Economia A economia de Araranguá precisa, Celesc promete, mas subestação de energia não sai do papel  

A economia de Araranguá precisa, Celesc promete, mas subestação de energia não sai do papel  

27/03/2024 - 14h04

O problema não é de hoje e a promessa de solução também não. A cidade de Araranguá vem crescendo cada vez mais, porém, o fornecimento de energia, por parte da Celesc, não está acompanhando esse ritmo. Quando o assunto é atender indústrias e empresas, a situação fica ainda mais complicada. Muitos empresários sentem essa dificuldade e alguns até optam por instalar suas unidades em outros municípios.  

Promessa de solução que ainda não veio  

Em visita a Araranguá, em agosto de 2021, os representantes da Celesc prometeram a construção de uma nova Subestação na cidade. O empreendimento ficaria localizado na Rodovia de acesso ao Balneário Arroio do Silva e também contaria com uma linha de transmissão em circuito duplo, instalação de um transformador de 26.600 kVA e quatro saídas para alimentadores de distribuição, com isso, a subestação atenderia, simultaneamente, a área central de Araranguá e a região do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no município, além de suprir diretamente a cidade de Balneário Arroio do Silva, bem como a região turística do Morro dos Conventos.

Na época, de acordo com o planejamento da Celesc, a obra ficaria pronta em 2023, o que não aconteceu. A Associação Empresarial de Vale do Araranguá (Aciva), vem acompanhando esse assunto de perto e cobrando uma posição da concessionária. Em entrevista ao programa Dia a Dia, da rádio Araranguá, Alberto Sasso de Sá, membro do Conselho Deliberativo da Aciva falou sobre o assunto: “Cobramos a obra da subestação, pois sabemos que atualmente Araranguá e as cidades que fazem divisa com o município, e que dependem da Celesc, sofrem ainda com a oferta de energia. Ou seja, enquanto outras regiões e municípios podem trazer uma indústria, a nossa região, infelizmente não pode por conta do fornecimento”.

Sasso ainda reforçou que o prazo de entrega da subestação foi alterado algumas vezes, o que deve acontecer novamente esse ano.  “A gente depende da Celesc, um serviço público, dependemos também da força política para que eles (Celesc) voltem a olhar para a nossa região e terminem essa obra que iniciou com a compra do terreno, desmembramento e licença ambiental. A entrega era para setembro de 2022, pedimos para o governador um levantamento mais realista, pois sabemos que obras públicas são difíceis de serem entregues no tempo determinado. Então a data de entrega mais realista seria para 2024, porém estamos em 2024 e infelizmente não vai ser entregue neste ano”.

O membro do conselho deliberativo da Aciva também comentou o impacto que terá essa subestação. “A entrega iria aumentar em torno de 50% a capacidade de energia na região e colocando essa subestação em funcionamento a gente poderia partir para outras demandas, como por exemplo, a ampliação do gás natural que é uma reivindicação antiga”.

Reivindicação tão recorrente quanto a busca por mais energia. “A Celesc reportou quatrocentos e pouco milhões de lucro no ano de 2023; a questão de recurso não é o problema. Lá atrás a Aciva, junto com outras entidades, iniciou essa busca por esse aumento da oferta de energia. Na verdade, estamos buscando aquilo que é de direito nosso. Em outras regiões já aconteceu, como Criciúma por exemplo, que em 6 meses foi resolvido. Temos que dar essa cutucada e é isso que estamos buscando agora”, enfatizou Sasso.

Mesmo com todas as dificuldades, a esperança que a obra vai sair, ainda existe. “A obra vai sair? Vai sair, porque vai chegar em um momento que vai voltar a ter muita queda e a pressão vai ser muito maior. Se o vale do Araranguá não se mobilizar, a gente vai ficando cada vez mais para trás em relação a outras regiões. E quando a gente fala de indústrias e empresas, não necessariamente está defendendo o empresário, na verdade isso vai refletir para toda a população. Hoje Araranguá é a vigésima terceira cidade em população de Santa Catarina, mas somos a trigésima terceira em economia e vamos ficar cada vez mais para trás se não tivermos energia de qualidade e infraestrutura adequada”.

Após pressões de todos os lados, principalmente da Aciva, a Celesc marcou uma reunião para discutir o assunto. “A ideia dessa reunião é convidar todas as entidades de classe, todas aqueles que representam uma parcela da nossa população, e a classe política que representa toda a população, para mostrar que tem a demanda. O nosso objetivo é chamar a atenção do presidente (Celesc) e tentar conseguir uma data de início e de conclusão da obra. E tentar que nesse mandato do atual governo do Estado seja concluída, de forma energizada. Precisamos ir o quanto antes para ter essa obra finalizada e partir para outras demandas”, finalizou Beto Sasso.

A reportagem do Portal da Rádio Araranguá entrou em contato com a Celesc, mas não obteve resposta sobre a subestação.