com a população. Logo depois os eleitos assumiram e aí tivemos que esperar a adaptação para retomar o trabalho”, relatou.
Ela destaca que o objetivo principal é oferecer diretrizes para o crescimento sustentável das cidades. “Enfim, o que nós temos aqui neste plano de desenvolvimento socioeconômico são os apontamentos e as diretrizes para elaboração de projetos e ações para o desenvolvimento sustentável dos municípios.”
O professor da Unesc, Ricardo Pieri também participou da entrevista e enfatizou que o plano foi construído com ampla participação popular e que as prioridades apresentadas refletem a vontade das comunidades.
“Estivemos em campo, inclusive nos últimos nove meses, atuando nos municípios da região. Foram muitas informações colhidas. Com isso trouxemos os apontamentos que os municípios precisam para assim escolherem que caminho tomar. Importante enfatizar que as escolhas que estão no material foram feitas pela comunidade”, destacou.
Segundo Pieri, o documento também contempla projetos considerados estratégicos para cada município.
“Tem alguns projetos que chamamos de icônicos. Ou seja, nem sempre os dados os referendam, mas a vontade da comunidade pode fazer acontecer”, observou.
Outro diferencial do plano é incentivar a criação de uma estrutura de governança para garantir que as propostas não fiquem apenas no papel.
“Se é feito um planejamento em uma empresa e não tiver um responsável pela transformação daquilo em ação, nada acontece. Então a governança é, do ponto de vista dos municípios, criar uma estrutura de pessoas para que saia do papel. Cada pessoa tem sua função nessa governança com o objetivo de implementar, implantar e acompanhar as ações propostas”, explicou.
A entrega oficial dos relatórios ocorreu na Unesc Araranguá e marcou a conclusão de uma etapa estratégica de produção de conhecimento voltada ao planejamento territorial. O material foi elaborado pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da universidade e reúne indicadores econômicos, sociais e ambientais, além de sugestões de projetos e ações para fortalecer a competitividade regional.
Com base em dados, participação popular e planejamento estratégico, o Plano de Desenvolvimento Socioeconômico da Amesc surge como uma ferramenta inédita para orientar investimentos, atrair oportunidades e fortalecer o crescimento sustentável do extremo sul catarinense nas próximas décadas.











