Economia Gás natural volta ao centro do debate e lideranças unem forças para impulsionar desenvolvimento do Extremo Sul

Gás natural volta ao centro do debate e lideranças unem forças para impulsionar desenvolvimento do Extremo Sul

29/06/2026 - 09h27

Encontro em Araranguá reunirá empresários e direção da SCGÁS para discutir ampliação da rede até Sombrio; setor produtivo defende que investimento em infraestrutura é fundamental para atrair novas indústrias e preparar a região para um novo ciclo de crescimento

A possibilidade de expansão da rede de gás natural para Sombrio e o fortalecimento da infraestrutura energética do Extremo Sul catarinense voltaram à pauta das lideranças empresariais da região. No próximo dia 2 de julho, a Associação Empresarial de Araranguá e Extremo Sul Catarinense (ACIVA) receberá um encontro com a participação do diretor-presidente da SCGÁS, Otmar Müller, empresários e representantes de entidades empresariais para discutir a viabilidade da ampliação da rede e os impactos que o investimento pode gerar para a economia regional.

O tema ganhou força após a aprovação, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), de uma indicação apresentada pelo deputado estadual Camilo Martins, defendendo a extensão da rede de gás natural para o Sul do Estado.

Durante entrevista ao programa de Saulo Machado, na Rádio Araranguá, o diretor-presidente da SCGÁS, Otmar Müller, destacou que a empresa vê com bons olhos o interesse da região em receber a infraestrutura.

“Eu diria que é gratificante ter um convite como esse de vocês, demandando a disponibilidade dessa infraestrutura que é uma indutora de desenvolvimento. A distribuição do gás permite atrair atividades que demandam energia térmica. Ter esse convite para conversar a respeito é muito importante para nós”, afirmou.

Investimento exige demanda consolidada

Apesar do interesse, Müller explicou que a ampliação da rede depende de estudos técnicos e da comprovação de demanda suficiente para justificar o investimento. Segundo ele, a implantação da tubulação possui um custo elevado.

“Custa em torno de R$ 1 milhão a R$ 1,2 milhão por quilômetro de implantação da rede. É necessário um projeto detalhado para quantificar exatamente os valores, mas essa é a média de investimento”, explicou.

O presidente da SCGÁS ressaltou que o modelo de concessão exige responsabilidade financeira e regulatória. “É importante realmente ter essa certeza de aumento de consumo. O investimento do gás natural é pago pelos consumidores. Nós estamos sujeitos à agência reguladora e ao Tribunal de Contas do Estado. Projetos dessa natureza precisam passar por todo um procedimento validado pelos órgãos de controle”, destacou.

Segundo Müller, a companhia já possui atendimento em Araranguá, principalmente para abastecimento de postos de combustíveis, mas a discussão agora envolve a expansão da estrutura para atender novos polos industriais e alcançar municípios vizinhos.

Empresários defendem visão de longo prazo

Para o presidente da ACIVA, Jadiel Bozza, o debate precisa ir além da demanda atual e considerar o potencial de crescimento econômico da região nos próximos anos.

“A gente não pode colher se não plantar. Talvez hoje a gente não tenha todas as empresas necessárias para justificar a implantação, mas temos uma logística muito boa, a BR-101, áreas disponíveis para novos empreendimentos e parques industriais em expansão. A extensão da rede vai abrir muitas oportunidades para outras empresas se instalarem aqui”, afirmou.

Bozza acredita que a chegada do gás natural pode se tornar um diferencial competitivo para atração de investimentos. “Temos um novo parque industrial de Araranguá, temos o parque industrial de Sombrio e vários terrenos disponíveis. Precisamos entender que essa extensão de rede vai abrir oportunidades para outras empresas virem para Araranguá e Sombrio investir”, destacou.

O dirigente também citou o impacto ambiental positivo da utilização do gás natural. “Além de ser mais barato, ele é ecologicamente mais correto. É um gás mais puro, agride menos o meio ambiente e oferece mais competitividade para as empresas”, disse.

