Política Raimundo Colombo avalia cenário político de SC, defende alianças partidárias e sofre pressão para voltar a disputar eleição

Raimundo Colombo avalia cenário político de SC, defende alianças partidárias e sofre pressão para voltar a disputar eleição

30/03/2026 - 10h00

Em entrevista ao apresentador Saulo Machado, da Rádio Araranguá, o ex-governador de Santa Catarina e ex-senador Raimundo Colombo analisou o cenário político estadual, comentou a pré-aliança entre PSD, MDB, PP e União Brasil, avaliou o peso do bolsonarismo nas eleições e falou sobre a possibilidade de voltar a disputar um cargo público.

Durante a entrevista, Colombo destacou a importância do período eleitoral como momento de participação democrática e construção de expectativas para o futuro. “Eu acho um momento muito bonito para a sociedade é a eleição, porque é a chance que a gente tem de depositar a nossa esperança, nossa confiança, ter um olhar para o futuro”.

Ele também ressaltou o valor simbólico do voto como instrumento de igualdade entre os cidadãos. “É um momento em que todo mundo é absolutamente igual. Poucas coisas na nossa vida são tão só nossas quanto o voto”.

Pré-aliança entre PSD, MDB, PP e União Brasil

Sobre a articulação política envolvendo os quatro partidos em Santa Catarina, Colombo afirmou que a construção da pré-aliança foi espontânea e tem boas chances de se consolidar até as convenções partidárias. “Foi formalizada essa pré-aliança e ela é para valer. Todo mundo estava lá de boa vontade. Eu acredito muito que ela vai prevalecer”.

Ele classificou a aproximação entre MDB e PP como um movimento histórico no cenário político catarinense. “São partidos grandes, históricos, que praticam um gesto de aproximação muito difícil na história política de Santa Catarina. Isso é grandeza, isso é qualidade, é coragem”.

Segundo Colombo, apesar das divergências naturais nesse período de articulação, a tendência é de consolidação do grupo político.

Influência do governo estadual e cenário eleitoral

Ao comentar a atuação do governador Jorginho Mello, Colombo avaliou que a estrutura administrativa influencia o momento político atual, especialmente nas relações institucionais com prefeitos.

“Nesse momento, a influência do governo é muito grande, porque é uma fase de interesse administrativo. O prefeito tem que ir mesmo nas reuniões, porque ele está administrando para todos”.

Ele afirmou que o posicionamento político efetivo tende a ocorrer mais próximo do período eleitoral.

Campanha de João Rodrigues e disputa pelo governo

Colombo também comentou a pré-candidatura do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, ao governo estadual, destacando o discurso transparente adotado pelo político. “Ele está sendo bastante honesto: aqui ninguém tem nada para dar. É a campanha do tostão contra o milhão”.

Segundo ele, a experiência administrativa municipal pode ser um diferencial importante na disputa. “Se o cara fez bem lá, poderá fazer bem aqui. É um raciocínio lógico”.

Colombo afirmou ainda acreditar na possibilidade de João Rodrigues chegar ao segundo turno. “Eu acredito que sim, não tenho dúvida disso”.

Polarização política e influência do bolsonarismo

O ex-governador também avaliou o impacto da polarização política nas eleições e defendeu uma postura mais equilibrada por parte das lideranças públicas. “Esse ódio tem que acabar, esse radicalismo tem que diminuir. O governante não pode chegar com ódio, ele tem que chegar com amor”.

Sobre o peso do bolsonarismo em Santa Catarina, Colombo reconheceu sua força eleitoral. “Ele é muito forte, ele tem uma aceitação grande, mas isso vai depender muito do candidato, da proposta, da postura que ele vai ter”.

Críticas à atual gestão estadual

Durante a entrevista, Colombo fez críticas diretas ao atual governo estadual, apontando excesso de propaganda e poucos resultados práticos. “Tem muita conversa e pouco resultado”.

Ele citou como exemplo dados divulgados na área da saúde e a presença de placas institucionais em obras. “Tem placa em tudo quanto é lugar, inclusive em obras federais onde o governo dele sequer passou”.

Possível retorno à vida pública

Questionado sobre uma eventual candidatura nas próximas eleições, Colombo afirmou que sofre pressão política regional para disputar vaga de deputado federal, mas demonstrou resistência à ideia neste momento. “Eu não desejo ser candidato. Eu vou ajudar, apoiar, mas gostaria que fosse um nome novo”.

Apesar disso, admitiu que a decisão ainda não está completamente encerrada. “Tem uma pressão muito grande aqui na minha região, porque tem um vazio político. Em princípio eu não vou ser candidato, mas é difícil sair da política”.

Ele lembrou ainda uma frase do ex-governador Antônio Carlos Konder Reis para ilustrar o momento vivido. “A porta de entrada na política é muito estreita, mas a da saída eu estou há 50 anos procurando e não achei”.

Ao final da entrevista, Colombo reafirmou que seguirá participando do debate político estadual, mesmo que não dispute diretamente as eleições, contribuindo com articulações e apoio às candidaturas do grupo político.