Economia ACIVA promove encontro para aproximar empresários da região do mercado paraguaio

ACIVA promove encontro para aproximar empresários da região do mercado paraguaio

23/06/2026 - 09h52

Evento recebe representante do Consulado do Paraguai no Brasil e busca identificar oportunidades de negócios para empresas do Extremo Sul catarinense

A Associação Empresarial de Araranguá e Extremo Sul Catarinense (ACIVA) realiza nesta terça-feira, às 19h, em seu auditório, um encontro voltado ao fortalecimento das relações comerciais entre empresários da região e o mercado paraguaio. A iniciativa contará com a presença de Jhonny Ojeda, agregado comercial do Consulado do Paraguai no Brasil, que apresentará oportunidades de compra e venda entre os dois países.

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o presidente da ACIVA, Jadiel Bozza, explicou que o convite surgiu após uma agenda empresarial realizada em Florianópolis, onde representantes catarinenses tiveram contato com autoridades paraguaias ligadas ao setor produtivo.

“Mês passado a gente teve um evento em Florianópolis, organizado pela FACISC, onde tivemos um café com o governador. Nesse evento estavam o vice-ministro da Indústria e Comércio do Paraguai e o representante do consulado aqui no Brasil, o Jhonny. O intuito principal deles era apresentar oportunidades de negócios entre Brasil e Paraguai”, relatou.

Segundo Bozza, durante as conversas foram identificadas demandas do mercado paraguaio que podem ser atendidas por empresas do Sul catarinense, além de matérias-primas disponíveis no Paraguai que podem interessar ao setor produtivo regional.

“Eles precisam de alguns tipos de produtos que a gente pode oferecer para eles, e também têm algumas matérias-primas que podem servir para nós. Pode dar muito negócio entre Brasil e Paraguai”, destacou.

Região tem potencial para ampliar exportações

A expectativa da ACIVA é aproximar empresários locais das oportunidades de exportação e importação que surgem a partir do crescimento econômico do país vizinho.

“A nossa região tem muito do setor do agronegócio, setor metal-mecânico, moveleiro, enfim. Todo o Extremo Sul catarinense fornece uma cadeia gigante de produtos e também precisa de matéria-prima. Hoje o Paraguai está em um crescimento fora da curva e precisa mais do que consegue oferecer”, afirmou.

Para o presidente da entidade, o momento é favorável para que as empresas busquem novos mercados, especialmente diante da desaceleração observada em alguns segmentos da economia nacional.

“Na maioria das empresas que a gente visita, as vendas estão baixas e as fábricas não estão trabalhando a todo vapor. Então, se existe oportunidade de abrir mercado e vender para fora, eu acho importantíssimo a gente avançar nisso”, ressaltou.

Bozza lembra que muitas indústrias possuem capacidade produtiva ociosa e poderiam ampliar suas vendas sem comprometer o atendimento ao mercado interno.

“Tem empresas que não conseguem vender tudo aquilo que conseguem produzir. Se existe oportunidade para vender ao Paraguai, elas podem suprir o mercado interno e utilizar essa capacidade excedente para exportação”, observou.

Crescimento do Paraguai abre novas oportunidades

O dirigente empresarial destacou que o avanço econômico do Paraguai tem criado demandas importantes em diversos setores. “O Paraguai, como está em crescimento, tem uma necessidade muito grande do metal-mecânico, do setor moveleiro e do agronegócio. Nada melhor do que aproveitar essa fatia de mercado”, disse.

Segundo ele, o encontro desta noite foi pensado justamente para aproximar os empresários dessas possibilidades. “Todo mundo que tem interesse em comprar ou vender para o Paraguai está convidado. Às vezes a gente nem imagina do que eles precisam e pode ter exatamente aquilo aqui na nossa região”, afirmou.

O futuro do trabalho e a transformação das empresas

Durante a entrevista, Jadiel Bozza também comentou as mudanças que vêm ocorrendo no mercado de trabalho e os impactos da tecnologia sobre os processos produtivos.

Para ele, a automação e a robotização já são uma realidade irreversível.

“Hoje está se ganhando dinheiro com coisas que nunca se imaginou e o que era tradicional muitas vezes já não gera mais os mesmos resultados. Quem está à frente de uma empresa sabe que precisa se reinventar constantemente”, avaliou.

Segundo o presidente da ACIVA, a mão de obra operacional tende a ser cada vez mais substituída por tecnologias, enquanto as pessoas deverão atuar em funções mais estratégicas e voltadas ao relacionamento humano.

“A mão de obra operacional vai ter que ser automatizada. O ser humano vai precisar atuar mais na parte comercial, estratégica e em áreas onde a robotização ainda é mais difícil”, explicou.

Ele destaca que a falta de trabalhadores qualificados já impulsiona esse movimento.

“Hoje é muito difícil encontrar um bom soldador na nossa região. O profissional qualificado está empregado. Por isso, muitas empresas já investem em robôs de solda, que trabalham 24 horas por dia, não tiram férias e não adoecem”, comentou.

Apesar dos receios sobre o impacto da tecnologia nos empregos, Bozza acredita que o mercado tende a se adaptar.

“Há vinte anos já se falava em desemprego em massa por causa da automação. Passaram-se duas décadas e a mão de obra continua escassa. O mercado acaba se acomodando e criando novas oportunidades”, afirmou.

Infraestrutura é desafio para crescimento industrial

Outro tema abordado foi a necessidade de investimentos em infraestrutura para acompanhar a expansão industrial de Araranguá.

Bozza destacou que o atual parque industrial apresenta crescimento constante, mas demanda melhorias, especialmente na rede elétrica.

“A maioria dos terrenos já tem produção e existem construções sendo ampliadas. É urgente fazermos um trabalho junto à Celesc para reestruturar a rede elétrica, porque já recebemos reclamações relacionadas à capacidade de atendimento”, alertou.

Ele também demonstrou otimismo em relação à construção da nova subestação elétrica prevista para o município.

“Agora nós temos datas mais objetivas. Segundo as informações apresentadas na audiência pública, a licitação deve ocorrer no segundo semestre e as obras devem iniciar no primeiro semestre de 2027”, explicou.

Além disso, a ACIVA trabalha para viabilizar a expansão da rede de gás natural até o Extremo Sul.

“Estamos organizando uma agenda com a SC Gás para estudar a extensão da rede até Sombrio, passando em frente ao novo parque industrial. Isso pode representar uma fonte de energia mais competitiva para as empresas da região”, destacou.

Convite aos empresários

Ao final da entrevista, Jadiel Bozza reforçou o convite para que empresários e empreendedores participem do encontro desta terça-feira.

“A gente ouviu muitas reclamações de que o primeiro semestre de 2026 foi difícil para diversos setores. Então precisamos fazer algo diferente. O Paraguai está precisando importar materiais e nada melhor do que colocar os nossos empresários para vender para esse mercado”, afirmou.

O encontro acontece às 19h, no auditório da ACIVA. Os interessados podem confirmar presença por meio das redes sociais da entidade ou pelo telefone da associação.

“Quem quiser entender melhor as oportunidades de negócios com o Paraguai e saber exatamente o que eles estão precisando, está convidado a participar. O representante do consulado estará apresentando todas essas oportunidades aos empresários da região”, concluiu.