Presidente da Amesc defende ação conjunta e urgente para salvar lagoas no Extremo Sul
Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o prefeito de São João do Sul e presidente da AMESC, Alex Bianchin, falou sobre a situação crítica das lagoas da região, com destaque para a Lagoa do Sombrio e a Lagoa do Caverá.
Enquanto em Araranguá o Ministério Público cobra ações do Governo do Estado para recuperação da Lagoa do Caverá, em Sombrio uma mobilização semelhante já reúne prefeitos, entidades e sociedade civil em busca de soluções para a Lagoa do Sombrio.
Reunião reuniu municípios e entidades
Bianchin destacou que a promotora Andréia Tonin convocou uma reunião envolvendo prefeitos dos municípios que margeiam a lagoa, Sombrio, Balneário Gaivota, Passo de Torres, São João do Sul e Santa Rosa do Sul, além de órgãos ambientais, ONGs e representantes da sociedade civil.
O encontro, realizado na prefeitura de Santa Rosa do Sul, reuniu cerca de 30 participantes e marcou um avanço nas discussões. “É um tema bastante relevante e que há muitos anos é debatido. Agora precisa sair da discussão e virar ação concreta”, afirmou o prefeito.
Problemas históricos e impactos ambientais
Segundo Bianchin, as lagoas enfrentam problemas antigos, como o assoreamento e a redução do nível da água, agravados por ações humanas ao longo das décadas.
“Entre os fatores apontados estão o despejo de resíduos por afluentes, como o Rio da Laje, além de intervenções estruturais, como a retificação do canal da Barrinha, em São João do Sul, realizada há cerca de 40 anos. Esse canal teve suas curvas retiradas, o que aumentou a velocidade da água. Hoje ele escoa muito rápido, fazendo com que a lagoa encha e esvazie com muita facilidade”, explicou.
Estudo socioambiental será o primeiro passo
Durante a reunião, foi confirmada a viabilização de um recurso de quase R$ 1 milhão, por meio do Governo do Estado, para a realização de um estudo socioambiental, considerado essencial para embasar ações futuras.
“Esse estudo será fundamental para a elaboração de um plano de ação conjunto, envolvendo municípios, Estado e entidades. A partir desse estudo e de audiências públicas, vamos construir soluções definitivas, não apenas paliativas”.
Medidas emergenciais e atuação da Defesa Civil
Diante da urgência da situação, também foi discutida a necessidade de ações emergenciais. “A Defesa Civil municipal e estadual deverá ser integrada ao processo para antecipar medidas preventivas e agilizar intervenções. Chegou a um ponto crítico que não dá mais para esperar. Precisamos agir para manter o nível das lagoas e evitar danos maiores”, destacou.
Integração regional e próximos passos
Como presidente da AMESC, Bianchin afirmou que pretende ampliar o debate, incluindo também a situação da Lagoa do Caverá, em Araranguá, já que os sistemas são interligados.
“A estratégia envolve unificar esforços entre os municípios, acelerar a contratação de estudos, possivelmente por meio de universidades, e utilizar estruturas já existentes, como equipamentos e equipes técnicas. A associação dos municípios tem papel fundamental nisso. Precisamos integrar as ações e ganhar tempo”.
Responsabilidade coletiva
O prefeito também reconheceu que os problemas atuais são resultado de decisões e falta de fiscalização ao longo dos anos. “Muitas dessas situações poderiam ter sido evitadas. Agora precisamos corrigir e preservar esse patrimônio, porque água é vida”.
Expectativa por soluções rápidas
A principal preocupação, segundo Bianchin e o apresentador Saulo Machado, é o tempo necessário para a execução dos estudos e ações, diante do risco de agravamento da situação. “Não podemos esperar dois ou três anos. As lagoas precisam ser salvas agora”, concluíram.







