Política Vereador cobra solução para áreas embargadas e pede agilidade em obras de acesso no Balneário Arroio do Silva

Vereador cobra solução para áreas embargadas e pede agilidade em obras de acesso no Balneário Arroio do Silva

23/06/2026 - 09h58

Clailton Oliveira defende regularização de imóveis, critica burocracia para ligações de água e energia e demonstra preocupação com a paralisação de obras importantes para o desenvolvimento do município

A situação de moradores que possuem terrenos escriturados, pagam IPTU regularmente, mas enfrentam dificuldades para obter ligações de água e energia elétrica voltou a ser tema de debate em Balneário Arroio do Silva. Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o vereador Clailton Oliveira abordou os problemas envolvendo áreas embargadas, a necessidade de regularização fundiária e o andamento de obras de infraestrutura consideradas estratégicas para o município.

Um dos principais assuntos abordados foi a situação de áreas embargadas no município. Segundo Clailton, existem casos de moradores que possuem escrituras registradas, pagam impostos há anos e, mesmo assim, não conseguem utilizar plenamente seus imóveis.

O vereador citou como exemplo uma área localizada atrás do ginásio de esportes, onde famílias foram retiradas após uma disputa judicial. “Pessoas que pagavam IPTU há anos para a prefeitura simplesmente foram despejadas. Derrubaram as residências e teve gente que continuou pagando IPTU. O Cabo Mota, por exemplo, tinha uma casa e um terreno ao lado, pagou IPTU a vida toda e simplesmente tiraram tudo dele”, relatou.

Para Clailton, a situação gera insegurança jurídica e acaba prejudicando o desenvolvimento do município. “Quem perde dinheiro com isso é o município. Está deixando de arrecadar. Eu não consigo entender. A matemática é simples: um mais um é dois”, criticou.

Cobrança de IPTU gera questionamentos

O vereador também questionou a cobrança de IPTU sobre terrenos que, segundo ele, não podem ser utilizados pelos proprietários devido às restrições existentes. “Se a pessoa tem escritura, paga IPTU, mas não consegue ligar água, energia e nem obter alvará de construção, então pare de cobrar IPTU. É o mais justo que tem”, defendeu.

Segundo Clailton, muitos moradores enfrentam dificuldades para obter serviços básicos devido à burocracia. “Nós temos pessoas que tomam água barrenta. Pessoas que precisam puxar um rabicho para ter energia e conseguir tomar um banho quente por causa da burocracia. Claro que é preciso cuidado com áreas invadidas, mas não podemos, em pleno século 21, ver pessoas clamando por água e luz sem conseguir atendimento”, afirmou.

O vereador também citou situações envolvendo processos de regularização fundiária que, mesmo após avançarem, acabaram sendo novamente questionados. “Na Praia do Pescador fizeram o REURB, fizeram tudo, e depois embargaram novamente. São situações que a gente não consegue entender”, declarou.

Vereador pede união para buscar soluções

Para Clailton, a resolução desses problemas exige diálogo entre prefeitura, Câmara de Vereadores, Ministério Público e Poder Judiciário. “Nós precisamos chamar a Justiça para ajudar. Precisamos encontrar uma solução, não a médio prazo, mas a curto prazo. O Arroio precisa crescer, precisa atrair investimentos e gerar oportunidades”, argumentou.

Ele alerta que a falta de definição sobre áreas embargadas pode comprometer o desenvolvimento econômico do município. “Uma cidade que depende do turismo precisa crescer. Com loteamentos nessa situação, a conta não fecha. Não tem como atrair investidores e gerar emprego desse jeito”, afirmou.

Paralisação do acesso Sul preocupa

Outro tema abordado durante a entrevista foi a paralisação das obras da nova etapa do acesso Sul do município. Segundo o vereador, a interrupção ocorreu após o surgimento de uma reivindicação relacionada a terrenos localizados na área da obra.

“Perguntei ao engenheiro por que a obra tinha parado e ele me disse que apareceu uma pessoa alegando ser proprietária de terrenos por onde passa a estrada. Agora está sendo discutida uma desapropriação”, explicou.

Clailton demonstrou preocupação com a situação e cobrou uma solução rápida. “Não acredito que vão fazer um projeto sem verificar previamente quem são os proprietários da área. A prefeitura tem o mapa dos loteamentos. É preciso encontrar um acordo para concluir aquela etapa”, afirmou.

Obras do acesso Norte também são alvo de cobranças

O vereador afirmou que também acompanha de perto o andamento das obras do acesso Norte e disse que a execução tem enfrentado interrupções frequentes. “A obra começou, depois parou, voltou, parou novamente. Estive na prefeitura e fui informado de que a empresa retornaria aos trabalhos, mas até agora não vimos isso acontecer”, disse.

Mesmo diante das críticas, Clailton reconheceu investimentos realizados pelo Governo do Estado na infraestrutura regional. “São obras importantes. A segunda etapa do acesso Sul está sendo executada com recursos do governador Jorginho Mello e também temos a ciclovia. É dinheiro público retornando para a população”, destacou.

Turismo deve ser prioridade

Ao longo da entrevista, o vereador também defendeu investimentos voltados ao turismo, setor considerado essencial para a economia do município.

Segundo ele, o Arroio do Silva precisa acompanhar o crescimento observado em cidades vizinhas. “Araranguá está vivendo um grande momento no turismo. Balneário Gaivota está em pleno desenvolvimento. Passo de Torres também cresceu muito. Nós precisamos aproveitar esse movimento e investir para não ficarmos para trás”, afirmou.

Entre as propostas defendidas pelo parlamentar estão melhorias na plataforma marítima, revitalização de espaços públicos e investimentos nos acessos ao município.

“Precisamos dar vida ao lado Norte, ao lado Sul, melhorar o calçadão e criar espaços para as pessoas frequentarem. O turismo precisa de atrativos e de infraestrutura”, ressaltou.

Papel fiscalizador

Ao encerrar a entrevista, Clailton reforçou que continuará cobrando soluções para os problemas do município, independentemente de questões partidárias. “O vereador não foi eleito para ficar na Câmara apenas dando amém. O maior papel do vereador é fiscalizar. Quando está certo, eu reconheço. Quando está errado, eu vou cobrar”, declarou.

Ele também fez elogios à gestão do prefeito de Araranguá, César Cesa, citando investimentos que ajudaram a impulsionar o turismo na cidade vizinha. “Não é do meu partido, mas tenho humildade para reconhecer. Para mim, o César faz uma baita gestão e mostrou que investir em espaços públicos e turismo gera desenvolvimento”, concluiu.