Novo de SC desconvida Zema de encontro estadual após novas críticas a Flávio Bolsonaro
A relação entre o Partido Novo e o PL voltou a enfrentar turbulências, desta vez motivada por novas declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que mantém o discurso crítico ao senador Flávio Bolsonaro, o nome cogitado pelo PL para a disputa presidencial de 2026.
Em entrevista ao canal Brasil Paralelo, Zema voltou a questionar a proximidade de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O governador mineiro retomou críticas que já havia feito anteriormente, classificando como problemático o episódio envolvendo o pedido de recursos para a produção do filme Dark Horse, obra em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O comentarista político Upiara Boschi destacou que Zema tem adotado uma estratégia de criticar o adversário, mas sem romper completamente com o eleitorado bolsonarista.
“Ele morde um pouquinho e assopra. Primeiro critica, diz que é imperdoável, que quem anda com bandido merece desconfiança. Depois afirma que, em um eventual segundo turno contra Lula, votaria em Flávio Bolsonaro”, observou Upiara.
Segundo o analista, as declarações do ex-governador acabam gerando reflexos diretos em Santa Catarina, onde PL e Novo mantêm um importante aliança política. O principal exemplo é a parceria entre o governador Jorginho Mello e o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, pré-candidato a vice-governador na chapa governista.
A tensão aumentou após uma reação pública do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que, dos Estados Unidos, criticou duramente Zema e chegou a defender o rompimento de alianças entre PL e Novo em todo o país.
O episódio provocou uma resposta do diretório catarinense do Novo. Conforme relatou Upiara Boschi, uma nota chegou a ser encaminhada à imprensa informando o desconvite de Romeu Zema para participar do encontro estadual da sigla, previsto para julho. Embora a mensagem tenha sido retirada pouco tempo depois, o conteúdo rapidamente circulou nos bastidores políticos.
“Minutos depois essa mensagem foi apagada. Mas o teor não se perdeu. O alarde já estava feito”, afirmou o comentarista.
A situação ganha ainda mais relevância porque a direção nacional do Novo possui forte influência catarinense. O presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, é de Santa Catarina, enquanto o presidente estadual, Kahlil Elias Assib Zattar, mantém proximidade política com Adriano Silva.
Para Upiara Boschi, diferentes interesses estão em jogo. Enquanto Romeu Zema busca fortalecer seu projeto presidencial e se apresentar como alternativa da direita e do centro-direita, lideranças catarinenses do Novo trabalham para preservar a aliança construída com o PL no estado.
Um dos trechos mais contundentes da nota atribuída ao diretório estadual indicava que, caso Zema não altere o rumo de sua pré-campanha, os delegados catarinenses poderiam não apoiar sua candidatura durante a convenção nacional do partido, em Brasília.
“Vamos ver como é que vai ser isso aí. Tem que ter muito bombeiro para apagar esse incêndio”, concluiu Upiara Boschi.