Porto Meridional pode acelerar desenvolvimento regional

Outro fator apontado pelas lideranças empresariais como decisivo para o futuro da região é o projeto do Porto Meridional, previsto para Arroio do Sal, no Rio Grande do Sul.

Para o presidente da Associação Empresarial de Sombrio (ACIS), Roger Guimarães de Melo, a região precisa se preparar para um cenário de crescimento econômico impulsionado por grandes investimentos logísticos.

“Os municípios já possuem uma vocação econômica definida. Passo de Torres, Balneário Gaivota e Arroio do Silva têm perfil turístico. Já Araranguá, Sombrio, Santa Rosa do Sul e São João do Sul possuem vocação industrial. Precisamos da infraestrutura primeiro para garantir o desenvolvimento econômico da região”, afirmou.

Segundo Roger, a instalação do porto e a conclusão de importantes ligações rodoviárias podem transformar o Extremo Sul catarinense em uma área estratégica para novos empreendimentos.

“Com a vinda do Porto Meridional e a conclusão das serras, nós estaremos no meio de um corredor logístico extremamente importante. Nossa região naturalmente vai se desenvolver, mas para isso precisamos nos preparar agora”, ressaltou.

Ele acredita que o crescimento econômico observado em outras regiões portuárias pode se repetir no Sul catarinense. “Nós temos exemplos de regiões que receberam portos e se desenvolveram em um raio de até 70 quilômetros ao redor da estrutura. Vieram indústrias, moradias e investimentos. Mas isso só acontece quando existe infraestrutura disponível”, explicou.

Competitividade para indústria e serviços

As lideranças empresariais também lembram que os benefícios da expansão da rede não seriam restritos ao setor industrial. Bozza destacou que hospitais, empreendimentos comerciais e outras atividades de serviços também poderiam reduzir custos operacionais com a chegada do gás natural.

“Não é somente a indústria que precisa do gás natural. Nós temos hospitais, ampliações de empreendimentos e diversos serviços que utilizam energia térmica. Hoje o gás transportado por caminhões tem um custo elevado e reduz a competitividade das empresas que já estão instaladas na região”, afirmou.

Mobilização regional

Apesar das exigências regulatórias apresentadas pela SCGÁS, os representantes das entidades empresariais defendem que a mobilização regional será fundamental para demonstrar o potencial de consumo e convencer a companhia a ampliar os investimentos.

“Não podemos esperar resultados diferentes fazendo a mesma coisa. Precisamos mostrar o potencial da nossa região e convencer a SCGÁS de que é preciso plantar para depois colher. Algumas empresas já demonstraram interesse, mas precisamos pensar no futuro e no desenvolvimento que essa infraestrutura pode trazer”, afirmou Jadiel Bozza.

Roger Guimarães reforçou a importância da união regional. “Precisamos dessa parceria junto com a SCGÁS para mostrar que é importante trazer esse investimento para a nossa região. Quanto mais infraestrutura tivermos, maior será nossa capacidade de atrair empresas, gerar empregos e fortalecer a economia local”, declarou.

Encontro acontece no dia 2 de julho

A reunião promovida pela ACIVA será realizada na próxima quinta-feira, dia 2 de julho, às 18h, no auditório da entidade, em Araranguá. O evento é aberto a empresários de Araranguá, Sombrio e demais municípios da região interessados em conhecer melhor o projeto e contribuir para a construção de uma proposta que fortaleça a demanda regional pelo gás natural.

“Se algum empresário tem interesse no consumo de gás natural, as portas estão abertas. Queremos reunir o maior número possível de interessados para mostrar a força e o potencial econômico da nossa região”, convidou Jadiel Bozza.

Roger Guimarães também reforçou o chamado. “Fica o convite para todos os empresários de Araranguá, Sombrio e região participarem desse evento tão importante para o futuro econômico do Extremo Sul catarinense”, concluiu.